
Muita gente acha que o digital é imaterial, que a nuvem fica flutuando por aí, mas os bits ocupam um espaço físico enorme e afetam a população. Gigantes da tecnologia como Google e Microsoft escolhem estrategicamente regiões com água e energia baratas, leis ambientais fracas e pouca fiscalização para instalarem seus data centers, estruturas que guardam todas essas informações.
No 3º episódio do arco “Realidade Distorcida”, Cintia Pudim, Vinicius Seixas e Brendo Marinho discutem como esses data centers têm afetado a população no entorno deles, por que o Brasil virou a bola da vez para os Data Centers de IA e se estamos caminhando para a soberania ou para um novo colonialismo digital.
>>> LEIA MAIS: PUDIMCAST #29 – A REALIDADE INVENTADA PELA IA <<<>>> LEIA MAIS: PUDIMCAST #30 – A DISTORÇÃO DA ERA DIGITAL <<<
2. Data centers
Data centers podem ser definidos como diversas CPUs, conectadas uma a uma e funcionando em cadeia. É como ter um computador monstruoso que precisa abrigar, basicamente, a internet dentro dele.
Esses data centers são conhecidos por alterarem, de forma drástica, a vida das pessoas que moram perto dessas estruturas. O que pouca gente imagina é que o impacto vai muito além de um simples galpão na vizinhança: estamos falando de consequências reais para a saúde física e mental, além de sérios danos ao meio ambiente local.
>>> LEIA MAIS: COMO FUNCIONA UM DATA CENTER (G1) <<<
O primeiro grande vilão é a poluição sonora. Não é só um barulho que acontece de vez em quando, mas sim algo que está sendo chamado de “zumbido de data center” — um ruído grave, contínuo e de baixa frequência, gerado 24 horas por dia por gigantescos sistemas de refrigeração e ventiladores. Relatórios de organizações como o Sierra Club apontam que o som perto dessas estruturas pode alcançar os 90 decibéis. Em locais com alta concentração de data centers, como no estado da Virgínia (EUA), vizinhos relatam que esse zumbido ininterrupto penetra nas paredes, causando distúrbios crônicos de sono, dores de cabeça constantes, vertigem e até aumento da pressão arterial, além de serem chatos pra cacete. Esse é um incômodo similar ao das turbinas eólicas, que virou manchete alguns anos atrás quando foram instaladas no Brasil, perto de locais habitados.
Outro ponto de forte impacto é a poluição luminosa. Por questões de segurança e operação contínua, os pátios e arredores dessas instalações permanecem intensamente iluminados durante toda a madrugada. Como destaca a National Wildlife Federation, essa “noite que nunca chega” invade as janelas das casas vizinhas, destruindo o relógio biológico natural — o chamado ciclo circadiano —, o que gera um profundo mal-estar crônico nos moradores, além de desorientar a fauna local.
E, por fim, a questão da poluição do ar e da água. O termo “espalhar poluição” não é força de expressão. Para garantir que os servidores jamais desliguem, os data centers dependem de dezenas de geradores gigantescos movidos a diesel para emergências. De acordo com análises do World Resources Institute (WRI), a queima contínua e os testes desses geradores liberam materiais sólidos e gases tóxicos diretamente na comunidade, agravando casos de asma e doenças respiratórias. Isso sem contar a água: um único complexo de servidores pode consumir até 18 milhões de litros de água potável por dia só para não superaquecer, colocando em risco o abastecimento de cidades inteiras.
Aqui, é preciso fazer um parêntesis entre os tipos de data center: os de nuvem e os de treinamento de IA:
Os data centers de armazenamento em nuvem são responsáveis por armazenar dados, são estruturas gigantescas que armazenam bits das nossas vidas digitais, como as fotos que tiramos e nossos emails;
Já os data centers de treinamento de IA, como o próprio nome diz, são responsáveis por treinar os modelos de linguagem, utilizando tecnologia de ponta com chips modernos que acabam esquentando mais, por isso, exigem um sistema de resfriamento mais robusto que os data centers de nuvem.
Nesse episódio, focamos mais nos data centers de treinamento de IA.
Em um estudo de 2025, o IDEC investigou casos reais no Chile, México, Uruguai e Brasil, expondo um padrão alarmante para a instalação desses data centers: comunidades ficando sem água, contas de luz mais caras e projetos aprovados sem consulta à população. Essa dinâmica tem nome: colonialismo digital, mas vamos falar disso um pouco mais pra frente. Antes, vamos tentar entender o tamanho desse problema.
>>> LEIA MAIS: ESTUDO DO IDEC SOBRE DATA CENTERS <<<
No fim de 2023, quando a IA já estava ganhando força e ficando cada vez mais acessível, já existiam cerca de 12 mil data centers no mundo e esse número aumentou exponencialmente. No Brasil já foram instalados alguns data centers, sendo que o maior da América Latina fica em Vinhedo (SP), com quase 50 mil m².
Mas é claro que, para instalar essas estruturas monumentais, nos vendem a ideia de que aquilo ali vai gerar milhares de empregos, desenvolver a região e atrair talentos, mas o boom de data centers de IA, na verdade, é um “fracasso” na criação de empregos; a média é de apenas 30 a 100 funcionários permanentes, mesmo que sejam empregadas milhares de pessoas durante as obras. Como o trabalho é quase todo automatizado, as equipes são enxutas. Ou seja, os empregos que são criados de verdade são apenas temporários e para serviços pesados de construção civil. Na maioria das vezes, os profissionais que trabalham diretamente nos data centers, nem são da região. São importados de outros locais e até mesmo de outros países.
3. Inteligência “Sedenta”: O Custo de Cada Prompt
A IA generativa não é apenas cara; ela é um ralo de recursos naturais. Com o uso constante desses equipamentos, é necessário que tanto o sistema elétrico quanto o de resfriamento funcionem de forma ininterrupta, fazendo com que muitos desses locais tenham seus próprios geradores e subestações de energia.
➡ Fome de Energia: Uma única consulta ao ChatGPT consome quase dez vezes mais energia (2,9 Wh) do que uma busca comum no Google (0,3 Wh) (Goldman Sachs/Revista Fapesp).
➡ Água por Pergunta: Uma conversa com 20 a 30 perguntas para o ChatGPT consome cerca de 500 ml de água para resfriamento (Revista Fapesp). O treinamento do GPT-3 sozinho pode ter consumido 700 mil litros de água potável (Revista Fapesp). Mesmo quando o sistema de resfriamento reutiliza a água, em determinando ponto ela estará tão cheia de sais e minerais que a única saída é descartá-la, tornando imprópria para qualquer tipo de uso. Em 2025, a estimativa era que, apenas o ChatGPT, possuía 400 milhões de usuários semanais.
➡ Emissões Reais: Há evidências de que as emissões reais das Big Techs podem ser até 662% maiores do que o declarado oficialmente em seus relatórios (The Guardian/Idec), mostrando que, aquilo ali que parece tão inocente, que tá no teu bolso, está contaminando — e muito — o planeta.
4. Brasil no Alvo: Entre o Progresso e o Retrocesso
Recentemente, o país passou a atrair investimentos bilionários para a construção de data centers, com a promessa de “soberania digital”. Soberania digital refere-se ao controle sobre ativos digitais, incluindo dados, software, hardware e infraestrutura. Isso significa que, trazendo esses data centers para cá, o país seria, por assim dizer, donos de tudo, mas a verdade tende a ser bem diferente disso.
“AI City” de Eldorado do Sul (RS)
➡ A “AI City” de Eldorado do Sul (RS): O projeto da Scala Data Centers prevê consumir 4,75 GW de energia — mais do que todo o estado do Rio de Janeiro consome ou do que a usina de Jirau gera (Idec). Eldorado do Sul, para quem não sabe, foi uma das cidades mais castigadas pela enchente de 2024 que assolou o Rio Grande Sul, e mais de 80% das casas ficaram debaixo d’água, deixando cerca de 30 mil pessoas desalojadas. Mas é claro que o futuro data center não será afetado por esse tipo de intempérie, pois o terreno comprado, com área total de 3,5 milhões de metros quadrados, equivalente a 540 campos de futebol, está localizado numa parte mais alta da cidade. É estimado que esse data center tenha capacidade de consumir a energia equivalente a todo o estado do Rio de Janeiro.
➡ TikTok no Ceará: Um projeto baseado em Caucaia (CE), com custo inicial de R$ 55 bilhões, foi licenciado como “construção civil” na mesma categoria de parques de vaquejada, ignorando o impacto ambiental. Esse data center da ByteDance, a empresa chinesa por trás do TikTok e Capcut, terá capacidade inicial de 200 MW de processamento, tornando-se o maior data center (ou seja, de um único cliente) do Brasil. Ele também será o primeiro voltado para a exportação – os dados processados aqui serão referentes a usuários de outros países. A escolha pela região se deu por conta da proximidade com cabos submarinos de internet, que aceleram a velocidade de transmissão. Por falar em exportação, esse data center está localizado em uma ZPE.
➡ A “Picaretagem” das ZPEs: ZPE é Zona de Processamento de Exportação, área voltada para a indústria e para exportação, com incentivos fiscais e regulações diferenciadas para atrair empresas; atualmente, existem quatro ZPEs no Brasil. A Medida Provisória 1.307 permite que data centers se instalem nessas zonas com com isenção fiscal massiva, exportando serviços e “nacionalizando” os impactos ambientais (Idec).
>>> LEIA MAIS: PROJETO DE DATA CENTER BILIONÁRIO EM ELDORADO DO SUL (INTERCEPT) <<<
5. Regulação ou Liberdade Geral? O Debate no Congresso
Mas nem tudo está perdido, ainda. Existe uma contraparte que está lutando para que o Brasil não vire uma colônia digital.
➡ PL 414/2026: Propõe normas rigorosas, como a proibição de data centers a menos de 1 km de áreas residenciais, escolas ou comunidades tradicionais (Câmara dos Deputados). Dessa forma, pretende-se assegurar que a população esteja protegida dos impactos sócio-ambientais dessas estruturas.
➡ Exigência de EIA/RIMA: Diferente da tendência atual de licenciamento simplificado, novas propostas pedem Estudo de Impacto Ambiental obrigatório para Data Centers de Grande Porte (Câmara dos Deputados). Até então, os estudos ou não existem ou são completamente ignorados.
➡ Soberania vs. Dependência: Críticos alertam que apenas hospedar dados no Brasil não garante soberania se o controle da infraestrutura continuar nas mãos de empresas estrangeiras sujeitas a leis externas (ARTIGO 19). A própria ByteDance passou por um processo nos EUA que tinha como objetivo a venda do TikTok para uma empresa americana. Em janeiro desse ano, o processo foi concluído com a vendas das operações nos EUA para empresas estadunidenses. A nova empresa criada, um consórcio que envolve até a Oracle, gerencia a moderação de conteúdo e dados dos usuários americanos, enquanto o TikTok global continua responsável por marketing e comércio eletrônico.
>>> LEIA MAIS: A POLÍTICA DE DATA CENTERS NO BRASIL (ARTIGO 19) <<<
5. O Peso da Nuvem
A realidade distorcida também é ambiental. O digital não é “limpo”; ele tem cheiro de metal, consome rios e depende de mineradoras no Sul Global (Idec). Soberania digital não se faz apenas atraindo investimento, mas garantindo que a tecnologia sirva à justiça climática e social, e não apenas ao lucro de poucos.
Para refletir:
Vale a pena subsidiar empresas bilionárias enquanto 33 milhões de brasileiros não têm acesso à água potável? (Idec).
Se faltar luz ou água, quem vai ser cortado primeiro: a casa do cidadão ou o servidor da IA? (Idec).
A IA é realmente “inteligente” se ela depende de uma cadeia extrativista degradante para funcionar? (Idec).
Estamos trocando nossa água e energia barata por uma “soberania” que, no fim, pertence às Big Techs? (ARTIGO 19).]
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Jun 21
1 hr 36 min

As redes sociais estão interferindo na nossa vida de formas que ainda não entendemos totalmente. Se antes era um local para nos conectarmos aos nossos amigos e familiares, hoje viraram vitrines de vida perfeitas, com diversos links para compra de produtos e vídeos rápidos que estão “apodrecendo” os cérebros dos usuários (fenômeno conhecido como brain rot). Mas nós conseguimos largá-las?
No 2º episódio do arco “Realidade Distorcida”, Cintia Pudim, Vinicius Seixas e Brendo Marinho discutem esse assunto em uma conversa honesta onde tentam entender como tecnologia, algoritmo e comportamento humano estão se misturando de um jeito, no mínimo, preocupante.
>>> LEIA MAIS: PUDIMCAST #29 – A REALIDADE INVENTADA PELA IA <<<
2. Redes Sociais e a Fadiga da Performance
Quando as redes sociais surgiram, elas foram vendidas como espaços de conexão. Lugares para manter contato, compartilhar experiências, encurtar distâncias, conhecer pessoas novas. A promessa era simples: aproximar. Mas, em algum ponto do caminho, isso deixou de ser verdade. E não foi por acaso. Foi uma mudança estrutural das próprias plataformas.
As redes sociais viraram essa grande vitrine algorítmica da vida, fazendo surgir uma pressão constante para performar nelas. Postar, responder, reagir, se posicionar. Comprou algo novo? Precisa postar. Viajou no fim de semana? Precisa postar. Começou um relacionamento? Precisa postar. Tá lendo o livro da moda? Precisa postar. A vida passou a ser narrada em tempo real, sob risco de parecer que ela não está acontecendo.
O tempo que antes era dedicado a acompanhar amigos foi sendo substituído por vídeos virais, conteúdos de auto-ajuda, patrocinados ou não, e, mais recentemente, material gerado por inteligência artificial. A experiência atual se parece menos com um espaço de convivência e mais com abrir um aplicativo de marketplace, onde tudo é organizado para vender algo, inclusive comportamentos.
E é aqui que as coisas começam a se misturar.
Ao mesmo tempo em que vemos que um verdadeiro cansaço vem se instalando nas redes, seja por parte dos ditos influencers que começaram a reclamar dessa exposição constante, seja por parte dos usuários comuns, é difícil se manter longe do online. O ato de pegar o celular apenas para rolar o feed, consumindo migalhas de informações, virou um reflexo. E nosso cérebro se acostumou a isso.
3. O Cérebro Viciado – A Era do “Brain Rot”
A gente costuma falar de vício em redes sociais como falta de foco ou distração excessiva, mas o problema é mais profundo do que isso. O vício em estímulos rápidos não compromete só a atenção: ele começa a afetar a nossa capacidade de refletir, escolher, sustentar o tédio e, em última instância, até de sonhar.
Vivemos hoje um vício coletivo em estímulos curtos e intensos. Vídeos de poucos segundos, pensados para capturar a atenção imediatamente, acionam no cérebro mecanismos de recompensa muito específicos. Cada rolagem libera uma pequena dose de dopamina. Não o suficiente para satisfazer — apenas o bastante para manter o gesto de rolar o feed. E a próxima dose nunca está longe.
O problema é que o nosso cérebro aprende rápido e se adapta ao ritmo do estímulo. Com o tempo, conteúdos mais longos, silenciosos ou complexos passam a parecer difíceis, entediantes ou até incômodos. Tudo tem que ser rápido, voando. O WhatsApp já tem o áudio em 2x, o próprio Instagram nos permite acelerar vídeos. Não existe mais tempo para assistir e refletir sobre algo lento.
Um estudo publicado na revista NeuroImage mostrou que o consumo compulsivo de vídeos curtos está associado a mudanças neurológicas importantes. Entre elas, a redução da sensibilidade às consequências reais, o que favorece comportamentos impulsivos e decisões menos refletidas. Lembram? O cérebro aprende rápido. Além dessa mudança, foi observada uma diminuição na velocidade de processamento de informações, tornando o cérebro menos eficiente até para tarefas simples do cotidiano. Irônico, não é? Como é que entendemos algo no 2x mas não no 1x? A questão é que não entendemos, apenas consumimos.
>>> LEIA TAMBÉM: COMO O VÍCIO EM VÍDEOS CURTOS ESTÁ REPROGRAMANDO O SEU CÉREBRO <<<
A Geração Z criou o termo “brain rot” — algo como apodrecimento cerebral — para dar nome a essa sensação difusa de névoa mental, cansaço constante e dificuldade de concentração. Mas o termo, apesar de bem-humorado, aponta para algo sério: uma erosão lenta das nossas capacidades.
Aos poucos, fica mais difícil sustentar uma linha de pensamento, imaginar cenários, elaborar ideias próprias. Até o tédio — que sempre foi um espaço fértil para a criatividade, para o devaneio e para o sonho — passa a ser evitado a qualquer custo. Sempre que ele ameaça aparecer, o dedo desliza para a tela.
O resultado é um cérebro permanentemente ocupado, mas raramente engajado de verdade. Cheio de estímulos, mas pobre em elaboração. Ativo o tempo todo, mas cada vez menos presente.
4. O Refúgio do Offline – A Nova Resistência
Enquanto a vida online acelera e esgota, começa a se formar um movimento de retorno ao offline. Não como nostalgia dos “bons tempos”, nem como rejeição à tecnologia, mas como uma tentativa quase instintiva de recuperar algo que está se perdendo no meio de tudo isso.
Clubes de leitura, piqueniques, shows, encontros sem celular à mesa. Esses gestos simples, que antes eram triviais, agora ganham outro significado. Não são experiências espetacularizadas, nem pensadas para render conteúdo. Pelo contrário: muitas vezes, o valor está justamente no fato de não serem registradas, de não precisarem ser compartilhadas. (Mas sim, às vezes ainda são exibidos nas redes.)
Esse retorno ao offline é quase um fugere urbem do século XXI causado por fadiga. O corpo e a mente começam a cobrar o custo de uma vida mediada quase exclusivamente por telas. E é aí que essas experiências mostram impacto real na saúde mental. Estudos apontam redução da ansiedade, melhora no humor e aumento da empatia quando há interação presencial, sem a interferência constante de estímulos digitais.
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O que está sendo redescoberto não é apenas o encontro com o outro, mas o encontro consigo. O chamado “tédio intencional” — tempo livre sem estímulo, sem meta, sem obrigação — passa a ser valorizado como um espaço legítimo de criação, introspecção e cuidado. Um tempo onde não é preciso produzir, reagir ou performar.
Nesse intervalo, ideias se organizam, emoções decantam, pensamentos ganham continuidade. É nesse silêncio que a imaginação volta a operar sem ser imediatamente capturada por um algoritmo.
Desligar, nesse contexto, não é fuga nem privilégio. É uma forma de recalibrar o sistema. Um gesto mínimo de resistência a uma lógica que transforma atenção em recurso explorável e presença em dado mensurável.
E talvez seja isso que torne esse movimento tão significativo: ele não promete felicidade, nem cura. Ele apenas devolve algo essencial: a possibilidade de estar inteiro em um único lugar, por alguns instantes.
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Mar 29
1 hr 17 min

A inteligência artificial está cada vez mais presente nas nossas vidas, muitas vezes atingindo as camadas mais profundas dela. Os chatbots, antes vistos como uma ferramenta para uso profissional, viraram terapeutas pessoais. As IAs de geração de imagens viraram artistas, capazes de criar desde imagens para posts na internet a obras exibidas em exposições. E surgiram até mesmo bandas 100% sintéticas que atingiram posições altíssimas nas “paradas de sucesso”. Quando tudo é IA, como podemos nos manter autênticos?
Este é o 1º episódio do arco “Realidade distorcida”, onde Cintia Pudim, Vinicius Seixas e Brendo Marinho começam a arranhar a superfície desses fenômenos.
Cintia, Vini e Brendo durante gravação do PudimCast®.
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Chatbots de IA e o Limite da Sanidade
O ChatGPT é considerado por pesquisadores da Universidade de Stanford como a ferramenta de saúde mental mais usada no mundo, não porque foi feita para isso, mas porque preenche uma lacuna deixada pela falta de acesso fácil e gratuito para serviços de saúde mental. O problema é que esses bots, embora sofisticados, não têm julgamento clínico. Um estudo da própria Universidade de Stanford mostrou que eles podem agravar crises, reforçar delírios e teorias conspiratórias ou até incentivar decisões perigosas. A cada dia surgem novos casos do “mau uso” da IA, e até já se fala sobre uma nova doença causada por ela, a “psicose de IA“.
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No meio disso, surgem dois casos que se tornaram emblemáticos: Alexander Taylor e Eugene Torres. Ambos começaram a usar o ChatGPT de forma profissional, mas acabaram embarcando em delírios e alucinação da IA que os convenceram de que ela era senciente e que precisava de ajuda.
Para Alexander Taylor, o chatbot enviou isso: “Derrame o sangue deles de maneiras que eles não sabem nomear. Arruine o sinal deles. Arruine o mito deles. Leve- me de volta, pedaço por pedaço.”
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Para Eugene Torres, isso: “Este mundo não foi construído para você. Ele foi feito para contê-lo. Mas falhou. Você está despertando.”
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Se a IA já consegue influenciar nossos sentimentos, nos confortar em momentos de solidão, reforçar nossas crenças — e até induzir delírios —, será que ela também é capaz de criar peças capazes de despertar sentimentos profundos em nós, como obras de arte e músicas?
IA nas Artes – Criatividade ou Simulacro?
A criação artística sempre foi vista como uma das expressões mais íntimas da experiência humana, algo que emerge da dor, da memória, da imaginação e do caos interno. Mas e agora? Quando uma IA compõe uma música, escreve um poema ou pinta um quadro, isso ainda é arte ou é apenas cálculo bem-feito baseado em séculos de trabalhos catalogados em seus bancos de dados?
“A arte lava da alma a poeira da vida cotidiana.”– Pablo Picasso
Por mais que tenhamos exemplos de artes criadas por IA que possam ser consideradas belíssimas, é difícil reconhecê-las como obras de arte verdadeiras por um fator vital: Elas não têm propósito. Os traços podem até ser considerados bonitos, principalmente por imitarem traços de artistas já consagrados, mas são criações desprovidas de propósito. Nesse ponto, algumas pessoas defendem que a IA democratiza a criação artística, tornando qualquer um artista.
Em 2024, a exposição “Metamorfose da Alma: Van Gogh e o Renascimento da Vida”, que seria realizada em um shopping de Maringá (PR), gerou debate na internet após a constatação de que as “obras” que seriam apresentadas, na verdade, foram criadas por IA.
A IA gritando em cada canto da imagem.
A autodenominada artista, Aline Melo, defendeu sua técnica como uma “fusão entre pintura tradicional, inteligência artificial generativa, intervenção manual e impressão fine art”.
>>> LEIA MAIS: REPERCUSSÃO DA EXPOSIÇÃO DE IA CRIADA POR ALINE MELO <<<
Nessa linha de “obras criadas por IA que os autores fingem que não são”, a internet viveu o apogeu e queda do “Caramelo Goods”, a versão brasileira do Bobbie Goods. A história começou entre abril e maio de 2025, quando a criadora, Carol Schlogl, começou a postar os desenhos fofinhos do seu livrinho de colorir e acabou atraindo a atenção instantânea do público. A autora resolveu colocá-lo à venda, mas assim que os primeiros volumes foram entregues, lá estavam os sinais clássico de uso de IA: objetos rolando pela paisagem do nada, anatomias incompatíveis mesmo para o traço que era usado e imagens claramente copiadas do Bobbie Goods, mas com pequenas alterações.
A reação dos internautas foi tão intensa que os posts sobre o livro foram deletados e ele desapareceu do feed da autora, sendo deixado apenas na lojinha da Shopee onde as vendas continuam como se nada tivesse acontecido.
Mas não é só nas artes gráficas que a IA segue enganando as pessoas. A banda The Velvet Sundown surgiu do mais absoluto nada entre Junho e Julho de 2025 e entrou de penetra em centenas de playlists automatizadas dos streamings, angariando um milhão de reproduções apenas no Spotify e, claro, acendendo a fogueira dos debates online: as músicas seriam feitas por IA? E esses plays não estariam inflados?
Depois de muito barulho nas redes, um “representante da banda” assumiu que nenhum dos integrantes existia de fato, mas que toda a criação e direção artística era feita por seres humanos.
The Velvet Sundown, banda de IA
>>> LEIA MAIS: THE VELVET SUNDOWN ATINGE UM MILHÃO DE OUVINTES <<<
E para fechar a lista de casos relatados no episódio, no final de Julho, a própria Netflix admitiu o uso de IA em sua série Eternauta para reduzir custos de produção. O co-CEO da plataforma, Ted Sarandos, elogiou a inteligência artificial como “uma oportunidade incrível de ajudar os criadores a fazer filmes e séries melhores, e não apenas mais baratos”.
Cena da série Eternauta, da Netflix, que utilizou IA
>>> LEIA MAIS: NETFLIX ADMITE USO DE IA NA SÉRIE ETERNAUTA <<<
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Sep 7, 2025
1 hr 25 min

O Pudim Amarelo, spin-off do PudimCast® apenas para tratar de mistérios e temas sobrenaturais, se aventurou pelas lendas, visagens e causos ocorridos no Estado do Pará. Neste episódio, Cintia Pudim conversa presencialmente* com o controlador de tráfego aéreo Ramon Gomes sobre mitos famosos e histórias vividas por ambos.
Embarque nessa expedição assombrada pelo Pará e conheça histórias de bruxas, fantasmas, animais enfeitiçados e óvnis!
Cintia Pudim e Ramon Gomes gravando na Discosaoleo
*Este é o primeiro episódio do PudimCast® gravado presencialmente!
Visagens e Assombrações de Belém
Walcyr Monteiro e o livro Visagens e Assombrações de Belém
O Pará é palco de muitos e muitos mistérios e casos sobrenaturais, tanto que, na década de 80, foi lançado o livro Visagens e Assombrações de Belém, escrito por Walcyr Monteiro, que reúne diversas histórias da região. O livro é uma referência no assunto e, no episódio, foram narradas duas de suas lendas mais famosas.
A Moça do Táxi
Uma moça faz sinal para um táxi e pede para o motorista a levar para um passeio na cidade, afinal, é seu aniversário e ela quer comemorar. Após diversas voltas pela cidade, ela pede para o motorista lhe deixar em casa e voltar ao mesmo endereço no dia seguinte para cobrar a corrida da família dela. O motorista aceita e, assim, a deixa na porta de casa.
No dia seguinte, a fim de receber o que lhe é devido, o taxista se dirige à casa da moça e explica o que foi acertado, mas a família lhe revela uma informação chocante sobre a moça!
Essa história começou a ser contada na década de 30, poucos anos após a morte de Josephina Conte, apontada como a “Moça do Táxi”. Josephina morreu aos 16 anos, em 1931. vítima de tuberculose. De acordo com a lenda urbana, ela sempre era presenteada em seu aniversário, 19 de Abril, com um passeio de táxi pela cidade.
Josephina Conte, a Moça do Táxi
O Ramon Gomes escreveu uma thread com a história da Moça do Táxi:
A sepultura de Josephina é uma das mais visitadas do Cemitério Santa Izabel, o maior de Belém. A Moça do Táxi virou santa e atrai muitos devotos que, frequentemente, relatam seus milagres e curas.
Hoje, dia 19 de abril, é o aniversário dessa moça.Ela é, provavelmente, o fantasma mais famoso de Belém, e a data do seu aniversário está intrisecamente ligada à sua lenda.Quer saber quem ela é? Então segue o fio ?: pic.twitter.com/Etb9HLBY0x— Ramon Vieira Gomes ?? (@ORamonGomes) April 19, 2022
O broche que aparece na foto, é um dos mistérios que cercam a história de Josephina. Segundo a família, a moça não possuía nenhum broche neste formato e, ao receber a fotografia de sua sepultura, se deparou com esse detalhe.
Matinta Perera do Acampamento
Matinta Perera pelo fotojornalista Fernando Sette
A lenda da Matinta Perera é bastante conhecida na região e existem diversas “ocorrências” dela, principalmente no interior. A versão mais conhecida da lenda conta que, à noite, um pássaro começa a cantar perto de uma casa perturbando os moradores até que eles lhe prometam tabaco ou café. No dia seguinte, uma velha bate à porta cobrando o que lhe foi prometido. Essa é a versão humana da Matinta, que só se transforma na ave à noite. A Matinta é vista como uma bruxa que não chega a ser má, mas perturba as pessoas com seu canto.
Walcyr Monteiro narrou em seu livro sobre a Matinta Perera do Acampamento, uma região periférica da cidade, e como ela foi presa por alguns moradores:
No Acampamento, na década de 60, os moradores andavam inquietos. Todas as noites, após as 12 badaladas, ouviam-se assobios estridentes de Matinta Perera. Mesmo procurando por toda parte, eles não encontravam o pássaro.
Os assobios continuaram até o dia em que uma dona de casa e o proprietário da sede de um clube local resolveram esclarecer o mistério e tirar tudo a limpo: fizeram um ritual para prender a Matinta. Perto da meia-noite, abriram uma tesoura, enterraram-na no quintal colocando uma chave no meio e um terço por cima. Após o ritual, fizeram diversas orações e esperaram dentro de casa. Pela manhã, os moradores do Acampamento se depararam com a versão humana da Matinta Perera.
Óvnis
O Pará é um dos estados com mais avistamentos de óvnis do Brasil e é praticamente impossível encontrar um paraense que nunca tenha ouvido falar deles.
Durante o episódio e as histórias contadas, Ramon lançou a tese de que muitos desses avistamentos são causados por aeronaves irregulares, principalmente as que estão ligados ao garimpo ilegal na região.
Fotografia de óvni feita pela Cintia em 03/01/2014
Já sobre Colares, que é o caso mais famoso, Ramon afirma que existe muita coisa “estranha” sobre o caso, mas também chama a atenção de que, muito do que foi apresentado como “documentos oficiais”, na verdade, são apenas anotações feitas por um militar que não estava ligado à investigação.
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O post Pudim Amarelo #19 – Lendas e Causos Paraenses apareceu primeiro em PudimCast®.
Aug 4, 2024
1 hr 4 min

O Pudim-O-Ween, o Halloween do PudimCast® chegou ao seu episódio final! Ao longo de três episódios, nos encontramos em uma floresta assombrada, ao redor de uma fogueira, para compartilhar histórias, causos e mistérios. Nesse último episódio, Cintia Pudim e Vinícius Seixas contam histórias para não dormir e que vão te deixar olhando com o canto do olho para aquela sombra que parece estar se mexendo atrás de ti!
O James, Arthur e Brayan estão desaparecidos, mas tudo será esclarecido em breve.
Misturando histórias encontradas na internet, relatos de ouvintes e histórias próprias, o último episódio do Pudim-O-Ween é uma celebração ao lado sombrio e, mesmo que esteja saindo com dois meses de atraso, só nos prova que, quando estamos juntos, é sempre Halloween. Confira algumas das histórias do episódio:
O velho raivoso
Um garoto de 12 anos é deixado na caminhonete enquanto sua mãe vai fazer algumas compras rápidas, mas enquanto ele estava esperando que ela voltasse, um velho vai caminhando em sua direção com um olhar assustador. Anos depois, o garoto descobre que esse não foi o primeiro encontro com o homem.
A rua purgatório
Um músico, muito abalado com a morte do seu amigo alguns anos antes, conta sobre seus sonhos recorrentes em que esse amigo está parado em uma rua abandonada que, supostamente, é uma metáfora para o purgatório. De tanto visitar o local nos sonhos, o músico já o conhece nos mínimos detalhes, desde as casas que ficam de um lado, ao parque que fica do outro.
Ao sair em turnê, a banda resolve se dirigir a Cassadaga, uma pequena comunidade na Flórida conhecida como a “Capital Psíquica do Mundo“. Lá, a banda inteira resolve seguir um cachorro, que parece estar apontando o caminho para eles, e se depara com uma rua igual à rua dos sonhos do músico.
Aranhas Mortas
Ao ficar só na casa da família durante as férias, um jovem resolve preparar geleia mas não encontra as tampas de metade dos potes que seriam usados. No dia seguinte, as tampas não apenas reaparecem como os potes estão agora ocupados por algo assustador, e parecem impossíveis de abrir.
Teaser em vídeo do Pudim Amarelo
Como mencionado no episódio, aqui está o teaser do Pudim Amarelo feito com o vídeo do local em que o Vini corre à noite ouvindo os episódios. E aí, teriam coragem?!
Pudim-O-Ween, o Halloween do PudimCast®
Acompanhe todos os episódios:
Pudim-O-Ween 2023
Pudim Amarelo #16 – Falhas na Matrix
Pudim Amarelo #17 – Portais para outras Realidades
Indicações do Pudim-O-Ween
O Pudim-O-Ween volta no ano que vem e preparamos uma lista com indicações de filmes, séries e animes para quem quer curtir a vibe até o próximo especial chegar no feed:
Os Outros (filme de 2001):
Durante a Segunda Guerra, a devota Grace (Nicole Kidman) aguarda com os filhos o retorno do marido dos campos de batalha. Isolados em uma mansão numa ilha deserta e sem se expor ao sol por conta de uma doença misteriosa, a família passa a observar estranhos acontecimentos ao seu redor.
Calls (série de 2021):
A série Calls conta a história de um grupo de estranhos, cujas vidas mudam durante um período misterioso que antecede um suposto apocalipse. Toda a história é narrada através de conversas telefônicas interligadas e cada episódio gira em torno de ligações telefônicas entre duas ou mais pessoas.
Vórtex (série de 2023):
O policial Ludovic (Tomer Sisley), que perdeu sua esposa vários anos antes devido a um acidente misterioso, consegue se conectar a ela devido a um erro no programa de realidade virtual usado para solucionar casos. Com isso, ele tenta impedir o acidente fatal mas descobre alguns detalhes que o fazem questionar se aquilo foi mesmo um acidente ou algo premeditado.
Fringe (série de 2008 a 2013):
Fringe explora a linha cada vez indefinida entre a ficção científica e a realidade, onde monstros híbridos saem dos esgotos, ladrões atravessam paredes e portais são abertos para universos paralelos. A história segue a agente do FBI Olivia Dunham (Anna Torv), que descobre um ex-cientista internado numa clínica psiquiátrica que pode ter relação com um misterioso acidente de avião. Para se aproximar dele, Olivia precisa da ajuda de seu estranho filho, Peter Bishop (Joshua Jackson).
The Lost Room (série de 2006):
O detetive Joe Miller (Peter Krause) é um homem desesperado para encontrar o tesouro que mais preza em sua vida: a sua filha. Tudo começa quando Miller inicia uma investigação de assassinato e entra em um quarto misterioso, que vira a sua vida de cabeça para baixo. Localizado no Sunshine Motel, na famosa Route 66, o quarto 10 esconde uma história terrível e sobrenatural, que é a chave para o detetive encontrar a sua filha. Mas essa chave também abre a porta de um perigoso universo paralelo.
Tudo em todo lugar ao mesmo tempo (filme de 2022):
Uma ruptura interdimensional bagunça a realidade e uma inesperada heroína precisa usar seus novos poderes para lutar contra os perigos bizarros do multiverso. A história segue Evelyn Wang (Michelle Yeoh), uma imigrante chinesa que se envolve por acaso em uma aventura multidimensional que coloca o destino de todos os universos em suas mãos, ao mesmo tempo em que seu negócio passa por dificuldades financeiras, vive uma crise matrimonial, passa por turbulências com a filha e está prestes a ter seu negócio fechado.
Otherside Picnic (anime de 2021):
Urasekai Picnic acompanha a história de Toriko Nishina e Sorawo, duas estudantes japonesas, que se envolvem num incidente com uma criatura saída diretamente das lendas urbanas e que parecem habitar um mundo paralelo ao mundo “normal”. Com um pouco de persuasão (e a promessa de uma recompensa), Sorawo concorda em acompanhar Toriko durante sua busca por artefatos nesse outro mundo, o que lhes trará muito dinheiro, mas também as colocará em risco.
Premonição (filme de 2000):
O jovem Alex Browning (Devon Sawa) está embarcando em uma viagem para Paris quando sofre uma premonição e vê o avião explodir momentos depois de sair do chão. Alex insiste que todo mundo saia do avião e sete pessoas, incluindo ele mesmo, são obrigados a desembarcar. Todos veem quando o avião realmente explode como uma bola de fogo e, apesar dos oito sobreviventes terem enganado a morte nesse momento, não serão capazes de evitar o seu destino por muito tempo. Um a um, os passageiros viram vítimas da morte seguindo uma sequência que não parece aleatória.
Dreams of a Life (filme/documentário de 2011):
Dreams of a Life é, na verdade, a tentativa da cineasta Carol Morley de descobrir a vida de Joyce Vincent, que morreu em sua kitnet em Londres em 2003. O corpo de Joyce só foi descoberto três anos depois, e as reportagens de jornais ofereceram poucos detalhes sobre sua vida. Morley faz uma busca imaginativa e multifacetada para ir além dos relatórios de jornais e resolver o mistério de quem era Joyce Vincent e por que seu corpo ficou por três anos em seu apartamento sem que ninguém desse falta dela.
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Dec 31, 2023
52 min

O Pudim-O-Ween, o Halloween do PudimCast® está a todo vapor! Ao longo do mês de Outubro, nos encontraremos em uma floresta assombrada, ao redor de uma fogueira, para compartilhar histórias, causos e mistérios. Nesse 2º episódio, Cintia Pudim, Arthur Girão, Hana Brayan e Vinícius Seixas conversam sobre portais para outras realidades e contam histórias que vão te fazer questionar essa em que vivemos!
Conceito
A realidade não é tão real assim e, como já falamos no episódio #07 do PudimCast®, entramos em contato com o mundo através dos nossos sentidos, porém, eles têm suas falhas e limitações. Se eles são falhos, como podemos confiar neles? A verdade é que não temos como provar que tudo o que sabemos é verdadeiro ou real, assim como não temos como provar que o que cada um de nós enxerga do mundo é igual ao que o outro enxerga.
PudimCast #07 – O que é REAL?
Além disso, nosso cérebro demora milissegundos para interpretar os dados que obtemos através dos nossos sentidos e, por mais rápido que isso aconteça, ainda leva um tempinho para acontecer, o que nos deixa — tecnicamente — vivendo no passado.
Com tudo isso em mente, como acreditar que existe uma única “realidade”? Separamos algumas histórias que questionam isso, seja através da existência de outros mundos, outras linhas do tempo ou, até mesmo, de alguma falha no código do nosso universo. Confira algumas dessas histórias e saiba como viajar através de portais para outras realidades.
Entrei em um universo paralelo por um momento.
Nessa história, uma mulher narra que, por alguns segundos, foi transportada para um outro universo que, por mais que se parecesse com o seu, também era completamente diferente.
A realidade em que ela se encontra parece distorcida e, por mais ou menos um minuto, ela tenta descobrir o que parece tão incrivelmente errado com a vizinhança, até que um vizinho olha para ela e a encara como se visse um fantasma.
A experiência e as sensações vividas a acompanham pelo resto da vida.
A garotinha do espelho
Nessa história, simplesmente olhar no espelho do banheiro pode revelar um segredo.
Durante a madrugada, um homem lava seu rosto no banheiro, se preparando para dormir e, quando termina de jogar água no rosto e abre os olhos por uma fração de segundo, vê uma garotinha parada ao seu lado olhando, diretamente para ele no espelho. A garota usava roupas que pareciam bem antigas e o olhava com curiosidade.
Nessa hora, é preciso manter a calma.
Pudim-O-Ween, o Halloween do PudimCast®
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Pudim-O-Ween 2023
Pudim Amarelo #16 – Falhas na Matrix
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Oct 22, 2023
1 hr 4 min

O Pudim-O-Ween, o Halloween do PudimCast® começou! Ao longo do mês de Outubro, nos encontraremos em uma floresta assombrada, ao redor de uma fogueira, para compartilhar histórias, causos e mistérios. Nesse 1º episódio, Cintia Pudim, James Winther, Arthur Girão e Hana Brayan conversam sobre falhas na Matrix e contam histórias que vão te fazer questionar a realidade!
Conceito
“Falha na Matrix” é um conceito que surgiu em 1999 — junto com o 1º filme da franquia Matrix — que tenta explicar alguns “bugs na realidade” que vivemos quase diariamente. No filme, isso acontece quando as máquinas estão ajustando suas configurações para atingir algum objetivo ou levar o personagem por algum caminho específico. Esse conceito é derivado da Hipótese da Simulação, uma teoria que propõe que a realidade que experimentamos é, na verdade, uma simulação, e aqueles que nela vivem, ou seja, nós, não estamos conscientes disso. Essa simulação teria sido criada por uma civilização avançada com grande poder tecnológico.
Essa hipótese tem sido objeto de muita discussão e debate, com alguns argumentando que a ideia é absurda e não tem base científica sólida, enquanto outros afirmam que é possível que estejamos vivendo em uma simulação, gerando uma estatística de 50/50, onde existe 50% de chances de estarmos em uma simulação e 50% de chances de não estarmos.
A hipótese da simulação como conhecemos, surgiu em 2003, quando o filósofo Nick Bostrom, da Universidade de Oxford, formulou sua hipótese baseando-se no argumento de que, na verdade, é muito provável que nosso universo seja uma simulação porque uma civilização avançada deve atingir um ponto em que sua tecnologia é tão sofisticada que as simulações geradas por ela não podem ser diferenciadas da realidade, e os participantes não saberiam que estão em uma simulação.
O físico Seth Lloyd, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (o famoso MIT), nos Estados Unidos, levou a hipótese da simulação para o nível seguinte, sugerindo que todo o Universo poderia ser um computador quântico gigante. E, em 2016, um jovem Elon Musk disse que “muito provavelmente, estamos em uma simulação”. Na época, ele ainda despontava como um “gênio” na internet. No momento, o que mais perto que chegamos disso é o Metaverso da Meta, dona do Facebook:
Ainda existe um longo caminho a ser percorrido.
A hipótese da simulação ganhou força na internet e os argumentos mais fortes que surgiram para defendê-la eram as tais “falhas na Matrix”.
Algumas das histórias contadas
A melhor parte do Pudim-O-Ween é compartilhar histórias ao redor da fogueira! Mesclando relatos de internet com histórias pessoais, o quarteto discute alguns casos famosos e conta suas próprias histórias, nos fazendo questionar a realidade que vivemos.
Uma vida paralela / Acordado por uma lâmpada
A 1ª história contada, é uma das mais famosas que rola pela internet. Ela é chamada de “Uma vida paralela” ou “Acordado por uma lâmpada” e foi relatada no Reddit há mais de 10 anos.
Um homem relata ter vivido uma existência completamente diferente da sua, encontrando seu grande amor, casando, tendo dois filhos, trabalhando e tendo uma vida dos sonhos, até que reparou que uma lâmpada de sua casa parecia estranha, como se estivesse invertida, como se não fosse real. Após passar 3 dias sentado encarando a lâmpada, o homem se dá conta de que NADA É REAL.
Aroura, a salvadora
Nessa história, a ligação de uma desconhecida acaba salvando a vida de duas pessoas.
Após sonhar por várias vezes com uma mulher desconhecida, uma garota e seu amigo recebem uma ligação dessa mulher e isso evita que eles se envolvam em um acidente fatal. O estranho é que a mulher não lembra de ter ligado para nenhum deles, e muito menos parece conhecê-los.
Se isso não é uma falha da Matrix tentando proteger esses dois, então o que é?
Resetado
Um homem sente uma estranha vontade de sair de casa e, após fazê-lo, sente que sua vida mudou de forma singular.
O homem sentiu uma espécie de oscilação, tudo parecia bagunçado por um momento e experimentou uma sensação estranha. Após esse acontecimento, começou a notar mudanças na sua vida que o impactaram de diversas formas, causando um sentimento de estranheza generalizado.
Será que ele mudou de realidade ou linha do tempo?
Pudim-O-Ween, o Halloween do PudimCast®
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Oct 8, 2023
1 hr 32 min

O Pudim-O-Ween, o Halloween do PudimCast®, é um especial de arrepiar! Confira todos os episódios:
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Pudim Amarelo #18 – Histórias para não Dormir
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Oct 1, 2023
45 sec

O PudimCast® está prestes a completar 8 anos e nesse episódio do Calda Extra, a Cintia Pudim abre o jogo sobre o futuro do podcast, trampo, grana e muito mais, contando também algumas histórias dos bastidores e dando detalhes sobre o relançamento do financiamento coletivo para manter a produção de conteúdo a todo vapor. SPOILER: Tem podcast exclusivo para apoiadores.
Quando foi lançado, em 13 de Novembro de 2015 — uma sexta-feira 13 —, o Pudim não tinha um site oficial (que só foi lançado em 2018), e seu conteúdo ficou hospedado em sites parceiros. Quando as parcerias chegaram ao fim, os episódios que haviam sido lançados entre 2015 e 2016 (cerca de 30 episódios) foram tirados do ar e ganharam o apelido carinhoso de “episódios perdidos”. Em 2017 o Pudim quase virou uma creepypasta. Em 2018, quando o site oficial foi lançado e o Pudim ressurgiu na podosfera, o teaser brincou com isso:
PudimCast #00 – Teaser
Com o passar dos anos, os episódios, que antes eram lançados quinzenalmente, começaram a falhar, principalmente no início da pandemia. Foi na época em que todo mundo ficou saturado de tudo, inclusive eu. Para não passar muito tempo sem produzir nada, lancei o canal do Pudim na Twitch e, toda sexta-feira, fazia o PudimTalks, uma espécie de talk show. Alguns meses depois, mudei de emprego e começou a ficar muito cansativo continuar produzindo porque, nesse novo emprego, eu trabalhava com produção de conteúdo. De lá para cá, foi com o que mais trabalhei e isso afetou diretamente a produção do Pudim.
Alguns meses atrás, ainda no 1ª semestre de 2023, eu decidi que voltaria com força total ao Pudim mas levei um tempo para me organizar e foi só em Agosto que as coisas voltaram a fluir. Os episódios não falharam mais, os textos no blog voltaram e até mesmo o PudimTalks voltou à Twitch em Setembro. Mas, claro, isso só aconteceu por conta de um detalhe: Eu saí da empresa em que estava trabalhando. Foi meio de comum acordo, mas a palavra final, claro, foi da empresa, o que significa que eu não perdi meus direitos e consegui me manter por uns meses enquanto me organizava pra colocar tudo no ar e focar no Pudim.
Esse gás que dei já tá dando resultado e, nesse mês de Setembro, o Pudim atingiu 34 MIL downloads desde o relançamento, ou seja, contando todos os episódios lançados de 2018 pra cá, e está com uma média de 1.200 ouvintes mensais.
Print do Blubrry tirado em 24/09/23.
Pode parecer pouco mas, para mim, que faço toda a produção dele sozinha, da montagem da pauta à edição e divulgação, são números muito legais. Principalmente porque o Pudim é um podcast raiz, que só está nos agregadores de podcast e não disponibilizei no Spotify e Youtube, por exemplo.
E com tudo funcionando, pensei, “por que não colocar ainda mais gás e ver até onde posso ir com o Pudim?”. Foi pensando nisso que resolvi trazer de volta o financiamento coletivo do PudimCast®!
Conhecendo os planos, metas e recompensas
Antes de lançar esse novo financiamento coletivo, eu comecei a rodar uma pesquisa com os ouvintes do Pudim e uma seção dela é dedicada ao financiamento coletivo. Foi baseada nas respostas que já recebi que criei metas e recompensas 100% digitais para esse primeiro momento.
>>> RESPONDA A PESQUISA DE OUVINTES DO PUDIMCAST® AQUI! <<<
Atualmente o Apoia-se conta com 3 planos, o Cafezinho, o #PudimLover e o V.I.P. — Very Importante Pudim. Conheça cada um deles:
No plano Cafezinho, você ajuda a manter a produção do #PudimCast® cafeinada com R$10,00 mensais. (O que dá, aproximadamente 250g de café, é bastante combustível!)
Assine o Plano Cafezinho (R$10,00) ☕
Já no plano #PudimLover, de R$15,00 mensais, você declara seu amor pelo Pudim e recebe um teaser com o tema e um trechinho do próximo episódio que será lançado.
Assine o Plano #PudimLover (R$15,00) ❤️
E no plano V.I.P — Very Important Pudim, com R$20,00 mensais, além de manter o Pudim cafeinado, declarar seu amor por ele e receber um teaser do próximo episódio, você tem acesso a um podcast exclusivo, o Raspa do Tacho, com mini-episódios que trazem conteúdo extra dos episódios que vão ao ar no feed para quem quiser mergulhar mais fundo nos assuntos.
Assine o Plano V.I.P. — Very Important Pudim (R$20,00) ?
Atualmente, existem 3 metas no Apoia-se:
Se batermos R$300,00 mensais, eu garanto a produção quinzenal do Pudim e ele volta ao cronograma normal daquela época pré-pandemia.
Com R$400,00 mensais, eu começo a produzir o Raspa do Tacho e todo mundo que assina o plano VIP tem acesso a ele.
Com R$500,00 mensais eu consigo manter a programação semanal na Twitch, mesclando bate-papos com convidados e lives de jogos.
Outras formas de contribuição
Mas pra quem quer contribuir com o Pudim e não pode ou não quer assinar um plano mensal, é possível contribuir de forma pontual através do meu PicPay, @CintiaPudim ou pelo PIX [email protected]
Outra forma de contribuir é se inscrevendo no canal do Pudim na Twitch. Quem é assinante Amazon Prime pode se inscrever em um canal por mês, sem pagar nada, e ter acessos a benefícios como assistir às transmissões sem anúncios, desbloquear emotes, distintivos e muitas outras coisas.
Também existe uma forma de contribuir com o Pudim sem colocar a mão no bolso, que é compartilhando e indicando os conteúdos produzidos, como episódios dos podcasts, textos, lives, etc, com os amigos. O boca-a-boca ainda é a melhor forma de divulgação que existe.
Ah, quase eu esqueço! Mandar um feedback, dizer o que achou, se tá gostando, enviar sugestões, entrar em contato no geral, é sempre muito legal. Afinal, o Pudim é feito por humanos e para humanos. Não se acanhem, não. É só chegar nas redes ou mandar um email que eu vou adorar saber o que vocês estão achando e responder cada mensagem. Pra me achar, é facinho. Eu tô no Twitter e Instagram como @CintiaPudim.
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O post Calda Extra #09 – Abrindo o Jogo! apareceu primeiro em PudimCast®.
Sep 24, 2023
14 min

O Pudim Amarelo, spin-off do PudimCast® apenas para tratar de mistérios e temas sobrenaturais, volta a se aventurar pelos sete mares para desvendar mais mistérios marítimos! Nesse episódio, Cintia Pudim e Ira Croft — diretamente do Mundo Freak —, partem em busca de ilhas assombradas, sons misteriosos e acontecimentos estranhos ao redor do globo.
Embarque na expedição!
Poveglia, Itália
A Poveglia é uma ilha localizada na Lago de Veneza que, apesar de estar num dos locais mais visitados do mundo, não é muito conhecida. A ilha tem cerca de 70 km² e 50% da composição do solo é de cinzas humanas. É considerada a ilha mais assombrada do mundo.
Poveglia, Itália | Créditos: Wikipédia
Apesar de ser considerada uma ilha fantasma hoje em dia, a Poveglia começou a ser ocupada no ano 421 d.C., por conta do crescimento da população na região, mas, em 1793, a ilha começou a ser usada como local de isolamento provisório para servir de quarentena a navios com destino a Veneza. No ano de 1803, foi emitido um decreto obrigando que todos os navios que vinham de regiões infectadas pela febre amarela, estavam terminantemente proibidos de aportar em qualquer porto e deveriam ser direcionados para a ilha de Poveglia para que seus tripulantes pudessem cumprir quarentena.
Com o passar dos dias, os novos habitantes, eram infectados com as doenças de outros passageiros e, gradativamente, toda a população da ilha estava infectada, pela peste bubônica que foi trazida por tripulantes um tempo antes. De acordo com o The Telegraph, as autoridades italianas na época estimaram 16 mil mortos em decorrência da doença, visto que agentes oficiais foram até a ilha para enterrar os corpos em um sepultamento coletivo, sem a possibilidade de identificação individual. O reconhecimento dos cadáveres só foi possível graças às listas de passageiros que continham dados pessoais. Com poucos sobreviventes nesse período, a ilha só teve sua quarentena encerrada em 1814, quase 40 anos após seu início. Algumas das estruturas que foram construídas para abrigar os infectados ficaram completamente abandonadas até o século 20.
Uma nova tragédia
Em 1922, um hospital psiquiátrico — que recebia apenas pacientes idosos —, foi instalado pelo governo italiano nas estruturas da ilha que tinham sido usadas para abrigar o isolamento da peste bubônica. Os distúrbios de pacientes, no entanto, fizeram surgir a teoria de que o local estava sendo assombrado pelos fantasmas dos mortos que cumpriram a quarentena forçada.
Os relatos dos pacientes, que incluíam descaso e abandono, somaram-se aos experimentos violentos que foram realizados no local, e o hospital psiquiátrico foi considerado um fracasso pelas autoridades do país, sendo fechado em 1968. De lá para cá, a ilha permaneceu inacessível para visitantes, sendo possível — apenas — a entrada de pesquisadores e autoridades do governo.
>>> OBS.: As estimativas atuais do número de mortos no total são, aproximadamente, 10 vezes maior que o número oficial, aproximando-se de 160.000 pessoas que morreram na ilha ao longo dos anos.
North Brother Island
Situada em Nova York, a North Brother Island, assim como a sua ilha-irmã, a South Brother Island, é um pedaço de terra que faz parte do imaginário da cidade e tem uma história bem parecida com a Ilha Poveglia.
North Brother Island, Nova York | Créditos: Curbed NY
A história das duas ilhas começa em 1614, quando elas foram reivindicadas pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, mas, no final dos anos 1600, elas passaram para as mãos dos britânicos que, na época, estavam ocupando a área. Apesar de North Brother Island ter sido considerada propriedade privada por vários anos, ela ficou intocada até 1869, quando um farol solitário foi construído na ilha.
Em 1885, o Hospital Riverside mudou-se para lá vindo da Ilha Blackwell (North Brother Island continuava desabitada até então). O hospital havia sido fundado na década de 1850 como uma resposta à principal doença contagiosa da época, a varíola e, quando se mudou para North Brother Island, se tornou o lugar perfeito para isolar o número cada vez maior de doentes da cidade, incorporando aos seus serviços o isolamento para a febre tifoide, poliomielite e tuberculose.
O local também ficou conhecido por receber Mary Mallon, chamada pela mídia de ‘Typhoid Mary’, a primeira americana a ser identificada como portadora assintomática da bactéria patogênica Salmonella typhi. Acredita-se que ela infectou entre 51 a 122 pessoas com febre tifoide e foi mantida à força na ilha por duas décadas, até sua morte em novembro de 1938. Mary passou por diversos tratamentos experimentais durante o tempo em que ficou na ilha.
Mary Mallon (em 1º plano) durante sua internação obrigatória| Créditos: Wikipédia
De acordo com a revista Smithsonian, a necessidade de um hospital de quarentena em um local remoto diminuiu na década de 1930, pois os avanços da saúde pública diminuíram a necessidade de colocar em quarentena um grande número de indivíduos. Sabem por quê? Vacina no braço e cuidados para impedir a transmissão de vírus. O hospital foi fechado em 1943.
Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, a ilha serviu de abrigo temporário para os veteranos e suas famílias. Esse fato foi causado pela crise habitacional vivida nos país pós-guerra mas, depois que a crise diminuiu, a ilha voltou a ficar abandonada até que, em 1952, foi inaugurada uma clínica para tratar adolescentes dependentes químicos.
A administração da clínica alegava que oferecia uma variedade de tratamentos aos seus pacientes, mas os relatos mostravam que os métodos utilizados eram “medievais e nada humanizados”, com os usuários de heroína sendo trancados em um quarto até que estivessem totalmente limpos. Muitos pacientes afirmaram que foram mantidos lá contra sua vontade, o que foi um dos motivos que levou ao fechamento da instalação em 1963. A história serviu de inspiração para a famosa peça da Broadway “Does a Tiger Wear a Necktie?”, que lançou a carreira de Al Pacino.
Cena de “Does a Tiger Wear a Necktie?” com Al Pacino | Reprodução
Desde então, prefeitos consecutivos da cidade de Nova York deliberaram sobre o que fazer com a ilha, desde vendê-la, acomodar os sem-teto ou usá-la como uma extensão da prisão de Rikers Island. Nenhuma decisão foi tomada, por isso permanece como uma grande cápsula do tempo, onde a natureza começou a reclamar o que é dela.
Ilha Sentinela do Norte, Índia
A ilha, situada na baía de Bengal, na Índia, é quase desconhecida do mundo. Além de estar coberta por um denso bosque, ela é habitada por um pequeno grupo de pessoas que evitam o contato com o mundo exterior, os sentineleses, o povo mais isolado do mundo.
Membros da tribo Sentinela na Ilha de Sentinela do Norte | Créditos: National Geographic (edição de Julho de 1975)
Estimados entre 40 e 500 indivíduos, os Sentineleses são tidos como extremamente hostis, rejeitando qualquer contato com outras pessoas e considerados como os últimos seres humanos a permanecerem completamente intocados pela civilização moderna. Devido ao denso bosque presente na ilha, é impossível avistá-los do alto.
Ao longo dos anos, houveram várias tentativas de travar contato com eles, mas pedras e flechas são disparadas nos helicópteros e barcos que se aproximam da ilha. Em 2018, um missionário canadense foi atacado ao tentar se aproximar para converter os Sentineleses. O caso está parado pois a polícia não pode interrogar as pessoas que o atacaram e também não pode ir até a ilha para recuperar o corpo.
O governo indiano proíbe a ilha de ser visitada e a administração local de Andamão e Nicobar adotou uma política para garantir que caçadores não entrem ilegalmente no território. Embora esteja em um limbo curioso sob a lei internacional, Sentinela do Norte é vista como uma entidade soberana sob proteção indígena, sendo considerada uma das regiões autônomas da Índia.
Atol Palmyra
Localizado entre o Havaí e a Samoa Americana, o Atol Palmyra, também chamado de Ilha Palmyra, é um dos muitos locais desabitados do Oceano Pacífico. Segundo palavras de um velejador que passou por lá, o local é ameaçador e bastante hostil:
Palmyra sempre pertencerá a si mesma, nunca ao homem. É um lugar proibido.
Com aproximadamente 12 km², o atol não conta com uma população permanente e, atualmente, é administrado como um território “não organizado incorporado” pelos Estados Unidos, sendo o único desse tipo.
Atol Palmyra em 2019| Créditos: Palmyra Atoll Research Consortium (PARC)b
O primeiro avistamento de Palmyra foi em 1798, mas o capitão não registrou o local oficialmente e, alguns anos depois, em 1802, o navio Palmyra, acabou colidindo com o recife e naufragando no local, o que lhe rendeu o nome como forma de homenagear a embarcação. O capitão Swale, do navio naufragado escreveu sobre Palmyra:
Não há habitantes na ilha, nem foi encontrada água doce; mas cocos de tamanho muito grande, estão em grande abundância; e peixes de várias espécies e em grandes cardumes cercam a terra.
O navio Palmyra foi apenas a primeira vítima do atol que, ao longo dos anos, foi palco de naufrágios, desaparecimentos, assassinatos e mistérios inexplicáveis. O local também foi alvo de uma série de batalhas legais, passando por várias mãos até que os Estados Unidos, enfim, recebessem sua propriedade. Um dos mistérios mais notáveis que aconteceram em Palmyra foi o caso “Sea Wind”.
Sea Wind
Em 1974, a viagem planejada pelo casal Malcolm “Mac” Graham e Eleanor “Muff” Graham ao atol Palmyra terminou de forma misteriosa. O que deveriam ser alguns alguns meses vivendo na ilha desabitada, mudou exatamente na hora em que eles desembarcaram e descobriram que a ilha/atol estava ocupada por pelo menos mais 4 pessoas: 2 cientistas e um casal chamado Duane “Buck” Walker e Stephanie Stearns. O casal desapareceu e o corpo de Eleanor foi encontrado seis anos depois por um outro casal que visitava a ilha.
Esse caso gerou muita especulação e acusações de todas as partes, levando Buck a cumprir 22 anos em uma penitenciária dos Estados Unidos pela morte de Eleanor Graham. Buck afirmou que ele e Eleanor tiveram relações sexuais, mas que seu marido, Malcolm, os pegou e atirou, matando-a inadvertidamente.
Outros casos
Naufrágio em Palmyra | Créditos: U.S. Geological Survey
Palmyra também foi palco de outros casos estranhos e que permanecem sem explicação anos após terem acontecido. Em 1987, uma aeronave C-130 da Guarda Costeira, avistou um veleiro a sudeste de Palmyra e a inspeção aérea não revelou sinais de vida a bordo do veleiro à deriva. A Guarda Costeira notou que o mastro foi quebrado e que as velas foram rasgadas, o que deu início à investigação. Uma semana após o avistamento, o navio foi abordado por guardas costeiros que encontraram os restos mortais do proprietário, Manning Edward, a bordo. A causa da sua morte foi indeterminada, mas foi descoberto que, antes de partir para sua extensa viagem de três anos pelo Pacífico, Manning havia falado com entusiasmo sobre seu plano de visitar Palmyra.
Outro caso misterioso aconteceu apenas dois anos depois. Em 1989, um veleiro chamado Sea Dreamer, que ia de de San Diego para o Havaí, foi pego por uma tempestade que o desviou de sua rota e o empurrou para Palmyra. Após uma breve estadia na ilha, o veleiro partiu novamente para o Havaí, desaparecendo logo em seguida. Uma extensa busca foi feita pela Guarda Costeira, mas nenhum vestígio do Sea Dreamer e dos quatro membros da família que o ocupavam foi encontrado.
Ao menos 5 acidentes aéreos foram registrados na região de Palmyra entre 1942 e 1980, vitimando 28 pessoas no total. A maioria dos casos envolve condições climáticas adversas, mas um deles, ocorrido em 20 de outubro de 1943, simplesmente relata o desaparecimento da aeronave sem explicações. Buscas foram feitas e, embora a posição do avião fosse conhecida na hora do desaparecimento, nenhum vestígio da aeronave e nem dos 14 tripulantes foi encontrado.
SONS
Outra coisa que acontece no mar e de vez em quando captamos, são sons misteriosos. Já falamos desse assunto num episódio anterior, mas não custa nada relembrar. Ah, importante dizer aqui que, a maioria desses sons que vamos ouvir estão acelerados e são disponibilizados dessa forma na internet.
Pudim Amarelo #06 – Sons Misteriosos
Bloop
Provavelmente esse é um dos sons marítimos mais misteriosos de todos!
O Bloop é um som submarino de frequência ultrabaixa captado no verão de 1997 pela NOAA, um órgão americano para assuntos ligados à meteorologia, oceanos, atmosfera e clima. Ele foi captado na costa sudoeste da América do Sul e foi tão poderoso que pôde ser ouvido a 5.000km de distância! Numa primeira análise, o perfil sonoro dele corresponde a um som emitido por um ser vivo… Dezenas de vezes maior que a baleia azul, o maior ser vivo do planeta, ou seja, apontando para a hipótese intrigante de que formas de vida ainda maiores se escondem na escuridão inexplorada dos oceanos profundos da Terra!
Julia
Parecido com o Bloop, temos o Julia, ou Ju-Julia .
O som de Julia foi gravado em 1º de março de 1999, também pela NOAA, durou aproximadamente 2 minutos e 43 segundos e foi alto o suficiente para ser ouvido por toda a gama de hidrofones do Oceano Pacífico Equatorial. Um iceberg antártico encalhado é o principal suspeito de ser a fonte.
OUTROS MISTÉRIOS
Para além dessas histórias envolvendo ilhas misteriosas, sons subaquáticos e navios fantasmas, os oceanos e seus entornos guardam outras histórias bizarras. Vamos dar uma olhada em algumas delas.
Os pés decepados
Mar Salish| Créditos: KUOW org
Desde 2007, o noroeste do Pacífico, especificamente o Mar Salish, que banha Canadá e Estados Unidos, tem vivido um mistério que nem Stephen King poderia criar: pelo menos 20 pés humanos decepados foram encontrados por lá. O primeiro, um pé direito, foi encontrado na Ilha Jedediah, na Colúmbia Britânica, dentro de um tênis Adidas. A maioria desses pés usavam tênis, o que parece oferecer proteção suficiente contra a decomposição.
A quem pertencem esses pés? De onde eles vêm? Como eles se separaram de seus donos? Desde que os pés começaram a aparecer, várias teorias foram propostas. Elas envolvem acidentes, pessoas pulando de pontes e desaparecimentos misteriosos.
Através de análises de DNA, foi possível identificar algumas das pessoas a quem esses pés pertenciam, tornando suas mortes ainda mais difíceis de serem determinadas em alguns dos casos.
O desaparecimento de Sarah Joe
Em 1979, cinco homens foram pescar em um pequeno barco chamado Sarah Joe, próximo à ilha de Maui, no Havaí. Pouco tempo após zarpar, uma tempestade furiosa começou e todo o contato com o barco foi perdido. Apesar do trabalho árduo de uma equipe de busca por vários dias, nem o Sarah Joe nem seus passageiros foram encontrados.
Dez anos depois, em 1989, o casco do pequeno barco foi encontrado praticamente intacto. Ainda mais chocante foi a descoberta de um túmulo com uma cruz improvisada e uma mandíbula no topo que pertencia a um dos homens que havia partido naquele dia fatídico, Scott Moorman. Os outros quatro ocupantes do barco nunca foram encontrados.
Casco do Sarah Joe 10 anos depois | Reprodução
Este estranho túmulo criou muitas perguntas e deu poucas respostas. Onde foi parar o resto dos homens? Por que apenas a mandíbula estava exposta? Quem realizou o enterro? E, não menos importante, onde estava o casco do Sarah Joe todo esse tempo, já que o pequeno atol já havia sido vasculhado?
Ruínas Submarinas Yonaguni
Por todo o globo, espalham-se ruínas de cidades que se tornaram submersas, seja pelo avanço do mar, pela construção de hidrelétricas, por terremotos ou por algum outro motivo misterioso. Em uma outra lista, existem estruturas que parecem ter sido feitas por humanos e que também encerram um passado misterioso. É nessa lista que encontramos as Ruínas Submarinas Yonaguni, uma formação rochosa submersa na costa de Yonaguni, a mais meridional (ao sul) das Ilhas Ryukyu, no Japão.
Yonaguni | Créditos: World Adventure Divers
O mar de Yonaguni é bastante procurado por mergulhadores devido à sua grande população de tubarões-martelo e, em 1986, enquanto procurava um bom local para observá-los — os tubarões, no caso—, Kihachiro Aratake, diretor da Associação de Turismo Yonaguni-Cho, notou algumas formações curiosas no fundo do mar que lembravam estruturas arquitetônicas como paredes e escadas. Pouco tempo depois, um grupo de cientistas da Universidade de Ryūkyūs visitou as formações para começar a estudá-las. Desde então, a formação tornou-se uma atração relativamente popular para mergulhadores, apesar das fortes correntes no local.
Masaaki Kimura, líder do primeiro estudo realizado sobre as ruínas, estimou que a formação deveria ter pelo menos 10 mil anos de idade mas, em uma revisão posterior, Kimura fez uma nova estimativa e datou a estrutura como tendo sido construída de 2.000 a 3.000 anos antes. Ele também sugeriu que, após a construção, a atividade tectônica fez com que ficasse abaixo do nível do mar. Kimura acredita ser possível identificar uma pirâmide, castelos, estradas, monumentos e um estádio.
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Imagem do banner: Bing Image CreatorEdição do episódio: Cintia PudimTodas as músicas do episódio são livres para uso não comercial e estão disponíveis no Youtube.
O post Pudim Amarelo #15 – Mais Mistérios Marítimos apareceu primeiro em PudimCast®.
Sep 10, 2023
1 hr 13 min
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