Berthier Ribeiro-Neto foi o funcionário nº 1 do Google no Brasil e liderou por 19 anos a engenharia da big tech no país, ajudando a transformar Belo Horizonte em um dos polos globais de tecnologia da companhia. Depois de uma trajetória que combina pesquisa, empreendedorismo e escala mundial, ele voltou ao ecossistema de startups em 2024 como CTO da Ume, fintech de crédito para o varejo.
O executivo é o convidado desta semana do podcast MVP, com Gustavo Brigatto, fundador do Startups, onde conversaram sobre os impactos da inteligência artificial para os negócios, incluindo para o Software as a Service.
"A gente tem que separar a tecnologia do discurso exagerado. A IA generativa é altamente disruptiva. Esse discurso de que Software as a Service acabou... depende. Tem muito software que está entranhado no negócio e não vai ser removido facilmente. Tem software que não é tão essencial. Essas empresas que vendem software que são complementos, acho que estão em risco sim", disse Berthier.
Para ele, no entanto, existe um desafio que as empresas de SaaS vão precisar enfrentar: "Ou você incorpora a tecnologia e passa a prover um serviço enriquecido com a tecnologia, ou você vai ficar para trás".
Durante o bate-papo, o CTO da Ume também falou sobre a incorporação de inteligência artificial à rotina da companhia, e os desafios que envolvem treinamento dos modelos e um período de adaptação. No fim das contas, porém, ele acredita que o saldo da adoção de IA à rotina corporativa é positivo.
"Tem que usar a tecnologia para criar produtos que você não criaria se não fosse a tecnologia. O mundo daqui a 10, 15, 20 anos, as pessoas vão estar fazendo coisas que a gente sequer imagina. A pergunta que nós estamos nos fazendo é: o que as pessoas vão estar fazendo no mercado de crédito?".
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