Show notes
Em Covas sentado e de olhos no rio,
no embalo do tempo e da corrente,
na pele o frio e o arrepio de quem sente,
que olhar em frente é o maior desafio.
Enquanto silêncio me corre o pensamento,
no Douro barcos não estão ou não vejo.
À Senhora do Pilar tento invocar em desejo,
que me faça entender o que me trouxe o vento.
Hoje é mais um dia num cenário novo,
num mundo estranho à porta de minha casa,
onde já não reconheço as pedras da calçada.
Porque destravada vai a doença pelo povo
e o futuro é uma ave de pujante asa,
dentro de uma jaula de porta trancada.
Poema vencedor do Concurso de Poesia Popular de Castelo de Paiva 2021
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