Show notes
Para descrever as nuvensmuito teria de apressar-me,pois numa fracção de segundodeixam de ser estas e começam a ser outras.É sua propriedadenão se repetirnas formas, tonalidades, poses e configurações.Sem o peso de qualquer lembrança,pairam sem dificuldade sobre os factos.Mas nem testemunha-los podem,pois logo se dissipam em todas as direcções.Comparada com as nuvens,a vida afigura-se firme,quase duradoura, eterna.Perante as nuvensaté uma pedra parece nossa irmã,na qual se confia,mas elas, enfim, umas levianas primas afastadas.As pessoas que existam, caso queiram,e depois morram uma por uma,as nuvens não têm nada a ver comcoisastão estranhas.Sobre toda a tua vidae sobre a minha, ainda não toda,desfilam com pompa, como desfilavam.Não têm obrigação de morrer connosco.Não precisam do nosso olhar para navegar.



