As fintechs vão dominar o setor bancário?
No ecossistema das startups, o termo fintech tem ganhado os holofotes, principalmente no Brasil. Mas por que isso acontece e, mais ainda, o que configura uma fintech?
Cada vez mais ouvimos falar de fintechs, de uma maneira quase viral. Mas o que são? São startups que oferecem crédito, marketplaces de crédito, meios de pagamento, e-wallets, cálculo de análise de risco, bancos digitais - toda uma sorte de atuações que fecham essa cadeia financeira. Por fim, é toda startup que se baseia em um modelo financeiro para se remunerar.
De rápida penetração, as fintechs ganharam um espaço considerável nos últimos 5 anos. Enquanto bancos tradicionais querem atender a todas as demandas de seus clientes, fintechs se especializaram em serviços específicos, numa espécie de movimento de unbundling. Resolvendo uma dor específica do cliente e se especializando naquele produto. O resultado, é uma melhora na experiência do cliente.
No entanto, ainda há muito glamour permeando o termo - muitas vezes aplicado de maneira equivocada para valorizar um serviço “tradicional”.
O brasileiro Nubank tem chamado atenção no mundo. Hoje banco digital, ele surgiu como um cartão de crédito gratuito. Hoje, ele segue uma tendência de se tornar um full bank, atingindo a marca de 20 milhões de clientes em janeiro de 2020 - além de ter se tornado um “decacórnio” com o valor de mercado de US$ 10 bilhões.
Seu principal impacto foi ajudar o público geral a entender as facilidades que a tecnologia pode trazer, principalmente em um vasto mercado de pessoas ainda desbancarizadas. A princípio, ele mirou na geração Z, os nativos digitais habituados a uma linguagem mais informal, e, aos poucos, ganhou espaço com a propaganda boca a boca, seu principal canal de aquisição.
“Não acredito que em cinco anos teremos apenas um vencedor. Acho que no Brasil temos muitas oportunidades em diferentes setores. Não teremos uma concentração bancária tão forte”, diz Frederico Pompeu, sócio do BTG e Head do boostLAB (e que você ouve em nosso episódio do podcast). “Isso também vai em linha com a agenda dos agentes de regulação, que buscam incentivar a criação de novos players”.
Considerando o cenário brasileiro, esses reguladores são dos mais progressistas, incentivando a concorrência, o que quebra concentração bancária que existe hoje.
Com exceção Estados Unidos e China, que são outliers em qualquer segmento, o Brasil está bem colocado no cenário mundial, com um grau sofisticado de empreendedorismo. Essas boas histórias ajudam a fomentar nosso ecossistema.
E ainda os temas:
- O processo de “fintechzação” generalizada: se auto rotular como fintech acaba passando uma mensagem de maior valorização no mercado e muitas empresas tradicionais estão olhando para isso como uma maneira de entrar na onda e capitalizar em cima dessa tendência;
- Como o AliBaba desenvolveu a Ant Finantial: usando o conhecimento do comportamento do consumidor para uma melhor experiência. Tudo pelo bom uso de dados;
- A expectativa de como os bancos tradicionais estão acompanhando essa movimentação, seja pensando na aquisição de startups, seja trazendo respostas criadas dentro das instituições mesmo, caso do Iti, do Itaú.
Convidados:
Arthur Garutti, partner ACE
Frederico Pompeu, Sócio do BTG Pactual e Head do boostLAB



