Doutor 98FM
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98FM Curitiba
Carlo Valério Andrade, o Doutor 98FM, retrata o dia a dia de um médico nos pronto-atendimentos de Curitiba-PR, através de crônicas que vão prender sua atenção e te mostrar conhecer os desafios de uma das profissões mais admiradas do mundo. Dr. Carlo Valério Andrade| CRM-PR 35.499
#57 - O silêncio dos afogados
Gritos no meio da serra, no meio do nada. Acionada com urgência, a viatura dos bombeiros atravessa sacolejando a velha estradinha, tentando encontrar a dita cuja pedreira abandonada. É o verão que vem chegando, trazendo consigo os inevitáveis afogamentos. Na chegada da guarnição, a perplexidade de sempre. Dois corpos em silêncio, estendidos nas margens do imenso lago artificial formado pela chuva. Dois irmãos, daqueles que não se desgrudam por nada. Um de doze outro de dez. Tragédia. Como ninguém no local soube estimar o tempo de afogamento, os bombeiros decidem seguir o protocolo, iniciando as manobras de reanimação. Isso porque não é tarefa simples diferenciar se um afogado está morto ou se está em parada cardiorrespiratória. Infelizmente, as massagens torácicas, seguidas pelas insistentes ventilações, não surtiriam qualquer efeito sobre os meninos. Imagino que você deva estar se perguntando - assim como eu - como essas desgraças ainda podem acontecer. Como pode haver tantos lugares assim, com até vinte e tantos metros de profundidade, sem qualquer restrição de acesso à água ou sinalização de perigo? Represa, cava, lago, rio, tanque... é surpreendente saber que o número de óbitos nesses locais muitas vezes é maior do que os registrados em nossas praias, nas operações de verão. Mais que isso, é uma lástima saber que muitas dessas vítimas são crianças de famílias de baixa renda que - por falta de opções de lazer - acabam atraídas para essas armadilhas a céu aberto, geralmente sem saber nadar e longe dos seus responsáveis ou de qualquer tipo de supervisão. Esse texto não tem a pretensão de mudar o comportamento de ninguém, simplesmente porque certas coisas nunca mudaram. Nem mudarão. Contudo, por se tratar de um tipo de morte brutal e desesperadora, fica aqui o meu lamento. Pelas crianças que se afogaram. E pelas que ainda se afogarão. Pense nisso, até a próxima, se cuida. “ * * *
Oct 31, 2018
2 min
#56 - O salvador da pátria
Idolatrado por muitos, o ar-condicionado pode ser considerado um desses salvadores da pátria. Ainda mais nesses dias de fúria solar, nos quais temos a sensação - e a convicção - térmica de estarmos sentados em um forno a lenha. Seja em casa, na escola, no trabalho ou no shopping. Seja no carro, no ônibus ou até mesmo no avião. A presença dos aparelhos de ar-condicionado é cada vez maior em praticamente todos os cantos. Contudo, e sempre existe um contudo, para algumas pessoas o aparelho está muito mais para vilão do que para mocinho. Sinusite, faringite, rinite, laringite, bronquite, pneumonite... são apenas alguns dos ‘ites’ que costumam invadir os consultórios médicos nessa época quente do ano. Tudo potencializado pelo hábito condicionado do ar refrigerado. Muitos dos malefícios acontecem pelo uso exagerado do ar-condicionado, no qual o aparelho é usado por um período prolongado em temperaturas congelantes. Além disso, grande parte dos aparelhos não passa por qualquer revisão de seus filtros, que costumam acumular todo tipo de sujidades e microorganismos nocivos à saúde. Por fim, a mudança brusca de ambiente - úmido para seco, gelado para quente - promove uma verdadeira bagunça em nosso corpo, ressecando mucosas e trato respiratório. A prevenção, claro, passa pelo uso racional do aparelho, pela manutenção preventiva de seus filtros e dutos, pela hidratação com muita água e aplicação de soro fisiológico para evitar o ressecamento das narinas. A briga maior talvez não seja com o aparelho, mas entre aqueles que o amam e os que o odeiam. No final, o que deveria prevalecer é o respeito à saúde do próximo. Sempre. Pense nisso, se cuida e até a próxima. “ * * *
Oct 31, 2018
2 min
#55 - O homem pedra
Aos poucos a noite vai tomando conta do plantão de sábado. É quando uma ambulância dos bombeiros chega apressada, com suas luzes e sirenes exageradas. A bordo, imobilizado na prancha e com colar cervical, um senhor completamente coberto com cimento. Só consigo distingui-lo de uma estátua pelo branco dos olhos, e porque normalmente estátuas não têm o costume de gritar de dor. Pois é. Pedreiros, encanadores, eletricistas, carpinteiros, pintores... é no fim de semana que esses ‘profissionais’ resolvem reformar suas próprias casas e isso inclui, muitas vezes, uma visita indesejada ao pronto-socorro. Dessa vez, seu Demétrio inventou de rebocar uma parede externa, no alto de seu sobrado. Num tropeço, rolou pelo telhado caindo de uns três metros de altura numa caixa de madeira, daquelas usadas para o preparo da argamassa. O resultado? Diversas escoriações, luxação de quadril, fratura de duas vértebras lombares e cimento por toda parte, incluindo algumas cavidades do seu corpo. Após analgesia endovenosa, radiografias e uma tomografia caprichada, seu Demétrio foi liberado para um banho na maca, antes de ser encaminhado para o centro cirúrgico. Como o cimento já havia secado, a enfermagem levou quase uma hora para removê-lo e, quando terminou, o paciente estava com a pele toda avermelhada pela agressão química do produto. Felizmente, no final das contas tudo deu certo. Nosso homem de pedra teve sua coluna lombar fixada com placas de metal e três dias depois já estava em sua casa, pronto para novas reformas. Seu Demétrio, preciso deixar registrado aqui o meu abraço. Peço perdão por qualquer coisa e agradeço por contaminar a todos aqui com o seu otimismo, bom humor e, claro, muito cimento. “ * * *
Oct 31, 2018
2 min
#54 - O Homem-bomba
A ambulância dos bombeiros invade barulhenta e sem cerimônia um conhecido shopping da cidade. Na praça de alimentação sangue por todo lado. Forçando a fita de contenção, colocada às pressas pela polícia, uma pequena multidão se faz curiosa. Sim, é sangue mesmo. Não é mertiolate. Espalhadas pelo chão, três pessoas alvejadas após o desentendimento entre dois marmanjos. O motivo não poderia ser outro se não a mistura certa de mulher errada com chope. Trazidos para o hospital, apenas dois sobreviveram. Se você acompanha os noticiários, já deve ter percebido que ataques terroristas viraram moda em todo o mundo. Mas o Brasil cultiva um tipo curioso de terrorismo. Aqui não se espalha o terror por motivos políticos, religiosos ou por disputas territoriais. Aqui não tem essa bobagem de homem-bomba. Nosso negócio é homem-burro mesmo. Daqueles que frequentam armados locais públicos sem o menor equilíbrio psicológico, colocando todos em risco por motivos como futebol, brigas fúteis, dinheiro alheio, ciúmes de mulher e, claro, por bebedeira. O acesso a armas de fogo nunca foi tão simples, tanto pelas vias legais quanto paralelas. Do mesmo modo, a obtenção do porte não chega a ser um desafio intelectual. O que salva é que estamos no Brasil, não é? Somos um povo afável, pacífico e gentil. Contudo, e na dúvida, o melhor talvez seja se trancar em casa. Pense nisso, até a próxima, se cuida. “ * * *
Oct 31, 2018
1 min
#53 - O corredor
Hoje 53 motociclistas vão morrer em nosso país. O que você tem feito para tentar ficar fora da lista? Noite apurada no pronto-socorro. Os socorristas quase derrubam a porta da emergência. Mais uma motocicleta prensada no corredor entre os carros. Marcelo, 26 anos, fraturas múltiplas, apresenta-se confuso, gemente e imobilizado na tábua. Quando me encosto na maca para assinar a papelada e liberar os bombeiros, sinto o paciente agarrar o meu jaleco. - Cuida da minha mulher... – sussurra assustado, por entre o colar cervical. De sobressalto, olho para a ambulância entreaberta na plataforma escura e percebo outra maca com mais uma vítima, coberta com lençol. Olho perplexo para o socorrista, que discretamente faz um não com a cabeça. Quer saber? A emergência envelhece a gente. Vontade de colocar minha viola dentro da sacola. Pouco importa se você usa a sua moto como ferramenta de trabalho, para transporte ou apenas pra passear. Gostaria apenas que guardasse essa parte da história: circular pelo corredor pode ser um péssimo negócio. De verdade. Quase metade das colisões entre motocicletas e automóveis acontece no polêmico corredor entre os carros. E bota polêmico nisso. Sem o corredor, a motocicleta perde toda a sua dinâmica e razão de ser. Contudo, também é no corredor que o motociclista nos mostra toda a sua fragilidade. Associe esse ambiente hostil à necessidade de correr contra o tempo, coloque a velocidade acima da inteligência e pronto: eis mais uma vítima do trânsito. Não tenha a inocência de acreditar que todos os condutores enxergam você, pois pensar assim chega a ser infantil. Mais que isso, entenda que há algo de impossível em tentar prever os movimentos dos outros veículos quando se está no corredor. No final das contas, circular por entre os carros é uma solução que traz consigo riscos que poucos motociclistas parecem conhecer. Mas a lista dos 53 é renovada, todos os dias. E a minha esperança em você também. “ Pense nisso, até a próxima, se cuida. * * *
Oct 31, 2018
2 min
#52 - O balde
Se existe uma dor que eu desejo apenas para o meu pior inimigo, certamente é aquela provocada pela pancreatite aguda. Foi o que aconteceu com o pobre coitado infeliz do Lucas, que precisou ser carregado para o hospital. A dor abdominal era tão exagerada que ele mal conseguia respirar. Embora tivesse apenas 36 anos, seus exames eram de uma pessoa com 63. Pré-diabetes, colesterol alto, triglicerídeo elevado, ácido úrico lá na estratosfera... segundo ele próprio, tudo ‘herança de família’. Pois é. Chega a impressionar a quantidade de pacientes que carregam sobre os ombros a certeza de que terão as mesmas doenças de seus antepassados. O que muitos confundem é herança genética com herança de hábitos nocivos. Talvez o seu pai tenha diabetes porque chutou o mesmo balde que o seu avô, alimentando por décadas um namoro sério com doces e guloseimas. Então, se você chuta - e quebra - o mesmo balde, é quase como comprar uma passagem só de ida para o planeta dos diabéticos. Simples e natural assim. Naquele internamento, Lucas teve a convicção de que morreria. Mas não morreu, recebendo alta com uma receita médica quilométrica, composta por uns nove medicamentos de uso diário. Passados dois anos, alguém tocou gentilmente meu ombro na fila da lotérica. Era o Lucas num largo sorriso. Para minha surpresa, estava bem mais magro do que quando o conheci. Em poucas palavras foi me contando que, depois do susto, criou vergonha na cara e parou de enfiar o pé no balde. Comprou uma bicicleta usada e passou a comer sem exageros. De quebra, não precisou mais tomar remédios, dando uma bela rasteira em sua ´trágica´ herança familiar. Muito feliz por você, Lucas. Os baldes agradecem. Pense nisso, se cuida e até a próxima. “ * * *
Oct 31, 2018
2 min
#51 - No bico do papagaio
Seu Luis era quase sócio da unidade de saúde. A cada duas semanas, batia ponto na madrugada do postinho na busca sofrida para uma senha de consulta. No fundo, o que desejava era mais uma ‘injeçãozinha’ que aliviasse uma dor que castigava as suas costas há muitos anos. Seu Luis faz parte de um exército de 27 milhões de brasileiros que sofrem com problemas na coluna. Hérnia de disco, dor no pescoço, bico de papagaio, dor no ciático, escoliose, lordose, cifose... são queixas frequentes na rotina do médico e que só perdem, em números, para os casos de gripe e resfriado. Não é uma queixa boba. Em termos de afastamentos do trabalho, a dor nas costas é o principal motivo elencado pelos peritos do INSS. Dependendo do paciente, há comprometimento das atividades diárias, restrição ao trabalho, prejuízo do sono, alterações no humor e até depressão. Mas o que alguns pacientes não aceitam - e acabam descontando toda a sua fúria sobre os médicos - é que a saúde da coluna passa, invariavelmente, pelo condicionamento físico. Pacientes idosos, sedentários, ou mesmo os que trabalham no pesado, pecam aí, pois depositam suas esperanças apenas em medicamentos e cirurgias, o que pode ser bastante decepcionante. De longe, os casos com melhor resolução são aqueles em que acontece a reeducação postural, o fortalecimento e alongamento de músculos e, claro, o respeito às limitações do próprio corpo nas tarefas do dia a dia. Infelizmente poucos aderem a essa sugestão de tratamento, alegando que a dor impossibilita a prática de qualquer atividade física. Na prática, o paciente acaba indo na contramão de sua melhora, ficando dependente de medicamentos pelo resto de sua via. O que vemos, então, é uma vida arrastada. Repleta de lamúrias, lamentações e muitas, muitas injeções. Pensa nisso, até a próxima, se cuida. “ * * *
Oct 31, 2018
2 min
#50 - Nasceu!
Então é Natal... E aí, este ano você foi bonzinho? Mesmo com tanta gente indo pra praia nessa época de festas, o pronto-socorro estava lotado, empilhado pela dor e desconforto tão típicos de nossa celebrada saúde pública. Talvez não haja lugar melhor para se conhecer uma sociedade do que um pronto-socorro. Os corredores da emergência revelam mais do que as nossas perdas e infortúnios. Também está ali o resultado de nossas burrices, diferenças, vícios, paixões, pecados e claro, nosso estranho gosto pela violência. Imprudência, negligência, impaciência, dependência, intransigência, abstinência, não tem jeito... uma hora o resultado de nossas incoerências vem parar no hospital. E pelo visto o plantão daquele dia não seria diferente. Na imensa sala de observação quase não havia espaço para tanta muvuca. As macas estavam tão juntas, que uma ‘socialização’ forçada acontecia entre os pacientes. E lógico, a igualdade do SUS faz com que os ‘bonzinhos’ fiquem misturados entre algemados, bêbados e desenganados. O que todos têm em comum? Todos querem fugir dali. Entre gritos, apelos e reclamações, percebi algo de diferente no ar. Era a porta do centro cirúrgico, que se abriu num sobressalto, trazendo a todos no pronto-socorro um som inconfundível. Era simplesmente o choro sentido de um bebê, trazido todo enroladinho no colo de uma enfermeira. Para ser sincero, parecia muito mais um pãozinho de forma, todo apertadinho no pano cirúrgico. Após um trabalho de parto complicado, a pediatria suspeitou de uma fratura de clavícula no recém-nascido, que agora precisava usar a sala de radiografia da emergência. À medida que a enfermeira atravessava o longo corredor com o nosso pequeno paciente, um silêncio atento foi tomando conta de todos. Por um momento, a fragilidade e a força daquela criança surpreendeu e calou a todos por completo. Sabe, a vida tem dessas coisas. A gente pensa que sabe dela. Mas o milagre dela ainda nos encanta. Um feliz natal para você Pense nisso, até a próxima, se cuida. “ * * *
Oct 31, 2018
2 min
#49 - Nas alturas
Dias desses, atendi a uma paciente com pressão alta. Na verdade, sua pressão estava lá nas alturas, com um valor astronômico de 23 x 12 mmHg. - Que bom, assim eu morro logo – falou a senhora de 62 anos, debochando por completo da notícia. Nosso país conta com um exército de 30 milhões de hipertensos. Além de não saberem disso, muitos têm uma noção equivocada da doença, acreditando que o principal risco seja o infarto do coração. Não é bem assim. Quando o coração trabalha sob alta pressão, uma das consequências pode ser o derrame, também conhecido por  acidente vascular cerebral (AVC). Em poucas palavras, o sangue chega com tamanha força no cérebro que seus vasos acabam sofrendo algum tipo de prejuízo. O resultado usualmente não é a morte, mas sequelas neurológicas que podem condenar a pessoa a uma cama por décadas. Dependendo da extensão do AVC, a pessoa não consegue falar, se alimentar, caminhar e precisa de ajuda para coisas simples, como banho e troca de fraldas. É quando acontece o que chamamos de tragédia familiar, pois alguém precisará cuidar dessa pessoa. Alguém de casa terá que parar de trabalhar ou estudar ou então alguém precisará ser contratado para cuidar do doente, comprometendo, muitas vezes, o orçamento da família. A pressão alta pode dar dor de cabeça, palpitações, dor no pescoço, sensação de peso nas pernas... contudo, em muitos casos, ela pode se manifestar de maneira perigosamente silenciosa. Muitos casos parecem estar relacionados com os ‘privilégios’ da vida moderna. Aumento da expectativa de vida, sedentarismo, obesidade, estresse, alimentação descuidada... E a sua pressão arterial, como está? Na dúvida, meça ela hoje. Seja no postinho de saúde ou em alguma farmácia. Caso ela esteja acima de 12 x 9, procure seu médico o quantos antes. Pense nisso, até a próxima, se cuida. “ * * *
Oct 31, 2018
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#48 - Na sua carne
Um momento de silêncio se faz após todo acidente grave de trabalho. É aquele segundo em que a pessoa fica sem ação, perplexa pelo pior ter acontecido. Depois vem o desespero e o choro, acompanhados de toda a dor. Foi o que aconteceu com Teodoro, quando num descuido teve sua mão esquerda decepada numa serra de desossar carne suína. Na metade de um instante sua mão estava lá. Na outra metade já não estava mais. Simples, rápido e cruel assim. Trazido em choque pelo resgate, restou apenas o cuidado de parar o sangramento, repor volume com a transfusão de algumas bolsas de sangue, receitar analgésicos e antibióticos para o paciente e encaminhá-lo para a cirurgia para o fechamento em coto. Mas quanto valia a mão de Teodoro? Em minha inocente opinião, valia milhões de reais. Talvez muito mais. Para ser sincero, me assusta a maneira descartável como muitas empresas tratam seus trabalhadores. Sem dúvida, nossa indústria frigorífica é uma potência na produção de carnes. E na produção de acidentes de trabalho também. Aves, bovinos, ovinos e suínos... apenas no Paraná de 2012, o beneficiamento de carne causou o afastamento de duas mil pessoas de seus postos de trabalho. A maioria, algo em torno de 65%, por acidentes envolvendo maquinário e instrumentais de corte afiadíssimos. Os demais foram afastados pela hostilidade natural do serviço. Pressão das empresas por maior desempenho, jornadas exaustivas em ambiente gelado, exigência de movimentos repetitivos, exposição ao cheiro típico e difícil da carne e o convívio diário com a morte de animais. Tudo que potencializa o cansaço, a depressão e o estresse, predispondo a acidentes e doenças crônicas, tanto orgânicas quanto psicológicas. Particularmente, não gosto de atender esses trabalhadores. A maneira como são usados e desprezados me incomoda e lembra muito uma fila. Tal qual a fila de um abatedouro. Pense nisso, até a próxima, se cuida. “ * * *
Oct 31, 2018
2 min
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