Show notes
Como alguém que chega com uma carta importante ao guichê depois das horas regulamentares: o guichê já está fechado.Como alguém que quer advertir a cidade de um inundação: mas fala uma outra língua. Não o compreendem.Como um mendigo que pela quinta vez bate a uma porta onde já recebeu esmola quatro vezes: ele tem fome pela quinta vez.Como alguém cujo sangue lhe corre duma ferida e espera pelo médico: o sangue continua a correr.Assim vimos nós e relatamos que em nós se cometem crimes.Quando se relatou pela primeira vez que os nossos amigos era abatidos pouco a pouco, houve um grito de horror. Então foram abatidos cem. Mas quando foram abatidos mil e a matança não tinha fim, espalhou-se o silêncio.Quando o crime vem como a chuva cai, então já ninguém grita: alto!Quando os delitos se amontoam, tornam-se invisíveis.Quando as dores se tornam insuportáveis, já se não ouvem os gritos.Também os gritos caem como a chuva de Verão.



