Inspira
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INSPIRA - RC BRASIL
Mística: você não vê, você sente. Então, aperta o play e inspira. Deixe-se inspirar. Inspire-se
Tenho Sede
Autor: Pe. Gabriel Bárcena, L.C. O que significa “que se instaure o Reino de Cristo”? Não podemos responder com indiferença a essa pergunta, porque no Reino está a razão de ser de todos nós, cristãos. Devemos buscar cotidianamente, em nossas vidas, que Cristo reine em nossos corações e na sociedade e, para isso, o Reino nos oferece inspiração, motivação e o sentido para todos os nossos anseios, buscas e realização. Somos chamados a ser “Reino de Cristo”: Jesus quer “fazer novas todas as coisas” (Ap 21,5) em nós e assim reinar em nossas vidas; Ele quer que nos revistamos do homem novo à Sua imagem (Cl 3,10) até que possamos adquirir “os mesmos sentimentos Dele” (Fl 2,5). Para isso, Ele deve ser a inspiração para todos os nossos pensamentos, palavras e ações. Ao mesmo tempo, Cristo nos convida a colaborar para instaurarmos o Seu Reino no coração dos demais, em nossas comunidades e em toda a sociedade. Podemos dizer que Cristo está reinando quando Sua voz fala às consciências de todos os homens com os quais nos relacionamos, quando o amor a Ele persevera nos que Nele acreditam e dá pleno sentido às suas vidas. Sede de Cristo: “Tenho sede” (Jo 19, 28) Com essas palavras Jesus nos revela o desejo de reinar que arde em Seu coração: Jesus tem sede de reinar a cada dia em mais almas, sede de oferecer todos os dons reservados aos Seus filhos para que vivam com alegria e liberdade de espírito, sem amarras internas ou externas. Ele tem sede de partilhar conosco, sede de nos acompanhar, sede de ser nosso suporte, sede de abrir nossos horizontes... Jesus tem sede de que reconheçamos nossas fragilidades e pecados e de que se manifeste em nós a Sua graça, que entendamos a missão para a qual fomos criados e para a qual Ele nos chama. Quando Jesus disse “tenho sede”, no momento de Sua crucificação, Ele deixou mais uma vez explícita a Sua sede de amor por nós, mostrando que nos deseja e que cabe a nós saciarmos a sede d’Ele. Esse pedido foi feito quando se entregava na cruz, por amor a nós, para a nossa salvação. Maior exemplo de amor e entrega não há. Nessa entrega apostólica para a instauração do reino de Cristo nos corações das pessoas e para a saciedade de Sua sede, temos que colocá-Lo como o centro, o critério e o modelo da nossa vida, com um coração magnânimo e lutador. Temos que ser o “sal” que dá o sabor ao alimento ao se dissolver (Mt 5, 13). A fé que ilumina nossa missão evangelizadora irá nos permitir enxergar o rosto de Cristo e a obra de Deus em cada pessoa que cruze nossos caminhos. A missão é urgente porque Cristo tem urgência de que o fogo do Seu amor acenda em todos os corações (Lc 12, 49). O amor de Cristo nos impulsiona para isso (2Cor 5,14). Que venha o Reino de Cristo. É a nossa súplica diária e constante. Vamos dar sentido ao nosso lema, façamos isto com a consciência da urgência e da eternidade que lhes são próprias. Vamos permitir que a sede que clama por Jesus Cristo seja saciada. Deixemos que cada um de nossos atos, realizados por amor a Deus, seja como encher os pulmões para exclamar: Cristo, Rei nosso, Venha a nós o Vosso Reino! Esta é a nossa missão.
Apr 20, 2021
4 min
A missão dos leigos
Queridos membros do RC, O CIC no número 898 descreve assim o papel dos leigos na Igreja: “é específico dos leigos, por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus...A eles, portanto, cabe de maneira especial iluminar e ordenar de tal modo todas as coisas temporais, às quais estão intimamente unidos, que elas continuamente se façam e cresçam segundo Cristo e contribuam para o louvor do Criador e Redentor” No número seguinte o CIC traz uma fala de um discurso do Papa Pio XII em 20 de fevereiro de 1946. Neste discurso, Pio XII diz: “Os fiéis leigos estão na linha mais avançada da vida da Igreja: graças a eles a Igreja é o princípio vital da sociedade humana.” Meus queridos, o Papa fala, e o Catecismo repete, que nós, fiéis leigos, estamos na linha mais avançada da vida da Igreja. A linha avançada, no vocabulário militar, é aquela linha de frente, o primeiro contingente de soldados a entrar em contato com o inimigo numa batalha. A linha avançada de um exército é aquela capaz de penetrar o terreno do inimigo ou de defender o próprio território quando este é invadido. São os soldados mais valentes que dão o primeiro combate e que de um modo ou de outro acabam por definir os rumos de uma guerra. Essa analogia nos ajuda a compreender nosso papel de leigos no mundo. Todos nós sabemos que está em curso no mundo uma luta entre o poder das trevas e o poder de Deus. Nós sabemos que a Igreja luta contra as poderosas forças do mundo para fazer prevalecer a mensagem de Cristo. E nesse contexto tomamos essa fala de Pio XII para refletir metaforicamente o papel do leigo do Reino Christi. Todos temos visto como a nossa Igreja é atacada por todos os lados. Não só a nossa Igreja, mas a nossa fé, nossos costumes, nossas famílias. Até mesmo o conceito de ser humano, criado a imagem e semelhança de Deus tem sido atacado fortemente desde os tempos modernos. Nessa batalha nós temos hoje em dia alguns inimigos clássicos como a ideologia de gênero, o aborto e o secularismo de um modo geral. Mas temos também aqueles inimigos de sempre: o pecado do mundo que nos rodeia: a sensualidade, a soberba, a luxuria, a gula, o individualismo, o hedonismo etc. Meus amigos, alguns de nós poderia olhar a sua volta e dizer: meu Deus! Em que mundo nos encontramos?! Essa experiência, contudo, não pode ser uma fonte de desmotivação para um cristão. Porque um soldado desmotivado é uma presa fácil do inimigo. Porque antes mesmo do Concílio Vaticano II a Igreja já afirmava: nós somos a linha avançada da vida da Igreja! Repito a frase de Pio XII: “Os fiéis leigos estão na linha mais avançada da vida da Igreja: graças a eles a Igreja é o princípio vital da sociedade humana.” Graças a nós, na vivência real e cotidiana do Evangelho, a Igreja se faz presente como princípio vital da sociedade! Que responsabilidade! É nesse contexto em que o nosso movimento quer ser um meio, uma ajuda, pra podermos assumir a responsabilidade que a Igreja deposita em nós! O Regnum Christi é um meio para nos ajudar a ter uma vida espiritual! Para nos preparar pra sermos apóstolos nesse mundo real em que estamos inseridos! Cabe a mim, depende de mim, viver nesse mundo e enfrentar esses problemas! Cabe a mim, me entregar nessa batalha e levar a Cristo como minha maior bandeira! Mas como seremos a linha de frente, como sobreviveremos no front de batalha, se não rezamos! Se não nos fortalecemos, se não nos formamos suficientemente?! Oxalá nos convençamos de uma vez por todas dos meios e atividades que o Regnum Christi nos propõe. Da vida de oração! Da direção espiritual! Da vida de equipe! Do apostolado constante! Porque eu e você precisamos e muito de todos esses meios para corresponder aquilo que a Igreja desde muito entendeu ser o nosso papel.
Feb 23, 2021
5 min
Maria, embaixadora de Cristo
Autora: Bianca de Mattos Pensar em Maria, traz ao coração diferentes experiências pessoais, a maioria delas têm como fundamento o texto bíblico. No Evangelho de São Lucas, capítulo 1, a partir do versículo 26, encontramos o relato do anúncio que o anjo Gabriel fez a Maria. O anjo lhe trazia uma mensagem da parte de Deus. Maria, logo que recebeu a mensagem, aderiu a ela, viveu-a em plenitude e permanece até hoje comprometida com as consequências dessa mensagem, e nós estamos implicados (graças a Deus) nestes efeitos! Mas, e se pensamos também em todas as mensagens que Ela mesma anunciou ao mundo? Em Lourdes, Fátima, nos Alpes franceses, na cidade do México, em Paris e outros lugares encontramos suas palavras maternais, seus conselhos, sua intercessão. Como se nos repetisse várias vezes: “Fazei tudo o que Ele lhes disser” (Jo 2,5). Então, podemos dizer que Maria é uma verdadeira “Embaixadora de Cristo” na terra e em nossas vidas. Ou seja, podemos perceber a presença de Maria como uma mulher muito maternal, com uma autoridade única e incumbida da missão de, não só transmitir a mensagem de Cristo, mas também de nos convencer dela, de nos apaixonarmos por ela, a missão de nos ajudar a acolher esta mensagem especialmente por meio de seu exemplo. Fazer essa experiência significa distinguir, basicamente, 2 realidades: “Quem é Maria?” e “Quem sou eu?” Um questionamento feito não como dúvida ou receio, mas como busca interior, para não nos conformarmos a significados apreendidos, às vezes somente memorizados. São perguntas que exigem respostas profundas e que podem ser encontradas, sobretudo, na oração pessoal. Saindo do âmbito experiencial, podemos citar a belíssima Ladainha de Nossa Senhora, pois ali encontram-se títulos e significados sobre Ela: “Mãe do Salvador”, “Mãe do Redentor”, “Mãe Imaculada”, “Virgem poderosa”, “Virgem fiel”, “Causa de nossa alegria”, “Rainha assunta ao céu”, “Rainha dos apóstolos”, “Rainha da Paz” e vários outros. São invocações e, ao mesmo tempo, são respostas para nossa sede de sentido e de significado. Outros também, ao longo da história, se permitiram a mesma pergunta. São Maximiliano Kolbe, por exemplo, meditando nas aparições de Lourdes, perguntou-se várias vezes: “Quem sois ó Imaculada Conceição?” E, em 1941, duas horas antes de ser sequestrado pela Gestapo na Polônia, escreveu essa resposta teológica, que chegaria a ser a mais importante da sua vida: a Imaculada Conceição criada, ou seja, Maria, está plenamente unida à Imaculada Conceição incriada, ou seja, o Espírito Santo. Ela, Maria, e o Espírito Santo são dois, mas numa só carne, fazendo aqui referência a Gênesis 2, 24 e Mateus 19, 6. O Espírito Santo está vivo na alma de Maria e a fecunda desde o primeiro instante de sua existência para sempre. E é o Espírito Santo quem concebe, imaculadamente, a vida divina, o Homem-Deus no seio da alma de Maria, sua Imaculada Conceição. Maria é a esposa do Espírito Santo. Se algumas pistas já foram dadas para a primeira pergunta, resta apenas responder a segunda: “Quem sou eu?” Vamos nos transportar para a colina Tepeyac, 1531, e ali escutaremos, da boca de Nossa Senhora de Guadalupe, esse diálogo com São Juan Diego: “Ouve, meu filho, o que eu vou dizer-te: não te aflija coisa alguma, nem temas enfermidade nem outro acidente penoso. Não estou aqui eu, que sou tua Mãe? Não estás debaixo de minha proteção e amparo? Não sou eu vida e saúde? Não estás em meu regaço e não andas por minha conta? Tens necessidade de outra coisa? (…)” Nossa Senhora de Guadalupe responde quem sou eu: Sou Filho, muito amado, de uma Mãe poderosa; que não precisa temer nada; sou protegido e amparado constantemente; recebo ternura, consolo, companhia, saúde, vida... O que mais eu necessitaria? Tudo muito simples, mas muito profundo... Que ambas as perguntas e suas respostas possam abrir nosso horizonte de experiência e proximidade com Nossa Senhora!
Feb 9, 2021
7 min
Sentido de eternidade
Autora: Gisele O tempo passa diante dos nossos olhos e o que viveremos na eternidade é decidido aqui, nesse momento terreno. Não sabemos quanto tempo teremos para crescer em santidade e amizade com Cristo, a vida é uma só e vivemos ela apenas uma vez. Se deixarmos de fazer uma obra de misericórdia, uma caridade, uma inspiração, já não podemos voltar e realizar. Quem nunca teve uma experiência parecida? Apesar da oportunidade perdida, Deus não nos convida a vivermos pensando no passado, com o que poderíamos ter feito. Muitas vezes nos escravizamos e colocamos peso demais no que poderia ter sido diferente. Aquele momento se foi, mas sempre temos uma nova oportunidade, uma nova chance, a misericórdia e o amor de Deus é infinito e não devemos esquecer disso. Apesar de não sabermos o tempo que temos pela frente, uma amiga intercessora já nos deu uma dica, Santa Madre Teresa dizia que “Não é o quanto fazemos, mas quanto amor colocamos naquilo que fazemos. Não é o quanto damos, mas quanto amor colocamos em dar.” Como tem sido a sua entrega nas obrigações diárias com a sua família, amigos e no trabalho? São feitas no automático? Movido pela correria de uma vida cheia de compromissos ou encontramos você ali, encontramos uma marca sua ali presente?  Cada vez mais parece que o tempo é rápido demais e que não conseguimos realizar tudo que queremos ou deveríamos. Vale mais uma atividade bem feita, organizada do que muitas sem profundidade e incompletas. Somos chamados a realizar grandes feitos em nome do nosso Senhor Jesus Cristo e Ele não media esforços para ir ao encontro daqueles que precisavam da sua palavra, companhia, do seu olhar. Jesus sabia que não tinha muito tempo com os seus, e fazia dos momentos com cada um eterno, com o selo de uma vida que não termina aqui, com os olhos fixados no céu.  Nós também recebemos esse chamado, de não viver a vida sem sentido, passando os dias, anos e décadas sem ter como meta o céu. É na comunhão com Deus que podemos experimentar um pouco a eternidade que um dia poderemos viver com a graça vinda Dele.  Buscar todos os dias e em nossos compromissos fazer presente o Reino dos céus, dando sentido de transcendência ao dom que recebemos o “tempo”, que não é vilão, é um presente que nos ajuda a realizar em plenitude nossa vocação. Só temos o agora. Como dizia Santa Teresinha “Só temos o curto instante da vida para dá-lo ao Bom-Deus.”
Jan 26, 2021
3 min
Gratuidade
Autor: Luiz Flávio “De graça recebestes, de graça deveis dar” Mt10, 8 Estas forma as palavras de Jesus ao enviar os apóstolos a anunciar o Reino dos Céus, que está próximo. O que receberam os apóstolos de graça, senão a experiência de Cristo, enviado do Pai, o apóstolo por excelência, o Amor em pessoa. E o que significa isso se não receber a salvação que estava por realizar por toda a humanidade. Este é o cerne da experiência e do anúncio de que o Reino dos Céus está próximo e está presente, se faz presente em Cristo. Basta lembrar como conhecemos a Cristo, como e quando fomos profundamente amados e perceberemos foi por iniciativa dEle ou de outro e sem interesse, sem nada precisar em troca, apenas muito recebi e quase sempre nos gerou uma vontade enorme de retribuir ou dar também a outros. Em tudo Deus é gratuito. Gratuitamente nos criou. Gratuitamente nos amou. Gratuitamente não nos abandonou às consequências do pecado e nos salvou. Gratuitamente se encarnou e entregou seu Filho por amor a nós. Em tudo Deus é gratuito, pois Deus é Amor e o amor é gratuito. Experimentar e compreender a caridade é deixar-se penetrar por essa graça, que de graça se dá, de tal forma que amamos tudo e todos gratuitamente tal como Deus nos ama e quer amar em nós. Jesus, após reunir os apóstolos, mostra-lhes esse amor próprio do Seu coração, os envia para anunciar o Reino com essa orientação clara: “De graça recebestes, de graça deveis dar.” E assim fizeram os apóstolos, transmitiram o que viram, ouviram e experimentaram de graça, a todos, ao máximo que puderam, sem reservas, sem outros interesses se não de compartilhar o maior bem que receberam: a salvação em Cristo. Conscientes de que o Reino é dom sabem que não depende somente deles e do quanto possam e mereçam, não se detém em suas limitações e fraquezas mas permitem que Cristo conceda e realize através deles, através dos dons e talentos que Deus lhes deu, pra variar, gratuitamente. Assim também o membro do Regnum Christi que vive essa experiência com Cristo se sente impelido por seu profundo e gratuito amor a dar-se generosamente em serviço a Deus e à humanidade, sem reservas, sem troca, sem interesse se não unicamente o de dar o que de graça lhe foi dado.
Jan 19, 2021
3 min
Crescer com a mente e o coração
Autora: Gisele Gonçalves   Crescer com a mente e o coração é uma tarefa que Jesus nos chama a realizar em nossas vidas, e ele mesmo nos ensina, como São Lucas bem relata em seu evangelho "E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens.” (Lc 2, 52). Assim também deve ser o caminho para a nossa formação integral. O próprio Jesus nos mostra que não crescemos em um aspecto da vida de maneira isolada, que somos seres integrais e não fragmentados. A formação espiritual, esbarra na formação humana, apostólica e intelectual. E ao conhecer Jesus não conseguimos mais sermos os mesmos. Algo dentro de nós começa a se mover, o encontro com o Amado nos faz olhar para o velho homem que existe dentro de nós, e deseja que Ele nos transforme, que faça novas todas as coisas. Transforma a nossa vida para que Ele continue a sua missão através de nós. E quando estamos unidos ao mistério de Cristo, ele se faz presente em nossas vidas, de maneira concreta, no tempo atual. O nosso papel como filhos amados do Pai é de facilitar o trabalho de Deus. Certa vez ouvi de uma diretora espiritual que a nossa vida é como um quadro que está sendo pintado, não conseguimos ver o que está sendo realizado, apenas a tela ao contrário, branca. As vezes um olhar mais atento do pintor. Não recebemos uma prévia do que está sendo construído, mas a nossa tarefa é mexer o menos possível para não atrapalhar o artista a realizar a sua obra. Buscar a formação intelectual, humana, espiritual e apostólica são as ferramentas que Deus nos dá para sermos o melhor servo que Ele pode ter. Nos conhecendo, conheceremos as qualidades, dons, fragilidades e defeitos que precisamos trabalhar e melhorar. E é a partir desse conhecimento que podemos ver Deus agindo em nossas vidas e na vida dos outros. É reconhecendo nossas limitações que vemos a mão de Deus, os talentos e dons dados quando são postos em serviço encontramos a graça divina.  O mistério de Cristo é uma realidade viva, Jesus “ensina-nos a ver, pensar, sentir, agir, querer, como Ele” (Identidade do Regnum Christi). Com um coração unido, um convívio íntimo com Jesus, vamos transformando nossa realidade humana, buscando o trabalho das virtudes, crescendo em amizade através da oração e da vida de graça, compreendendo como através das obrigações cotidianas e da profissão damos Glória a Deus. Ele ensina “o que significa ser rei a partir dos critérios do Reino de seu Pai. Com a sua própria vida, mostra-nos que a verdadeira liderança, consiste em dar testemunho da verdade, em servir aos irmãos.” (Identidade do Regnum Christi). Entrar nessa aventura é ter a certeza de que não voltaremos mais a ser como éramos antes, que haverá momentos de dificuldade e sofrimento, afinal reconhecer nossas limitações não é tarefa fácil. Mas é também experimentar a misericórdia e o amor infinito de Deus, viver em paz e liberdade para ser aquilo que Ele sempre sonhou para nós. Para quem sabe um dia possamos dizer como São Paulo "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim." (Gl 2, 20)
Jan 12, 2021
4 min
Unidos à videira
Autor: Pedro Kropf Jesus disse: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará;e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim.Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." João, 15  Todo final de ano fazemos um balanço de realizações e acontecimentos daquele ano. E ai vem a pergunta: fazemos também um balanço dos frutos que geramos? Jesus fala do fruto. Ele revela a expectativa do Pai em que demos frutos para o Reino de Deus. Então nos perguntemos: tenho dado frutos? Ofereci a Deus frutos para o seu Reino em 2020? Ajudei pessoas? Levei a palavra de Deus nos ambientes em que estive? Dei testemunho da minha fé? Permiti que a minha fé fosse uma luz nos momentos de escuridão? Tanto para mim como para os meus irmãos? Que difícil é responder a essas perguntas! Mas é preciso fazê-lo com maturidade, com generosidade e com honestidade! Essas perguntas são muito importantes. Mas além delas, há outras. Quiçá anteriores. Eu permaneci unido à videira? Eu permaneci unido a Cristo em 2020? Fui um cristão de oração, de vida espiritual? Bebi da seiva de Deus que leva a verdadeira vida? Soube deixar-lhe o tempo necessário e calar o coração para escutar a sua voz? Porque se não nos dedicamos a isso já saberemos então as respostas às primeiras perguntas: não demos fruto. E não sou eu quem falo isso, é Jesus. João, capítulo 15, versículo 4: "O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira." O curioso é que Santo Agostinho diz que Deus pode tirar o bem de qualquer circunstância, mesmo do pecado, desde que o amemos. De fato, quem ama, se esforça, se cai, levanta, recobra as força e busca oferecer o melhor ao amado. Ou seja, o caminho está posto: amar a Deus e permanecer unido a Ele. Meus irmãos, os frutos não são nossos. São de Deus. São para Deus. É Ele que os colhe a seu tempo. E Ele saberá colhê-lo até dos ramos mais imperfeitos que recebem a sua seiva. Nós, membros e amigos do Regnum Christi devemos saber, mais do que nunca, que não há fruto apostólico sem um mínimo de vida espiritual! Olhemos, pois, para frente! 2021 se abre à nós e uma nova oportunidade é dada para àqueles que pretendem ser amigos de Deus! Façamos hoje, aqui e agora o firme propósito de permanecermos unidos a videira! Não abandonaremos a oração! Nunca abandonaremos os sacramentos! Daremos a Deus o que lhe pertence! Permitiremos que nosso coração atue em sintonia com o seu. Deixemos que Deus seja o Deus! E nunca mais aceitemos a mediocridade de vivermos nem um só dia como se fóssemos filhos órfãos! Porque Jesus é a maior prova de amor de Deus por nós! E ele veio para que tenhamos a vida, e a tenhamos em abundância.
Jan 5, 2021
6 min
Ele nos revela o amor do seu coração
Autor: Pedro Kropf Senhor, tua vida e teus evangelhos nos revelam todos os tesouros de teu coração. Em primeiro lugar constatamos toda a tua devoção ao Pai. Teu coração, senhor, antes de mais nada, é um coração dirigido ao pai. Tua busca, teus atos, teu semblante, tudo na tua vida reflete o teu amor e tua entrega ao Pai. Tu tens e nos revela, verdadeiramente, um coração enamorado pelo Pai. E que bonito também é ver tua amizade e teu carinho pelos teus discípulos. Nunca nos esqueceremos de tua célebre frase: “já não vos chamo servos...” De fato, nunca trataste teus discípulos como servos. Sempre os acompanhastes, os ensinastes, lavaste-lhes os pés e morreste por eles, como por todos nós. “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida pelos seus amigos”. Teu coração também nos revela um grande amor ao mundo. Diante da perdição de Jerusalém, choraste. E enviaste 72 discípulos a pregar, exortando que tua messe é grande e te faltam operários. Contudo, senhor, em muitas ocasiões todos esses amores não bastaram para que eu me desse conta dos tesouros do teu coração, e do principal deles. O ponto de virada foi quando nos revelaste a pérola especial que guardavas no teu peito: teu o amor pela ovelha perdida. Que amor! Que amor, Senhor! Um amor que transforma teu semblante e que te deixa inquieto. Um amor que te leva a deixar um rebanho inteiro para trás para encontrar, abraçar e encher de beijos aquela ovelha desgarrada. Um amor que te permite celebrar uma festa em qualquer hora ou dia da semana! “haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão” Com esse amor, senhor, tu revertes completamente a nossa clave de leitura do próximo... Pois tu mostras um inconfundível afeto por aqueles que, aos pobres olhos humanos, seriam os que menos mereceriam. Devo reconhecer, Senhor, que tua predileção desinteressada pela ovelha perdida nos constrange em todo nosso egoísmo, em toda nossa soberba, nos levando a conhecer os verdadeiros desígnios do coração do Pai. E assim caminhando, me dou conta que na verdade essa ovelha perdida também sou eu. Eu e cada um de nós! Que em várias circunstâncias nos desviamos da filiação divina. Nos perdemos, vagamos por lugares alheios aos teus campos verdejantes. Mas tu, Senhor, nos encontraste! Nos tomaste nos braços! E no caminho de volta a casa nos recordaste de cada um dos amores do teu coração! Desse caminho, Senhor, eu nunca me esqueço. Foram momentos de luz, que marcaram profundamente a minha alma. Pude conhecer o teu amor em primeira pessoa, e agora quero permanecer para sempre em teu rebanho.
Dec 29, 2020
4 min
O natal é luz
Autor: Pedro Kropf Estamos nos aproximando do Natal, essa festa linda e preciosa, cheia de luz para nossas almas. Curioso é que nesse período do Advento nosso coração vai se aquecendo. Pouco a pouco vamos contemplando os presépios, os enfeites de Natal e vamos entrando no clima capaz de comover os mais duros corações. Esse período nos faz também recordar as pessoas importantes da nossa vida. Isso tudo acontece porque O Natal é luz. É a luz de Cristo que vem ao mundo como um sol para nos aquecer e para nos salvar. E quanto essa festa nos ensina! Nós, membros do Regnum Christi, podemos aprender de Jesus, que não veio ser servido, mas veio para servir e dar a vida em resgate de muitos! De fato, Jesus veio só para servir! Logo na sua chegada percebemos que ele não teve sequer um lugar comum para nascer. Não houve quem servisse o mestre com um quarto de hospedaria. Ninguém o recebeu como hóspede. E esse fato aparentemente não incomodou nem a ele nem a seus pais. Longe de ofuscar, esse fato na verdade vem revelar: ele veio para servir! Ele está a nosso serviço! Sua luz é o maior serviço que ser poderia oferecer a uma alma! Quanta luz nos traz o seu Natal! É no simples e no discreto que Deus se revela e nos transforma! Sabemos que em Belém havia muitas pessoas. Mas foi aos pastores do campo que a sua luz chegou primeiro. Jesus, Jesus. Naquele dia se ocultou das multidões e na quietude daquele estábulo começou a cumprir sua missão! É também assim, Senhor, que essa tua simplicidade pretende penetrar meu coração. E no silêncio dessa noite especial transformar a minha alma com a tua luz, com a tua paz. “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrarei descanso para vossas almas, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (Mt, 11, 28-30) Que bonito, meus irmãos. Que precioso momento podemos viver nesse Natal! Esse Cristo que deve ser nosso critério, modelo e exemplo nos ensina a colocar-nos a serviço dos nossos irmãos! E não queiramos usar as circunstâncias em que nos encontramos como desculpas! Jesus, Maria e José teriam todas as desculpas do mundo para não receberem visitas naquela hora da noite, após um parto doloroso, num lugar sem a mínima estrutura ou aconchego! Mas o aconchego de Deus é a sua paz! Maria e José, apesar dos contratempos, se colocam a serviço dos irmãos desconhecidos que bateram à sua porta. Com esse exemplo eles nos mostram a força de sua da generosidade; e seu amor ao serviço. Quem não vive para servir, não serve para viver! Certamente naquela noite se deu o primeiro Encontro com Cristo da história. Os pais e os pastores em torno do menino Jesus, que iluminou e ressignificou a história de suas almas. Também eu te peço hoje Senhor. Ilumina a minha alma. Vem no teu silêncio e resgata o meu coração. E que eu aprenda de ti, Senhor e me coloque a serviço do outro. Para que por meio do meu humilde serviço a tua luz também ilumine a vida dos meus irmãos. Amém!
Dec 22, 2020
4 min
Maria, mulher da escuta e da espera
Autora: Elisa, consagrada MARIA, MULHER DA ESCUTA E DA ESPERA A nossa Redenção nasce do coração de Deus; de suas entranhas de misericórdia. E se concretiza no tempo, através de uma mulher. Graças ao sim de Maria, mulher da escuta; mulher da espera; mulher da esperança; mulher do cumprimento das promessas de Deus. “Chegada a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Fillho, nascido de uma mulher, nascido sob a Lei, para resgatar os que estavam sob a Lei, a fim de que recebêssemos a adoção filial” (Gal 4, 4) “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra; por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus” (Lc 1, 35) O Verbo se faz carne no seio de Maria; é Ela quem acolhe em primeiro lugar a salvação de Deus; o próprio Salvador. Maria: mulher que permanece à escuta. Mulher que, nessa escuta, percebe a voz de Deus e se deixa penetrar pelo seu Amor, pelo Espírito Santo, para dar vida. O amor é criador, é expansivo, é fecundo por natureza. O número 19 do Estatuto do Regnum Christi nos convida a uma atitude de escuta e docilidade ao Espírito Santo: “O Espírito Santo, consolador e doce hóspede da alma, é o guia e artífice de nossa transformação em Cristo e da fecundidade apostólica. Por isso, cultivamos uma relação íntima com Ele e buscamos ser dóceis às suas inspirações para caminhar com parresia pela senda da vontade de Deus”. Maria é para nós o modelo de quem sabe escutar e se deixar guiar e transformar pelo Espírito, para dar vida. Escutar e esperar precisam de fortaleza. São os espíritos fortes na fé que permanecem à escuta sem desistir, certos da fidelidade de Deus, que sempre responde para o maior bem dos que o amam. Maria viveu muitos anos à escuta; Ela não imaginava nem suspeitava a grandeza da sua vocação e missão, mas permaneceu atenta; permaneceu fortemente ativa no silêncio, na oração e no serviço; nas pequenas e grandes escolhas por amar, por sair de si mesma em prol do outro; no discernimento diário do querer de Deus; nas opções por viver a santidade sem sua realidade. Espera ativa de quem crê, e cada dia colabora ativamente com a ação de Deus nela mesma e ao seu redor. Quando pensamos em espera, muitas vezes pensamos em algo estático; nada mais longe do que isso. Enquanto Maria espera, está fortalecendo o amor e o desejo pelo Amado; enquanto Maria espera, com a sua vida clama “Vem, Senhor” e trabalha ativamente para que Ele venha. E quando Ele vem, Maria o acolhe com prontidão, com alegria e com fé, porque é por quem Ela esperou todo esse tempo. Maria encarna nela mesma a unidade da contemplação e da ação. Ela é, por excelência, a discípula contemplativa e evangelizadora: contemplando na vida, se encontra com o Deus Amor que sai ao seu encontro a cada momento; e a contemplação se transforma em evangelização, seja pelo serviço ativo, seja pela intercessão e na oração. Maria é a mulher da escuta ao longo da vida; também da espera. Escuta e espera na Anunciação em Nazaré, em Ain Karim com Isabel, no presépio de Belém, aos pés da cruz em Jerusalém, no Sábado Santo, e à espera do Espírito Santo, em Pentecóstes. Mulher de escuta, mulher de espera. Mulher forte na fé e no amor. Nos ensine a ser homens e mulheres de escuta e de espera, para deixar o Amor penetrar o mais profundo de nós, e assim colaborar com o Senhor na tarefa da evangelização dos corações e da sociedade.
Dec 15, 2020
4 min
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