
Bom dia, boa tarde, boa noite! Esse é mais um podcast do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar seguimos com um assunto sempre atual no mundo do conhecimento, a segurança e a prática anestésica.
“Esse podcast tem o apoio científico da 3M Health Care.
A 3M acredita no poder da ciência para criar soluções que impactam a vidas dos pacientes, profissionais e instituições de saúde, reduzindo complicações relacionadas à assistência à saúde, como a hipotermia perioperatória.”
Publicada em 2017, todo ato anestésico deve obedecer aos critérios estabelecidos na Resolução do Conselho Federal de Medicina 2.174. Tratam-se de novas orientações de boas práticas. Além da parte burocrática de um documento, a resolução também aborda ações para a segurança do paciente, regulamenta e coloca pontos básicos para eficiência desse processo. A segurança do paciente é uma cultura que merece ações e tecnologias específicas.
O foco peri-operatório precisa estar profundamente enraizado entre os objetivos habituais e, por isso, a continuidade da monitorização e zelo se fazem necessários na sala de recuperação anestésica desde a admissão até o momento da alta. Nela, os pacientes permanecerão monitorizados e avaliados clinicamente quanto à circulação, incluindo aferição da pressão arterial e dos batimentos cardíacos e determinação contínua do ritmo cardíaco por meio da cardioscopia; à respiração, incluindo determinação contínua da saturação periférica da hemoglobina; ao estado de consciência; à intensidade da dor; ao movimento de membros inferiores e superiores pós-anestesia regional; ao controle de náuseas e vômitos; e por último, mas não menos importante, ao controle da temperatura corporal e dos meios para assegurar a normotermia.
O que podemos tirar de mais importante dessa resolução? Eu ressaltaria 3 importantes aspectos: a necessidade de comunicação, a importância da monitorização e o registro claro e transparente dos dados. O foco principal sempre será a prevenção de eventos e um aprimoramento constante da segurança e atenção com o paciente.
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Nov 16, 2020
9 min

Bom dia, boa tarde, boa noite! Esse é mais um podcast do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar seguimos com um assunto sem fronteiras no mundo do conhecimento. Fazendo um trocadilho em inglês, “Being Unprepared for LAST Is the Last Thing Your Patients Need” –não estar preparado para uma intoxicação sistêmica por anestésico local (sigla LAST em inglês) é a ultima coisa que seu paciente precisa.
Embora a incidência de toxicidade sistêmica por anestésico local (LAST) após uma anestesia regional ou local seja rara, esse evento adverso devastador permanece um perigo claro e presente, e que os anestesiologistas devem estar preparados para enfrentar, caso ocorra. Ao mesmo tempo, há uma sensação de que o risco pode ser exagerado e que não justificaria a despesa de manter uma solução emulsão lipídica disponível nas unidades.
Isso motivou a um grupo de Hospital for Special Surgery a realizar uma busca no Premier Healthcare Database entre 2006 e 2016 entre pacientes submetidos à artroplastias de ombro, quadril ou total do joelho. Os pesquisadores identificaram a incidência de casos potenciais de LAST usando uma série de critérios, incluindo:
CID-9 (Nona Revisão da Classificação Internacional de Doenças,) indicando evidência direta da complicação: intoxicação por anestésico local por bloqueio de plexo e nervo periférico; intoxicação por outros anestésicos locais não especificados); ou
resultados substitutos, como convulsões e parada cardíaca, além de uma indicação no prontuário do uso de emulsões lipídicas de 10% e 20% no dia da cirurgia.
Resultados apresentados congresso da Sociedade Americana de Anestesia Regional e Medicina da Dor (resumo 1123), os pesquisadores identificaram 323.555 pacientes que receberam um bloqueio de nervo periférico durante o período do estudo. Entre estes, a incidência geral de LAST foi de 0,17%.
Para artroplastia de joelho e ombro, houve redução da ocorrência de LAST entre os anos de 2006 a 2016. De 0.76% em 2006 para 0.05% in 2016 na artroplastai de joelho. E na de ombro a incidência de 2006 era de 1.48%, chegando a 0% em 2016.
Para a artroplastia total de quadril, por outro lado, as taxas acumuladas caíram de 0,97% para 0,1% em seu ponto mais baixo. Nos anos mais recentes, entretanto, as taxas individuais de parada cardíaca e o uso de emulsão lipídica aumentaram. Especificamente, a parada cardíaca entre pacientes com artroplastia de quadril aumentou de 0,03% em 2013 para 0,08% em 2016, enquanto o uso de emulsão lipídica aumentou de 0% no período de 2006-2015 para 0,01% em 2016.
Embora a metodologia do estudo provavelmente superestima a incidência de LAST, a gravidade do efeito colateral, no entanto, merece atenção dos anestesiologistas.
Se nos preocupamos com eventos como hematoma epidural, intubação difícil ou hipertermia maligna, precisamos estar preparados para as intoxicações por anestésicos locais também. Há necessidade de vigilância, escolha adequada da técnica que garanta mais segurança e a obrigatoriedade de permanecermos vigilantes e não desistir da idéia de que precisamos de soluções lipídicas e protocolos bem práticos para tratar um evento de LAST.
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Oct 19, 2020
5 min

Bom dia Mundo do Conhecimento ! Segue ai o momento do conhecimento, um pouco de arte e cultura a qualquer momento em todo lugar. Compartilhe esse momento com alguém especial na sua vida. Mostre que podemos ser criaturas melhores e perserverar sempre.
Cora Coralina, era Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, uma das mais importantes escritora, poetisa e contista brasileira. Quando publicou seu primeiro livro em 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais), já tinha quase 76 anos de idade, apesar de escrever seus versos desde a adolescência.
Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.
Esse poema se constrói com base na afirmação de uma identidade: ao longo dos versos vemos o eu-lírico destacar aquilo que se tornou. Contempla ao mesmo tempo três tempos: o passado, onde adquiriu as experiências, o presente, onde declara com orgulho ser aquilo que é, e o futuro, onde está aquilo que deseja se tornar. Com uma postura sempre otimista, os versos nos incitam a sermos criaturas melhores e a necessidade de ser resiliente, de perseverar, de tentar outra vez.
Ofertas de Aninha (Aos moços)
Eu sou aquela mulher
a quem o tempo
muito ensinou.
Ensinou a amar a vida.
Não desistir da luta.
Recomeçar na derrota.
Renunciar a palavras e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos.
Ser otimista.
Creio numa força imanente
que vai ligando a família humana
numa corrente luminosa
de fraternidade universal.
Creio na solidariedade humana.
Creio na superação dos erros
e angústias do presente.
Acredito nos moços.
Exalto sua confiança,
generosidade e idealismo.
Creio nos milagres da ciência
e na descoberta de uma profilaxia
futura dos erros e violências
do presente.
Aprendi que mais vale lutar
do que recolher dinheiro fácil.
Antes acreditar do que duvidar.
Cora Coralina
Música: Marcelo Barra, Cora Coralina
Locução: Pablo e Amaline Gusman
Oct 11, 2020
3 min

Bom dia, boa tarde, boa noite! Essa é mais um pílula do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar segue uma dica rápida sobre monitorização do despertar intraoperatório. Bem vindo ao nosso podcast 101!
O despertar intraoperatório com memória , embora raro, é uma complicação angustiante da anestesia geral que está associada a graves sequelas psicológicas. Desde a introdução dos curares e outras drogas bloqueadoras neuromusculares, o despertar intraoperatório se tornou uma significativa preocupação anestésica. Como se tornou um importante desafio, várias metodologias e dispositivos têm sido implementados durante a anestesia geral, na esperança de prevenir o desenvolvimento desta preocupante complicação. Essas metodologias variam desde o monitoramento de sinais clínicos sugestivos de consciência (isto é, taquicardia, hipertensão, lacrimação e sudorese) que sabemos ter baixa sensibilidade até o uso de monitores de eletroencefalografia (EEG) para medir a atividade cerebral.
O despertar intraoperatório com memória se refere à consciência intraoperatória, em casos onde se esperava inconsciência, e ocorreu memória explícita dos eventos cirúrgicos. Embora seja uma complicação rara, pode ser potencialmente devastadora. Isso deve ser diferenciado do despertar intraoperatório sem lembrança ou memória. Altas doses anestésicas são geralmente necessárias para induzir a inconsciência em comparação com a indução de amnésia. Estudos demonstraram que é possível que pacientes respondam a comandos intraoperatórios, mas não lembrem dessas experiências. Quando há uma preocupação com possível despertar intraoperatório, o questionário Brice modificado é uma ferramenta útil na caracterização do evento.
Infelizmente há aproximadamente 1 a 2 casos de despertar intraoperatório a cada 1.000 anestesias gerais, e, entre aqueles com despertar intraoperatório com lembrança/memória, 43% desenvolvem transtorno de estresse pós-traumático. O principal fator contribuinte está relacionado a dosagens inadequadas de anestésico para determinado procedimento. Isso pode ocorrer quando: ● o sistema administrador de anestesia não fornece o anestésico em doses adequadas; ● o paciente que têm necessidades anestésicas elevadas, não são previamente conhecidas; ● o paciente se encontra em estado grave e não tolerar níveis adequados de anestesia; ou ● o sistema de administração de anestesia não funciona corretamente por algum vazamento ou desconexão de infusões venosas.
Estudos sugerem que manter um valor dentro da faixa de anestesia para cada um dos equipamentos é mais efetivo na prevenção de despertar intraoperatório em comparação ao monitoramento de sinais clínicos, e pode ser particularmente eficaz em casos operados sob anestesia intravenosa total sem infusões alvo-controladas. Todavia, quando uma anestesia balanceada com base em anestésicos voláteis é usada, o BIS não mostrou ser mais efetivo do que um protocolo de monitoração dos gases anestésicos expirados na prevenção de despertar intraoperatório. Assim, o uso rotineiro do monitoramento de ondas eletroencefálicas com a única finalidade de prevenir o despertar intraoperatório continua controverso.
A literatura atual sugere que o monitoramento da consciência pode ter outros benefícios potenciais, como promover uma recuperação anestésica mais rápida, diminuir o consumo de drogas anestésicas, reduzir a disfunção cognitiva pós-operatória e oferecer uma estratificação do risco perioperatório. Em última instância, seu uso mais frequente e estudos adicionais é que poderão confirmar o potencial completo de uso rotineiro da monitorização para prevenção do despertar na anestesia geral.
Entre no nosso grupo de discussão no Telegram e acesse o tutorial 416 da World Federation of Societies of Anaesthesiologists que deu origem a esse podcast.
Sep 30, 2020
6 min

Salve, salve mundo do conhecimento! Hoje saímos das 4 paredes do nosso consultório, centro cirúrgico e UTI! Essa é mais uma dica do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar falamos sobre o desafio de sair do sofá e partir para a terra e para o mar!
Conversamos com Dr Kadu Araújo, um dos palestrantes do Congresso do Movimento Médicos Atletas 2020. Ele e outros colegas de várias especialidades abordaram os três pilares da qualidade de vida: saúde mental, comida de verdade e atividade física. Você pode escutar todas as palestras do COMMAT e minicursos do evento. Vá para a página do evento pelo link http://bit.ly/medicosatletas e clique na versão premium! No final desse episódio vou te fornecer um belo cupom de desconto para seu acesso.
Aproveito para te lembrar que é muito importante seu feedback. Dê seu like, sua estrelas, seu jóia onde escutar. Você escolhe Medicina do Conhecimento nos players: Spotify, Deezer, Itunes, Soundcloud, Google Podcast, Youtube e mais outros vários agregadores de podcast. Compartilhe nas suas redes para atingirmos mais colegas de outras especialidades e aumentarmos nosso mundo do conhecimento.
Aproveite o cupom de desconto para a versão premium do Congresso do Movimento Médicos Atlestas! Vá para a página do evento pelo link http://bit.ly/medicosatletas e clique na versão premium! Digite o cupom de desconto COMMAT2020. Você terá 20% de desconto. Veja todas as aulas e os mini cursos: receitas do Médicos na Cozinha, Fotografia sem Segredos, Marketing Digital Médico e Médico investidor.
Escute a rádio web Medicina do Conhecimento pelo link www.medicinaconhecimento.com.br
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Tema musical: Stronger, Kelly Clarkson
Sep 23, 2020
42 min

Bom dia, boa tarde, boa noite! Essa é mais uma pílula do Medicina do Conhecimento. Vamos falar sobre a definição atualizada de dor feita pela IASP sobre as nuances e a complexidade do tema tão presente em nossa prática.
A pesquisa e a compreensão das condições fisiopatológicas e comportamentais da dor evoluíram na última metade do século. Agora, a definição de dor da IASP também mudou. Anunciada em um artigo Pain, a nova definição descreve a dor como mais do que apenas uma experiência resultante de "real ou potencial dano ao tecido”, como foi delineado na definição anterior lançada em 1979. Unindo aspectos psicossociais da dor e a incapacidade de alguns pacientes de verbalizar ou expressar dor, a definição agora funciona para ser mais abrangente na descrição de diferentes experiências humanas e até animais.
A Força Tarefa coordenada adotou diversas abordagens, e expandiu para consultoria externa com especialistas bioéticos, filósofos e linguistas e até mesmo consultoria pública. Com uma melhor compreensão da experiência de dor de um indivíduo, podemos ser capazes de, por meio de uma abordagem interdisciplinar, adicionar uma variedade de terapias para personalizar seu tratamento da dor.O novo conceito permite uma abordagem mais multiprofissional e personalizada a cada indivíduo.
A nova definição, agora formulada como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a, ou semelhante àquela associada a, dano real ou potencial ao tecido, também vem com seis pontos-chave para definir melhor a dor:
(1) A dor é sempre uma experiência subjetiva, que é influenciada, em graus variáveis, por fatores biológicos, psicológicos e sociais.
(2) Dor e nocicepção são fenômenos diferentes; a experiência de dor não pode ser deduzida pela atividade nas vias sensoriais.
(3) Através das suas experiências de vida, as pessoas aprendem o conceito de dor e suas aplicações.
(4) O relato de uma pessoa sobre uma experiência de dor deve ser aceito como tal e respeitado.
(5) Embora a dor geralmente cumpra um papel adaptativo, ela pode ter efeitos adversos na função e no bem-estar social e psicológico.
(6) A descrição verbal é apenas um dos vários comportamentos para expressar a dor; a incapacidade de comunicação não invalida a possibilidade de um ser humano ou um animal sentir dor.
Essa compreensão incorporou aspectos psicossociais da dor, enfatizando especialmente a natureza individualista da experiência dolorosa. Por exemplo, em vez de uma escala de dor de 0 a 10, os pesquisadores passaram a quantificá-la com mais frequência devido à perda de trabalho ou diminuição da qualidade de vida. A incapacidade de verbalizar a dor, eles explicaram, não indica a inexistência da dor.
Há críticas à definição da IASP. Considerada ainda como “cartesiana,” ignorando a multiplicidade das interações mente-corpo, negligenciando “as dimensões éticas da dor” e não abordar adequadamente a dor nas populações fragilizadas e negligenciadas, como os recém-nascidos e os idosos. A definição atual enfatiza o autorrelato verbal em detrimento de comportamentos não-verbais que podem proporcionar informações valiosas, especialmente em animais e seres humanos com cognição comprometida ou inabilidade linguística. Uma preocupação expressa recentemente sobre a definição atual foi que ela exclui os fatores cognitivos e sociais que são inerentes à experiência da dor. Além disso, o termo “desagradável” foi debatido como forte banalizador da dor grave e do sofrimento associado a muitos estados clínicos de dor aguda e crônica e não capta “toda a gama de palavras que poderiam ser usadas para descrever a experiência” e o sofrimento a ela associado. Há argumentos de que a dor crônica pode ser uma doença com seu próprio curso clínico, e, portanto, a definição deveria refletir essa perspectiva. Apesar de discordâncias, a nova análise do conceito tem seus méritos de ter tido maior envolvimento externo publico e um debate profundo do envolvimento de novos aspectos.
Sep 20, 2020
7 min

Bom dia Conhecimento ! Nos outros dias da semana, podcasts sobre ciência e qualidade de vida. Na sua manhã de domingo, arte e cultura. Depois de ouvir esse podcast, se você gostar, deixe seu like, seu joinha e também um coração nos comentários! Vamos nos conectar no mundo da poesia e do conhecimento. Segue mais um momento do conhecimento, um pouco de arte e cultura a qualquer momento em todo lugar.
Pablo Neruda, nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto foi um poeta chileno, considerado um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX. Doutor Honoris Causa da Universidade de Oxford e premiado com o Nobel de Literatura em 1971, enquanto ocupava o cargo de embaixador na França.
Na sua juventude, adotou um pseudônimo para esconder sua obra de seu pai, que não via com bons olhos a carreira de escritor. A escolha do nome "Pablo Neruda" foi uma declaração de afinidade com o escritor checo Jan Neruda. Esse pseudônimo seria utilizado durante toda a vida e tornou seu nome legal, após ação de modificação do nome civil. Seu talento foi valorizado precocemente, tendo publicado o Crepusculário aos 19 anos de idade.
Escreveu não somente sobre a natureza, mulheres e o amor, transformou sua fala como potente arma de engajamento politico partidária. Seus versos que combinam romantismo e revolução são reciclados em várias partes do planeta. De seu livro, Poemas de Amor de Pablo Neruda, escolhemos
O TEU RISO
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas
não me tires o teu riso.
(...)
ri, porque o teu riso será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
(...)
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando os meus passos se forem,
quando os meus passos voltarem,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas o teu riso nunca
porque sem ele morreria.
Pablo Neruda
Música: Perfect – Ed Sheeran
Locução: Pablo Gusman
Sep 20, 2020
3 min

Bom dia, boa tarde, boa noite! Esse é mais um podcast do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar vamos juntos pelo mundo do conhecimento. Quanto custa hiperhidratar nossos pacientes?
Temos idéia de que o custo dos líquidos administrados por nós de forma endovenosa em nossos pacientes não representa efetivamente grande porcentagem do que se gasta durante uma internação, mas o mais importante é saber que o gerenciamento adequado desses fluidos pode melhorar os resultados clínicos, potencialmente economizando milhões em custos operacionais. Em um estudo retrospectivo de quase 200 pacientes, pesquisadores da Universidade de Kansas avaliaram que a ressuscitação guiada por métodos não invasivos guiada pelo volume sistólico em pacientes de UTI com sepse e choque séptico mostraram redução de 2,8 dias na internação no CTI, 13,2% na terapia substitutiva renal, redução do risco de ventilação mecânica em 50% e um economia de mais de 14 mil dólares por paciente.
Apenas 50% dos pacientes hemodinamicamente instáveis respondedores ao fluidos terão um aumento do débito cardíaco e da perfusão. O que nos interessa é saber se nossa microcirculação está satisfeita com nossa oferta! E podemos usar testes como a elevação passiva dos membros inferiores para nos orientar quanto a fluidorresponsividade.
Apesar dos avanços tecnológicos no CC e UTI’s, a avaliação do estado de fluidos na sala de emergência depende principalmente do julgamento clínico à beira do leito usando parâmetros vitais pouco conclusivos como pulso, pressão arterial e diurese. Autores descobriram que a elevação dos membros medida pelo biorreatância é uma ferramenta promissora para a avaliação da responsividade do volume sistólico. Essa ação se torna viável na sala de emergência por ser mais reproduzível do que a técnica de bolus de fluido para avaliar capacidade de resposta ao volume. Isso provavelmente está relacionado mais aos desafios de reprodução do bolus de fluido e às mudanças irreversíveis feitas pela administração do primeiro bolus, que, como esperado, moveu os pacientes para cima da Curva de Frank Starling, limitando assim a aplicação para se guiar a ressuscitação.
Em populações ainda mais sensíveis a volume como os pacientes portadores de falência renal, tem havido muito debate sobre a busca do equilíbrio do volume administrado com importantes implicações de tratamento.
Um modelo multivariado foi construído para prever a mortalidade com um ajuste aplicado à gravidade da doença e avaliação da morbidade. O volume médio de fluidos no dia 1 foram 3,7L (mediana 3,1L), os mais baixos naqueles sem vasopressores (3,2L) e maiores naqueles com Ventilação Mecânica e choque séptico (5,4L). A mortalidade hospitalar foi de 16,5% para os sobreviventes do dia 1, variando de 7,8% naqueles sem ventilação mecânica e sem vasopressores, a 53% entre aqueles com ventilação e vasopressores. Houve associações significativas entre o volume de fluidos do dia 1 e sobrevivência hospitalar. A mortalidade geral foi de 29,3% para aqueles que recebem mais de 9 litros de fluidos. Naqueles que requereram vasopressores e suporte ventilatório, existiu uma associação clara entre o excesso de volume e os resultados, enfatizando uma melhor compreensão das necessidades individuais de fluidos neste população específica.
Portanto, mesmo que por si só não representem grande parte da conta hospitalar, os fluídos merecem ser bem geridos. O excesso ou pelo menos a infusão maior do que o paciente necessita pode levar a um aumento significativo no tempo de internação, exacerbação de comorbidades e piora no prognóstico.
Esse podcast tem o apoio científico da Baxter Hospitalar. Na intercessão entre salvar e prolongar vidas, com seu compromisso de nos ajudar a enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades cada vez maiores nos cuidados do paciente.
Sep 19, 2020
13 min

Estréia dia 17 de setembro!
Bom dia, boa tarde, boa noite e bem-vindo ao Podcast da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA)!
Eu sou Pablo Gusman, do Medicina do Conhecimento, e neste canal traremos informações, dicas, entrevistas e novidades, de uma forma clara, simples e objetiva, sobre saúde ocupacional, defesa profissional, qualidade e segurança para os colegas anestesiologistas de todo Brasil e de todas as partes do mundo! Afinal, vivemos em um mundo sem fronteiras onde você pode escutar nosso podcast a qualquer momento, em todo lugar!
No mundo cada vez mais vibrante e repleto de oportunidades, você precisa de uma fonte segura de informações, respaldada por renomados e conhecidos profissionais. Melhor ainda é ter a chancela da nossa Sociedade, atuando ativamente nos desafios de nossa jornada diária em busca de qualidade e segurança para nossos pacientes, mas com foco principal no profissional anestesiologista.
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Essa é uma parceria da Sociedade Brasileira de Anestesiologia e o Medicina do Conhecimento, afinal, compartilhar é multiplicar!
Sep 13, 2020
2 min

Bom dia, boa tarde, boa noite! Esse é mais um pílula do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar seguimos com uma dica rápida sobre o ERAS em cirurgia pediátrica.
Os benefícios de usar um protocolo recuperação pós-operatória aprimorada e otimizada são reconhecidos em adultos há mais de 2 décadas. Ao manter a homeostase fisiológica e reduzir a resposta ao estresse para cirurgia, os pacientes poderiam ter melhores resultados clínicos, incluindo uma redução no tempo de internação, menor custo e morbidade pós-operatória e o que é melhor, maior satisfação do paciente.
O sucesso do ERAS em cirurgia colorretal resultou em sua adoção em muitas outras subespecialidades cirúrgicas de adultos. E os resultados frente à população pediátrica?
Em 2010, Casey Lion examinou o impacto do desenvolvimento e implementação do ERAS para uma variedade de patologias pediátricas no Hospital Infantil de Seattle. Ao integrar o tratamento baseado em evidências, eles visavam melhorar os resultados dos pacientes, reproduzindo os resultados com os adultos. O estudo, que comparou 3.808 processos antes das admissões hospitalares e 2.902 processos após as admissões, demonstrou uma queda nos custos, uma diminuição constante no tempo de permanência, uma tendência de melhoria do funcionamento físico e mas nenhuma diferença significativa nas taxas de readmissão de 30 dias.
Três anos depois, West comparou os resultados de 34 crianças submetidas à ressecção colorretal eletiva para doença inflamatória intestinal usando métodos de cuidados perioperatórios compatíveis com o programa ERAS. O tempo total de permanência no grupo pediátrico foi mais longo em comparação com o grupo adulto (6 vs 9 dias). Os pacientes pediátricos também tiveram início de dieta sólida e mobilização no pós-operatório mais tardios. No entanto, não houve diferença no tempo de retorno da função intestinal, readmissões em 30 dias, ou morbidade hospitalar total, sugerindo que a adoção de um protocolo sistematizado em cirurgia pediátrica pode resultar em melhora de resultados.
Em uma análise crítica, existem alguns argumentos a respeito do ERAS nessa população pediátrica:
Há uma percepção de que há teríamos menos a melhorar os resultados em crianças por passarem a impressão de recuperação com menor morbidade e mortalidade associadas à cirurgia em comparação com adultos.
A heterogeneidade na idade e no estágio de desenvolvimento fisiológico e neurológico dificultam a comparação direta entre as crianças e extrapolação de dados de adultos.
Há falta de evidências de alta qualidade para a introdução de vários elementos em cirurgia pediátrica, por exemplo, profilaxia de tromboembolismo venoso.
Um questionamento duro sobre a 'arte da medicina' sendo perdida pela protocolização incessante, diminuindo a habilidade e a importância da opinião do médico.
Há um impacto percebido do ERAS na redução da eficiência da sala de cirurgia. A crença de muitos médicos de que as práticas baseadas em evidências já são amplamente adotadas e que eles 'já estão fazendo ERAS' .
Preocupação de que a alta precoce possa levar a complicações que ocorrem em casa com taxas de readmissão correspondentes mais altas.
Já vivemos isso antes pelo mundo, por exemplo com a implantação do processo de cirurgia segura. Com o passar dos anos, resultados foram nos mostrando que a sistematização do processo ajudou na redução dos maiores problemas na sala operatória. Agora é esperar pela expansão de um processo focado no paciente pediátrico cirúrgico e identificarmos nosso papel como anestesiologistas na melhoria constante da assistência e segurança não apenas do pequeno paciente, mas de toda sua família.
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Sep 13, 2020
6 min
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