
Foi ao amor que aprendi a escrever,
Em versos para mulheres que não amei.
Houve dias em que por certo o julguei
Mas se não o foi, não o era para ser.
Foi nesse amor que não me vieste ver,
Porque desses versos não leste amiúde,
E se dessas letras não viste a virtude,
Não foi amor porque não o deixei ser.
Nunca disse que te amava,
Porque esse amor era o farol,
Se das palavras queria um gole
E a inspiração me faltava.
A inspiração é fruto da esperança,
Que se devora enquanto se procura,
Acaba-se a busca, acaba a loucura,
Acende-se a luz, muda-se a dança.
Usei-te, sei que te usei, confesso,
Gastei horas de amor contigo,
Nas assoalhadas de um abrigo,
Onde meu ego vive em excesso.
Feb 28, 2024
5 min

Vou em mim, de viagem,malas cheias de nevoeiro,sem luz levo o candeeiro,ao amor comprei passagem.Levo os pés pelo joelho,se medo carrego no passo,já tenho construído o laço,comigo trarei meu parelho.Na barriga avoaçandoa novidade e a aventuraa que a vida me ordena.Doo à sorte meu comando,esqueço o medo da altura,desejo hora pequena.
Feb 17, 2024
4 min

Hoje estou dentro de mim,por dentro de algo maior do que consigo ver.Sinto que estou dentro de mimporque toco nos pensamentos com os dedose agarro as emoções com as pálpebras.Tenho a certeza de que estou dentro de mim e estou bem:- porque há dEUs aqui!O dEUs “Eu”.O dEUs que eu crieipara me mostrar o caminhoe me dar alento na viagem.E se me perguntares se acredito em dEUs:- saberás por certo que sim.Acredito porque sei e vejo.Há dEUs aqui e o dEUs sou eu.Sim eu.Eu, dEUs de mim.
E tu acreditas?
Jan 17, 2022
5 min

Quando ao outro telegas,numa série ininterrupta de instantes.Cantam-se rimas sem consoantes,Que escondem o fardo que carregas.
Se te sentas livre e atento,E do outro contos amealhas,Deslindarás nessas tralhas,Para teu saber alimento.
Se presente pões teu passado,E dele jogas páginas ao vento,Descobrirás que afinal ter tempo,Também é do espírito um estado.
Dec 16, 2021
5 min

Se esta rua não é só para mim,
faço um périplo e tento,
moldar o pensamento a seguir.
Razão, tu pedes para eu ouvir,
há terra em contramão, aqui,
eu senti!
Porquê? Somos aios do fim, porquê?
Da rotina fez-se homem assim,
da caverna ao nosso tempo
há um rasto que hoje podes sentir.
Imagina…está limpa, de volta, por tua mão.
Porquê? Somos aios do fim, porquê?
Musica de: Primavera
Letra de: André Maria
Dec 9, 2021
7 min

Negras as noites oblíquas,
Mascantes de luz fulgurante,
Que têm as veias à porta.
Assentos de jardim adornados,
Leito das costelas quebradas,
Onde alquebram intrépidos ruins.
Não há sossego adjudicado,
Nem há mais da avidez saciada,
Apenas o restolho num copo vazio.
As candeias queimam em crespo,
E a chama que se intente ostentar,
Fende antes de na casca advir.
Mortas estão as garras do pobre,
Na calçada do éden à sombra,
Avariadas na artéria do destino.
Dec 2, 2021
3 min

Em Covas sentado e de olhos no rio,
no embalo do tempo e da corrente,
na pele o frio e o arrepio de quem sente,
que olhar em frente é o maior desafio.
Enquanto silêncio me corre o pensamento,
no Douro barcos não estão ou não vejo.
À Senhora do Pilar tento invocar em desejo,
que me faça entender o que me trouxe o vento.
Hoje é mais um dia num cenário novo,
num mundo estranho à porta de minha casa,
onde já não reconheço as pedras da calçada.
Porque destravada vai a doença pelo povo
e o futuro é uma ave de pujante asa,
dentro de uma jaula de porta trancada.
Poema vencedor do Concurso de Poesia Popular de Castelo de Paiva 2021
https://escritoavapor.blogs.sapo.pt
Nov 25, 2021
4 min
