
No contato com o outro, nos tornamos humanos, e esse processo passa pela apropriação, construção e desconstrução de um conjunto de marcadores que nos diferenciam e mostram quem nós somos para o mundo e para nós mesmos. A isso chamamos de identidade. Identidade não como uma unidade removível e transcendente da nossa existência no mundo, mas como uma multiplicidade de relações concretas com o social e com a história que imprime determinados modos que lemos e somos lidos na convivência com o mundo.
Apesar dos vários séculos sendo deixados de lado por projetos coloniais de sociedade, o debate e as lutas em torno das identidades continuaram existindo e resistindo pois, como mesmo sinaliza Silvio de Almeida, no prefácio do livro “Armadilhas de Identidade”, de Asad Haider, a identidade se expressa na materialidade do mundo, pensamos e somos pensados através dela ainda que evitemos.
Hoje as discussões em torno das identidades tomam uma proporção central na compreensão de como tem se dado as lutas para a construção de projetos de mundo mais diverso e democrático. Tal pauta gera, por um outro lado, todo um conjunto de reações que vão de mobilizações de revanchismos identitários por parte de grupos conservadores e neoliberais, até uma recusa do reconhecimento e relevância dessas lutas por parte de alguns setores tidos como progressistas.
No episódio de hoje, nós discutiremos todas essas questões que rodeiam o debate sobre identidade em parceria com as convidadas Céu Cavalcanti e Letícia Nascimento, mostrando toda a riqueza de questionamentos e reflexões presentes nesse tema. Nós também discutiremos sobre as possibilidades de se repensar o mundo através da compreensão das identidades e da interseccionalidade entre elas.
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Dec 2, 2021
1 hr 25 min

Álef Souza; Pedro Alcântara; Jandson Alexandre; Renayson Girão; Patrício Pinho; Jardel Lima; Alisson Barroso; José Gilvan; Marcelo Mendes; Valmir Ferreira; Francisco Elenildo.
Onze nomes.
Onze trajetórias de vida.
Interrompidas.
Pela violência de um Estado que deveria protegê-las.
Onze famílias que, desde a madrugada dos dias 11 e 12 de novembro de 2015, choram o irreparável: a perda de um filho, de um companheiro, de um amigo, de um irmão.
O acontecimento, que conhecemos como “Chacina do Curió”, a maior chacina do Estado do Ceará, demarca o início de uma jornada que traz muita dor para os familiares e amigos das onze vítimas. A luta pela reparação, pela memória e por justiça. O embate com um Estado que mata e se nega a responsabilizar-se por isso.
O início de uma mobilização coletiva, o movimento de mães e familiares do Curió, que incessante e cotidianamente transforma o luto em luta.
Por eles. Pelos afetos pulsantes, pela memória dos onze.
Para que também nenhum a mais morra pela mão violenta do Estado.
Para que nenhuma outra mãe chore pela morte do seu filho.
O amor por cada uma das vítimas resiste às tentativas perversas de culpabilização dos assassinados, de silenciamento dos que ficaram e de apagamento da história. São seis anos de dor e de luta. Jamais serão esquecidos.
Nov 18, 2021
1 hr 18 min

Nesse episódio, continuamos nossa conversa com Daniel Iberê e Leonardo Soares sobre questões indígenas dentro da realidade atual. Assim, essa é a segunda parte de uma série de dois episódios dedicados ao tema. Então, caso você não tenha escutado a parte u, abra o feed do presentemente e dê play no episódio anterior, para não perder nenhum detalhe dessa rica discussão.
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Aug 19, 2021
52 min

Com mais de 800 mil pessoas distribuídas por 256 povos, falando mais de 150 línguas diferentes, os povos indígenas apresentam uma grande história de luta frente aos processos de colonização desde que os primeiros europeus chegaram aqui, mostrando, para além de um mosaico de culturas complexas e extremamente ricas, um imenso poder de resistência contra um poder colonial que desejava seu genocídio. E atualmente, apesar de grandes mudanças apresentadas pelo processo de redemocratização, muitas questões ainda se mantém, de modo que as populações indígenas ainda têm que enfrentar um conjunto enorme de ataques e vulnerabilidades, ao mesmo tempo que buscam reivindicar a proteção de seus territórios e a manutenção dos seus costumes frente a ameaças de um capitalismo predatório e racista, como se observa em casos recentes, como o escândalo dos pensionatos no Canadá ou, no caso do Brasil, a volta do atual PL 490, que representa uma enorme ameaça não só para todos esses povos e nações, mas também para a própria preservação dos nossos ecossistemas. Esse episódio é a primeira parte de uma conversa que tivemos com Daniel Iberê e Leonardo Soares. Vocês poderão escutar a segunda parte dessas discussões no próximo episódio. Nessa conversa, falamos sobre todas essas questões que estão afetando e ameaçando inúmeras vidas e culturas no Brasil. Afinal, quais seriam os impactos do PL 490 para os povos indígenas?Quem são todos esses povos que por muito tempo foram reduzidos ao estereótipo do "índio"? E como nós poderíamos pensar as resistências e as relações de poder que circundam as cosmologias desses povos e um capitalismo cada vez mais destrutivo e predatório? Além disso, nós conversaremos um pouco sobre como se deram e estão se dando as formas de resistência contra todas essas ameaças.
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Aug 13, 2021
33 min

É julho de 2021 e, a nível mundial, estamos vivenciando os jogos olímpicos, momento que propicia, além das competições esportivas, a aproximação entre diversos povos e culturas, podendo ser um pano de fundo para que problemáticas, como a apropriação cultural, surjam. Recentemente, por exemplo, vimos a internet dividindo opiniões sobre a "homenagem" feita pelo programa Encontro, da Rede Globo, ao Japão, país que está sediando as competições. Na ocasião, uma das apresentadoras utilizou um kimono, dividindo a opinião de internautas: seria ou não mais um caso de apropriação cultural? Nos últimos tempos, casos como esses têm gerado debates semelhantes. Afinal, pode ou não pode uma pessoa branca utilizar tranças? Pode ou não pode uma pessoa não-indígena utilizar elementos típicos das diversas culturas indígenas? Para além do debate de ser permitido ou não, pois não nos compete essa possível proibição, hoje conversaremos sobre os diversos significados que formatam a definição de apropriação cultural, fenômeno tão antigo quanto as colonialidades mas que, como tais, se atualiza, atuando em um movimento de apagamento de diversas culturas, historicamente entendidas, pela racionalidade branca e europeia, como inferiores. Mas não é só sobre isso... No decorrer desse episódio também abordaremos possibilidades de resistência e contraprodução aos malefícios gerados pela lógica colonial e a apropriação cultural, pensando possibilidades de atuação e reflexão para pessoas racializadas e brancas.
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Jul 29, 2021
50 min

Art(e)culações de periferias em pauta. Um (semi)círculo em torno de um “microfone aberto” é criado. Práticas poéticas se movem entre redes de afetos. O que pode um corpo que transita entre rachaduras de uma cidade que se desfaz e se refaz em rolezinhos que pixam, grafitam, pulam, dançam, cantam, protestam e passam? Em torno da “vitrola livre”, o corpo faz passinho, fissurando o corpo-abordado, antes fixado numa pose subserviente pela mão do Estado, que enquadra ao pé da parede. O corpo-break põe o mundo de cabeça para baixo. As hierarquias são desfeitas e ninguém precisa se inscrever para partilhar uma poema no sarau. O salão é a rua, o quintal, a praça, a pista de skate, o bar. A métrica e a rima são eventos cotidianos. A insurgência é a coletividade levantada contra muros e catracas. O abridor de amanhecer concebe mundos pela lembrança de amores, no desejo de um encontro, no fazer de uma festa. O corpo-cidade é um corpo-festa. Mas é preciso abandonar o olhar que vê de cima e se misturar entre a multidão que caminha para praticar essas multiterritorialidades. As bibliotecas comunitárias de iniciativa popular, assim como o movimento de saraus nas periferias, articulam-se e produzem cenas literárias, poéticas, festivas e políticas. Neste episódio, falamos sobre “arte e periferias urbanas em pauta”, tematizando as periferias como pauta nas trajetórias coletivas e artísticas de Talles Azigon, Má Dame e Laís Eutália. Além disso, realizamos algumas considerações sobre arte e política em pauta e sobre re-existências em rede em tempos de pandemia.
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Estamos de volta!!!!
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Jul 8, 2021
1 hr 16 min

Neste episódio extra, os nossos editores Matheus Leite e Renan Braga relatam sua experiência com a promoção de saúde mental entre jovens das comunidades que compõem o Grande Bom Jardim, em Fortaleza, a partir de diálogos sobre o momento de isolamento social. Essa produção foi resultado da submissão de um podcast ao JUBRA – Simpósio Internacional sobre a Juventude Brasileira, que decidimos compartilhar com vocês. Lembramos que o PRESENTEMENTE retornará em breve para sua segunda temporada.
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Oct 27, 2020
11 min

Neste ano comemoramos 30 anos da construção do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), um ganho histórico que reconheceu crianças e adolescentes enquanto sujeitos de direitos. Paralelo a isso, entramos em outubro, o mês em que se comemora o "dia das crianças", momento que somos bombardeados de propagandas que aludem essa data. Utilizamos esse cenário para discutir e repensar sobre Infâncias no Brasil. Seria a infância um modelo único de ser vivenciado, como balisou diversos discursos formatados a partir dos saberes da medicina, psicologia e outros? Seria essa uma fase a ser superada? Um momento anterior ao adulto? Uma fase não-evoluída? Um momento que representa um "vir-a-ser" e que, portanto, não é? Não há infância, há infâncias, modos de ser e estar no mundo atravessados pelos diversos fluxos que os compõem. Movimentos singulares de acessar o mundo que se diferencia do que se entende enquanto adulto, mas que não é inferior. Quando falamos sobre Infâncias, entendemos também que há marcadores diferentes que atravessam os vários modos de ser criança nos dias de hoje, sobretudo no Brasil, como a raça, classe e gênero. Em um país que vivencia desmontes típicos do que Mbembe chama de necropolítica, quais são os movimentos por aqui que atuam na contramão de garantias de direitos de crianças e adolescentes? E como, nesse cenário, tem-se resistido, reinvetando, e criado fissuras a partir de pesquisas e ações que atuam na contramão dessas políticas de morte?
Neste último episódio da nossa primeira temporada somos convidados, junto com Érica Atem e Renan Dias, a pensar e repensar sobre os discursos criados sobre AS crianças, e nesse movimento pincelar estratégias sobre pistas de atuação COM crianças.
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Oct 8, 2020
1 hr 7 min

Questões que envolvem gênero e sexualidade existem desde que entende-se a sociedade como um coletivo que produz cultura. Dentro disso, normas e padrões a serem seguidos vêm sendo estabelecidos e perpetuados ao longo dos séculos, em que debates acerca disso tomam forma principalmente a partir da era moderna. Nesse contexto, de que forma garantimos espaços para questionar essas normas e subvertê-las? O que entendemos por relações amorosas e por identidade e modo de ser e estar no mundo? Apesar de contratos sociais serem feitos e assinados desde muito tempo, definindo casamentos e formações familiares, os debates que tensionam essas noções são algo mais recente. Por isso, estamos aqui hoje para discutir como vivências LGBTQIA+ subvertem continuamente um padrão cis-heteronormativo. Neste episódio, recebemos Stefany Mendes, Ma Njanu e Dalgo Silva, três convidades que contrapõem essas diversas normas e formas de violência sociais pelo simples fato de existirem e de afirmarem seus corpos, suas subjetividades e suas artes como resistência. Ao longo dessa gravação, vamos perpassar diferentes narrativas, entendendo como cada uma se coloca no mundo e explicitando algumas definições e conceitos para nos ajudar a compreender e pensar a importância de outras alteridades, problematizando também seus percalços, como a LGBTfobia.
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Sep 25, 2020
54 min

O que é uma periferia? De onde vem essa pergunta circunscrita, fechada, homogênea e objetificadora? Existe uma periferia? Existe um estar à margem? Se sim, à margem do quê ou de quem? Podemos pensar a produção de territorialidades e extraterritorialidades como processo. Sendo assim há periferizações porque há centralizações, padronizações e normatizações do viver. O universal seria um ponto inalcançável pela maioria numérica, tornada minoria política. O centro seria o trono do mundo que torna todes que não o habitam objetos de seus fetiches e de suas violências. Não existe uma periferia. Há pe-ri-fe-ri as. Elas fabricam o pão que o centro come, o teto que o cobre, a roupa que o veste, os adereços que o adornam, a música que o embala, a arte que o eleva. Mas não façamos romantizações, pois, inspiração mbembiana, são o sem corpo, o sem lar e o sem estatuto político. A periferização do mundo não contava com os giros, ou contava. O centro é branco, é cis, é hétero, é patriarcal, mas não quer ser nomeado. Ele conta as periferias como se fossem números. As periferias são estéticas, éticas, políticas, elas contam histórias. O centro empurra sua língua oficial goela abaixo, não quer ser identificado na disputa das palavras. As palavras são máquinas de guerra, os saraus nas periferias, aquilombamentos. Há palavras que, quando acionadas, disparam capturas. Há palavras que, quando germinadas, tecem encontros, são as palavras libertas nos microfones abertos. As palavras no coração da vida re-existem poeticamente. As palavras que pulsam e atravessam os tempos e os mares. As palavras que não silenciam opressões, mas que não esquecem de criar mundos.
Texto: Dalgo Silva.
Nesse episódio conversamos com Talles Azigon e Rômulo Silva sobre os diversos sentidos, afetos e significados do que se nomeia "periferia" e as criações inventivas produzidas nos diversos contextos periféricos como ferramentas de identidade e resistência.
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Sep 10, 2020
1 hr 3 min
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