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O Deus da parecençaque nos costura em igualdadeque nos papel-carbonizaem sentimentoque nos pluralizaque nos banalizapor baixo e por dentro,foi este Deus que deudestino aos meus versos,Foi Ele quem arrancou delesa roupa de indivíduoe deu-lhes outra de indivíduoainda maior, embora mais justa.Me assusta e acalmaser portadora de várias almasde um só som comum ecoser reverberanteespelho, semelhanteser a bocaser a dona da palavra sem donode tanto dono que tem.Esse Deus sabe que alguém é apenaso singular da palavra multidãoEh mundãotodo mundo beijatodo mundo almejatodo mundo desejatodo mundo choraalguns por dentroalguns por foraalguém sempre chegaalguém sempre demora.O Deus que cuida donão-desperdício dos poetasdeu-me essa festade similitudebateu-me no peito do meu amigoencostou-me a eleem atitude de verso beijo e umbigos,extirpou de mim o exclusivo:a solidão da bravuraa solidão do medoa solidão da usuraa solidão da coragema solidão da bobagema solidão da virtudea solidão da viagema solidão do erroa solidão do sexoa solidão do zeloa solidão do nexo.O Deus soprador de carmasdeu de eu ser parecidaAparecidasantaputacriançadeu de me fazerdiferentepra que eu provasseda alegriade ser igual a toda genteEsse Deus deu coletivoao meu particularsem eu nem reclamarFoi Ele, o Deus da par-essênciaO Deus da essência par.Não fosse a inteligênciada semelhançaseria só o meu amorseria só a minha dorbobinha e sem bonançaseria sozinha minha esperança



