Sozinha de si
Sozinha de si
Mayra Abbondanza - Ghostwriter
Histórias silenciadas de mulheres despedaçadas, contadas anonimamente, para cuidar de todas de uma vez. Quantas histórias são silenciadas porque não há coragem para contar? Quantas mulheres poderiam estar se apoiando, se soubessem o que estão vivendo? Escrever sobre traumas dá a chance de resignificá-los, dando à história um outro final. Mas como poder contar histórias sem cortes, para construir uma rede de apoio, sem precisar expor nenhuma mulher ou suas famílias? ANONIMAMENTE! O processo é blindado e ninguém saberá quem você é. Mande sua história para mim 📥 [email protected]
#6 - Sentir sem eco -
Quando eu tinha por volta de oito anos de idade, eu e os meus irmãos vimos o mar pela primeira vez. Nossas viagens em família eram raríssimas, porque para o meu pai não existiam férias. Lembro da minha sensação ao ver a imensidão do mar e não ter um adulto com quem dividir o êxtase que senti, embora os meus pais estivessem lá. Eles eram tão sem traquejo ou habilidades sentimentais que, mesmo sabendo que não conhecíamos o mar, não conseguiram acolher ou compartilhar das nossas emoções. O meu sentir geralmente era solitário, introjetado e vivido em silêncio pelo lado de dentro. Meus sentimentos vinham para mim como uma língua diferente, que tentavam sem sucesso emergir dos meus poros, e que eu não conhecia. Eu nunca escutei meus pais falarem sobre a capacidade de sentir. Era algo só meu? A minha infância passou por mim sem que eu tivesse tido oportunidade de dominar essa língua estranha, de sensações espontâneas, incontroláveis, de um corpo que fala sem emitir sons. A infância e também a adolescência foram marcadas por um sentir incompreendido, sem eco, que não tinha possibilidade de transbordar e ser decodificado. Era um sentir autodidata e ermitão, de uma única sobrevivente de um naufrágio. Minha autoimagem era murcha, e não era culpa do espelho. Era interno.  Eu gostaria de voltar lá e dizer para aquela menina que ela não passaria a vida toda sozinha no seu sentir. Ela aprenderia a amar sua própria companhia e incentivaria outras mulheres a fazerem o mesmo.  Ela encontraria seus pares, e seriam muitos: amigos, mestres, filhos, netos.  Ela iria florescer, com muitas flores e frutos! #ghostwriter #sozinhadesi #historiasanonimas #rededemulheres #escrita #cura #abuso #vulnerabilidade #generosidade Lembrando que o Podcast Sozinha de si é um projeto de acolhimento através de histórias anônimas, manda a sua história pra mim: [email protected] Você também pode me mandar a sua história através de um audio, diretamente por aqui, o link está abaixo. --- Send in a voice message: https://podcasters.spotify.com/pod/show/maabbondanza/message
May 13, 2024
2 min
#5 - A fresta -
Entre meus 12 e 16 anos, todos os dias na hora de dormir, começava o meu pavor. Ainda que não fosse ao meu quarto naquela noite, eu antecipava o medo que poderia me congelar novamente.  Eu dormi terrivelmente mal por 4 anos. Eu morava com o inimigo, e ninguém sabia. Acordava várias vezes durante a noite, pois a qualquer momento poderia acontecer a fresta.  A fresta da porta, que ele abria silenciosamente, e aquele maldito faixo de luz amarela, que junto com ele invadiam o meu quarto.  Houve algo perversamente terno, e essa delicadeza só aumentava as minhas dúvidas. Eu fingia dormir, para ver se ele desistia, mas ele me tocava até eu acordar. Muito delicadamente. Em câmera lenta. Por cima da roupa. De um corpo virgem e em transformação, de 12 anos da sua própria filha.   Quando eu via a fresta se abrindo, eu me perguntava:  Minha camisola está cobrindo tudo? Finjo que estou dormindo ou me cubro mais? Ele sentava na cama, e eu ficava completamente imobilizada, já sabendo o que ia acontecer. Eu sentia PAVOR, e desejava desesperadamente que ele não viesse.  Ele nunca foi bruto, mas eu me sentia sem poder. Eu ficava paralisada, não me mexia, não fazia barulho, não falava, ficava absolutamente petrificada. Ele não ficava muito tempo, e nunca deitou.  No começo eu tive muitas dúvidas.  O que está acontecendo? Por que acontece? Pode?  Eu que provocava aquele absurdo? Posso gritar, será? O que aconteceria?  Será que eu seria injusta se reclamasse de tanto carinho e atenção?  Eu queria poder voltar lá e abraçar aquela adolescente. Eu gostaria de acreditar que voltar lá, fazer um cafuné e dizer pra ela dormir tranquila, seria suficiente. Mas não sou eu que volto. É ela que vem comigo e me acompanha até hoje.  É um óculos através do qual a gente olha a vida juntas.  Não tem futuro que não tenha esse passado, e o que me move pra frente é saber que eu nunca abandonei ela e nem ela a mim.#ghostwriter #sozinhadesi #historiasanonimas #rededemulheres #escrita #cura #abuso #vulnerabilidade #generosidade Lembrando que o Podcast Sozinha de si é um projeto de acolhimento através de histórias anônimas, manda a sua história pra mim: [email protected] Você também pode me mandar a sua história através de um audio, diretamente por aqui, o link está abaixo.  --- Send in a voice message: https://podcasters.spotify.com/pod/show/maabbondanza/message
May 6, 2024
3 min
#4 - O vôo da borboleta -
O conto de fadas para mim era casar, ter filhos, e ser fiel - até que a morte nos separe. Esse era o certo e o resto era errado, pecado. Essa era felicidade prometida.  Eu coube nesse padrão por um tempo. Eu casei apaixonada, minha rotina de casada era confortável e me dava status.  Estava feliz brincando de casinha com direito a fazer comidinhas, lavar e passar a roupa do príncipe encantado. Podia transar sem sentir culpa, tinha um carro só meu, e podia chegar tarde em casa porque estava junto com o meu guarda costas. Para pagar as contas era só dar um cheque, sem nem precisava anotar o valor, pois ele fazia tudo e mais um pouco pra ter o controle de tudo. Eu adorava! Eu assumia um lugar de inferioridade e permissividade porque me interessava, não tinha que brigar por coisas que eu julgava pequenas e quando eu realmente me impunha eu conseguia o que queria. Tinha momentos em que eu era mimada e retribuía com submissão.  Mas caso eu não fizesse o que as regras absolutas mandavam, a repreensão acontecia. Uma dinâmica bombástica! Tinha preguiça de discutir e em geral deixava as pessoas me conduzirem. Ter um marido era tudo que eu precisava naquele momento, me ajudou a não sentir falta da minha mãe, recém falecida. Ela era pessoa mais doce que conheci. Mas o melhor de estar casada era estar longe do olhar do meu pai, que antes ocupava esse mesmo papel patriarcal. Quando meu pai morreu, muitos anos depois, vivi o primeiro momento de liberdade da minha vida. Nem sabia o que fazer... Aos poucos comecei a não aceitar algumas “ordens" e daí a competição entre o casal se acirrou. Me lembro de olhar pros aviões que passavam e pensar quem seria o felizardo lá dentro indo pra algum lugar bem longe. Tinha um grito abafado em minha garganta. Minha casa se tornou insuportável, tinha uma névoa sombria em cima dela, era fria. Quanto mais eu saia de casa, me interessava por atividades novas, cuidava de minha alimentação, ficava magra, bonita, mais olhares repressores eu recebia dele.  E também tive que lutar contra preconceitos de amigos "que nunca foram”. Isso tudo me sufocou tanto que muitas vezes desejei a morte para terminar algo que eu tinha prometido levar até o fim. Eu não conseguia mais viver esse personagem para a qual fui criada. Queria quebrar esses padrões que me foram impostos, mas era difícil.  Me sentia como uma lagarta dentro do casulo, apertada. Eu tinha recebido desde criança uma lavagem cerebral e não sabia mais pelo que valia a pena lutar.  Não via uma saída que não magoasse a todos, então continuava me magoando. Precisei de muitos anos para descobrir que era uma mulher interessante, que podia ser amada fora desses termos, que era inteligente (não era tonta?), que existia um universo lá fora pra eu desbravar, e que meus filhos iam ficar bem, já eram adultos agora. Eu já estava preparada pra me responsabilizar por mim, por meus atos, minhas decisões. Estava pronta pra errar e acertar, e escolher como viver. Isso era muito poderoso!  Eu gostaria de voltar lá e dizer para aquela mulher, que olhava para os aviões pensando em fugir, que ela acharia o caminho. Que o corte, por pior que pareça, é momentâneo e passa. Depois viria a melhor coisa do mundo: autonomia.  Hoje olho pra trás e sinto orgulho por ter sido corajosa.  Não tenho mais vergonha de mostrar a minha a criança impulsiva, alegre e amorosa que sempre fui. Aquela que não cabia nos padrões e era sempre desconsiderada. Agora ela pode acordar e dormir comigo. Hoje virei borboleta e vôo por aí, de flor em flor, e sei que o pólen que carrego vai germinar.  Isso pra mim é paz. Isso é missão cumprida. #ghostwriter #sozinhadesi #historiasanonimas #rededemulheres #escrita #cura #abuso #vulnerabilidade #generosidade Lembrando que esse é um projeto de acolhimento através de histórias anônimas, manda a sua história pra mim: [email protected] Você também pode me mandar a sua história através de um audio, diretamente por aqui, o link está abaixo.  --- Send in a voice message: https://podcasters.spotify.com/pod/show/maabbondanza/message
Apr 29, 2024
4 min
#3 - A mochila florida -
No escritório eu era menina-mulher brincando de executiva. Usava blazer, mas não sabia nem subir no salto, que afundava no carpete cinza e sem graça.  No começo, pra compensar a monotonia, andava com a minha mochila florida. Antes do início de qualquer reunião com eles, comentavam o quanto eu era nova. Eu respondia, bem-humorada, que eram “minhas bochechas de criança”. Por dentro sentia o nó na garganta, porque sabia da verdade: era a menina com “bochechas de criança” que seria chefe deles em um ano ou dois, por isso o questionamento desconfortável. A reunião se transformava numa aula particular - deles para mim - de qualquer que fosse o assunto. Às vezes até sobre meu próprio trabalho, que eu fazia bem feito todos os dias. Eu era aluna exemplar, ouvia com atenção e calma (até tomava nota). Dentro das salas de reunião, meus comentários eram acompanhados de feições incrédulas e altas gargalhadas. Nos corredores, recebia beijos de longe, com caras maliciosas, apelidos íntimos sem intimidade, de homens com o dobro da minha idade. Era uma quinta-feira à tarde quando o escritório cheio ria de uma piada que brincava com uma mulher que foi espancada por um famoso.  Olhei para a minha mochila, e pensei: acabou. Eu já não usava mais a florida, usava uma preta. Era como se ela tivesse desbotado junto comigo. Me levantei e nunca mais voltei. Mas não acabou aí, tive que revisitar essa mágoa por várias vezes. Me pediram para recontar a minha história para pessoas diferentes da empresa: RH, meus líderes, e como estava num programa trainee que era de grande visibilidade, pediram ate pra eu falar com o CEO e o VP pra eles me convencerem a ficar, mas eu recusei. A cada vez que repetia a história e descrevia o rosto indescritível dos homens que me diminuíam, as lágrimas também iam cessando. Algumas vezes desejei ter inventado qualquer desculpa ao invés de contar a verdade, que me esgotava e me tornava mais fria ao mesmo tempo. Apesar da tristeza que me consumia, não queria parar de sentir raiva e revolta para lembrar de nunca mais me esquecer. Eles diziam que faltou paciência e que eu deveria ter ensinado esses homens a se comportarem, dizer o que eles faziam de errado, já que, por serem de outras gerações, não me entendiam. Ou seja, além de aturar aulas particulares para as minhas bochechas eu teria que agora ser a adulta e madura da relação. Me disseram que eu estava largando uma carreira brilhante por situações pontuais.  Minhas pares e chefes mulheres diziam que, se pudessem, também sairiam.  Me sentia impotente e fraca por não poder ficar pra ajudar e tentar reverter a situação para algumas de nós. Mas com o tempo entendi que o mais importante era conseguir cuidar de mim. Minhas bochechas entregavam mesmo a idade, e eu não conseguia mais crescer ali. Eu gostaria de voltar lá hoje e dizer para essa menina-mulher que ela não estava doida e nem sozinha!  Eu me daria um abraço e diria que só aguentei esse nó na garganta porque me sentia inadequada em reclamar, já que todo o sistema prefere passar pano. Diria pra mim que é importante sempre estar disposta a aprender - mas com quem quiser tro-car, porque ninguém é melhor do que eu. Que de agora em diante não irei tentar me encaixar num lugar onde não caibo inteira. Eu e minha mochila florida. #ghostwriter #sozinhadesi #historiasanonimas #rededemulheres #escrita #cura #abuso #vulnerabilidade #generosidade Lembrando que esse é um projeto de acolhimento através de histórias anônimas, manda a sua história pra mim: [email protected] Você também pode me mandar a sua história através de um audio, diretamente por aqui, o link está abaixo.     --- Send in a voice message: https://podcasters.spotify.com/pod/show/maabbondanza/message
Apr 29, 2024
4 min
#2 - O banho sujo -
Para mim tinha sido uma tarde linda, alegre, em companhia dos nossos melhores amigos, onde rimos, cantamos, brindamos e nos abraçamos. Momentos necessários, que dão leveza ao dia a dia. De repente ele me arranca desse ambiente e me leva para o carro.  O carro tinha regras bem definidas: as dele. Essa era a dinâmica das últimas duas décadas: eu ligava o rádio e ele desligava, e só me deixava ouvir música quando ele já tivesse cansado de falar. Mas nesse dia não teve conversa, e muito menos música.  Assim que entramos no carro, ele se transformou.  Ele gritava, enlouquecido: - “Você não parou de beber, rir e se divertir, se expondo, todo mundo viu, me matou de vergonha!” Num primeiro momento eu murchei, triste, tentando entender o que tinha feito de errado. Aliás, por muito tempo da nossa vida eu me questionei se precisaria amá-lo mais, para quem sabe consertar esse buraco.  Mas, voltemos ao carro. Já num segundo momento de maior consciência, entendi que estava em risco, fiquei muito nervosa e também enjoada, enquanto ele não parava de gritar e a me empurrar, ainda enquanto dirigia. Então, eu vomitei dentro do carro. O que já estava ruim, ficou muito pior: ele perdeu o controle e começou a me xingar, e acelerar o carro para me deixar apavorada.  Eu não sabia se ia apanhar e pensei em me jogar do carro em movimento.  Ao chegar em casa, fui tomar um banho. Tento lembrar da roupa que eu estava usando, mas não a encontro em lugar nenhum da minha memória. Se eu procurar, tenho sim fotos e filme desse dia, da festa com nossos amigos. Mas aquelas primeiras fotos não ilustram o que foi vivido naquela tarde. Começa então a segunda sessão de fotos, a que ninguém quer ver. Ele com o celular começou a me registrar vomitando no banheiro, deitada no box, com a pressão baixa, arrasada e nua. Eternizar esse momento era redefinir o conceito de covardia.  E ele seguia gritando:  - “Vou registrar o estado que você fica e mostrar pros seus filhos e pra sua mãe, você é um horror de exemplo, não sabe se divertir, só me traz desgosto, só me dá vergonha!”  Eu me vi sentada no chuveiro, tentando me refazer da ressaca moral e da violência verbal a que me submetia frequentemente. Eu olhava para a canaleta do box e via a água fluindo para o ralo… Parecia que eu estava derretendo junto com aquele fluxo. Humilhada, não imaginava como fugir do meu sequestrador de almas.  O que eu queria mesmo era voltar lá, naquela cena do banho, para secar aquela mulher.  Eu me colocaria para dormir em segurança, longe dele e de todos os opressores que já me fizeram sentir vergonha de ser autêntica. Longe dos que tentaram me enfraquecer, fazendo com que eu duvidasse de mim.  Eu me abraçaria forte e diria que ninguém no mundo vai me impedir de cantar.  Diria a ele que, em algum momento, se atraiu exatamente por essa espontaneidade e espírito alegre, porque é o que ele não consegue ser.  Que é uma falha dele, e não minha.  E que sim, eu precisaria levantar desse banho - que a cada dia me deixava mais suja - para nunca mais voltar. #ghostwriter #sozinhadesi #historiasanonimas #rededemulheres #escrita #cura #abuso #vulnerabilidade #generosidade Lembrando que esse é um projeto de acolhimento através de histórias anônimas, manda a sua história pra mim: [email protected] Abaixo também há um link para você me mandar um áudio, se quiser pode até gravar e já mandar a sua história diretamente por aqui. --- Send in a voice message: https://podcasters.spotify.com/pod/show/maabbondanza/message
Apr 26, 2024
3 min
#1 - Andar sem certezas -
Para mim foi preciso saber a hora de sair. Sentamos os dois no sofá da sala, que naquele dia parecia um ouriço. Na frente, nossos filhos assustados - ainda que muito mais firmes do que nós - esperando para ouvir o que tínhamos pra dizer. Eu não conseguia respirar, e ele não conseguia falar. Eu sentia a dor do mundo em meu peito, e ele chorava como um menino. As crianças apenas sentiam que algo grande iria acontecer.  Queria voltar lá para explicar para todos que mudaria a forma, mas que estaríamos sempre juntos, de um jeito ou de outro. E que estavam ali para ter aquela conversa por um motivo nobre: merecemos viver em verdade.  Queria voltar lá hoje e dizer para aquele homem, que a mulher sentada do seu lado estava abrindo um espaço que ele saberia ocupar, e que ele iria sorrir muito ainda. Mas nem era necessário dizer nada, porque ele seria acolhido. Todos queriam consolá-lo. O que eu queria mesmo era voltar lá para cuidar daquela mulher.  Eu não tinha recebido abraço de apoio, ou qualquer palavra de encorajamento. Eu estava me arrastando, sozinha de mim, deixando o cais interno sem saber se um dia me encontraria de novo. Mas ninguém viu. Ou se viu, deixou que eu sangrasse. Maldita triste, louca, ou má. Eu me abraçaria bem forte e diria que o quer que eu quisesse era D-I-G-N-O.  Diria que sou mãe, sim, mas que antes disso era eu.  Que encontraria um jeito de honrar todas as escolhas antigas, sem anular tudo o que eu queria viver sem ele. Que aprenderia a andar sem certezas.  Eu cochicharia no meu ouvido que estava prestes a mostrar aos meus filhos o valor maior: sempre dá pra recomeçar. #ghostwriter #sozinhadesi #historiasanonimas #rededemulheres #escrita #cura #abuso #vulnerabilidade #generosidade Sozinha de si é um projeto de histórias silenciadas de mulheres despedaçadas, contadas anonimamente, para cuidar de todas de uma vez. Mande a sua história para mim 📥 [email protected] Abaixo também há um link para você me mandar um áudio, se quiser pode até gravar e já mandar a sua história diretamente por aqui. --- Send in a voice message: https://podcasters.spotify.com/pod/show/maabbondanza/message
Apr 25, 2024
2 min
Como participar?
Se você quer participar do nosso podcast Sozinha de si, vou te explicar como funciona! Primeiramente, obrigada pela generosidade em compartilhar sua história, não é fácil voltar para um lugar onde fomos feridas. Aqui você está segura, ninguém vai expor o seu nome e nem vai saber quem é a autora da sua história - exceto eu. Não quero que se preocupe com o formato do texto, para isso que estou aqui. Serei a sua ghostwriter e editora, vamos trabalhar juntas no seu texto, que só será publicado com a sua autorização. Se em algum momento do processo você quiser parar, ou não estiver confortável, é só avisar. A ideia é promover um processo de cura, não só para quem lê, mas também para quem escreve. Tome o seu tempo, e vá no seu ritmo. Ao contar a sua história tente descrever, com detalhes, o lugar onde está: as cores, cheiros, gostos. Os objetos que vê em volta. Se lembrar de algum detalhe da sua roupa, por exemplo. Se sonhou naquele dia. Se rezou. Se ouviu alguma música. Se pensou em sumir. Não tem nada mais poderoso do que um relato real e próprio. Tente fazer com que as suas leitoras se imaginem lá com você. É legal escrever em primeira pessoa, para se aproximar das leitoras. Pode usar “eu fui, eu vi, eu senti”… Na hora de editar iremos dividir o texto em duas partes: o começo fala da dor, da etapa em que você estava despedaçada. O final fala de conforto, é a etapa em que vamos cuidar daquela mulher ferida, descrevendo o que faríamos se pudéssemos voltar lá para ajudá-la. É como se o texto descesse para um buraco bem fundo e depois voltasse à superfície. O processo que normalmente acontece é eu receber o seu texto e voltar para você com mais perguntas, para aprofundar. Então a gente vai alinhando, aos poucos, e termina escolhendo uma foto para representá-lo. Se você não gosta de escrever pode gravar áudio ou então eu posso entrevistar você. Estamos aqui para construir esse processo juntas. Eu também me sinto segura com você. #ghostwriter #sozinhadesi #historiasanonimas #rededemulheres #escrita #cura #abuso #vulnerabilidade #generosidade Sozinha de si é um projeto de histórias silenciadas de mulheres despedaçadas, contadas anonimamente, para cuidar de todas de uma vez. Mande a sua história para mim 📥 [email protected] Abaixo também há um link para você me mandar um áudio, se quiser pode até gravar e já mandar a sua história diretamente por aqui. --- Send in a voice message: https://podcasters.spotify.com/pod/show/maabbondanza/message
Apr 25, 2024
2 min
O que é Sozinha de si?
Quantas histórias são silenciadas porque não há coragem para contar? Quantas mulheres poderiam estar se apoiando, se soubessem o que estão vivendo? De acordo com Julia Cameron - autora e bestseller de “O caminho do artista” - temos o cérebro lógico e o cérebro artista, e quando escrevemos, somos capazes de driblar o cérebro lógico, colocando no papel coisas que não sairiam da gente se não fosse por escrito.  Escrever sobre traumas dá a chance de resignificá-los, dando à história um outro final.  Mas como poder contar histórias inteirinhas sem cortes, para construir uma rede de apoio, sem precisar expor nenhuma mulher ou suas famílias?  ANONIMAMENTE. É provado em terapias diversas que é extremamente efetivo que voltemos - de maneira figurada - no diálogo do trauma, e possamos trazer conselhos atuais e acolhimento para aquela mulher que ficou marcada pelo passado.  Criamos um piloto com 4 histórias verídicas e anônimas, para ilustrar o formato. As histórias são escrita por Mayra Abbondanza, que atua como ghostwriter, sempre com o intuito de voltar no tempo para curar a mulher que vivenciou a história, com palavras sensíveis e doces, dela para ela mesma. O processo todo é blindado, ninguém saberá qual a verdadeira autora da história.  Nossa história é importante, e pode ser tudo que alguém precisa ouvir.  Vamos juntas!  #ghostwriter #sozinhadesi #historiasanonimas #rededemulheres #escrita #cura #abuso #vulnerabilidade #generosidade Sozinha de si é um projeto de histórias silenciadas de mulheres despedaçadas, contadas anonimamente, para cuidar de todas de uma vez. Mande a sua história para mim 📥 [email protected] Abaixo também há um link para você me mandar um áudio, se quiser pode até gravar e já mandar a sua história diretamente por aqui. --- Send in a voice message: https://podcasters.spotify.com/pod/show/maabbondanza/message
Apr 24, 2024
1 min