A professora Ana Luisa Araujo de Oliveira é contundente ao afirmar que o racismo institucional burlou a Lei de Cotas Raciais no Serviço Público Federal. As universidades criaram mecanismos que fraudaram a Lei nº 12.990/2014, que garantia a reserva de 20% das vagas em concursos públicos federais para pessoas negras.Ana Luisa é professora da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) e coordena o Observatório de Políticas Afirmativas Raciais (OPARÁ), que em março de 2024 publicou um relatório que trouxe dados da análise de cerca de 10 mil editais de 61 órgãos do governo federal e revelou que, de cada mil candidatos negros que deveriam ter tomado posse, segundo a aplicação da lei, apenas cinco alcançaram esse direito.Nesta entrevista para o Programa Ponto de Pauta ela nos revela que tanto a publicação do relatório quanto do livro “A mão invisível do racismo institucional e a sabotagem da Lei de Cotas Raciais (Lei nº 12.990/2014)”, lançado agora no final de outubro, tem contribuído para influenciar numa mudança desta realidade.A professora Ana Luisa nos fala também do papel que os sindicatos de docentes exercem no acolhimento de professoras e professores negros ao ingressarem na universidade, e de como ela e outros colegas negros e negras acabam sendo referência também para estudantes que se espelham em suas histórias e lutas.



