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QUARTA, 05/10/2022: Precisávamos ter um segundo turno para aprofundar o debate, disseram. O debate começou tão profundo, mas tão profundo, que foi parar nas profundezas do inferno.
No segundo dia de campanha, o que dominou a discussão nas redes sociais foi a guerra santa com fake news ligando Lula ao satanismo impulsionadas pelo bolsonarismo e, do outro lado, uma campanha redescobrindo as ligações de Bolsonaro e de seus aliados mais próximos com a maçonaria.
De tédio, não morreremos. Confesso que a reação bolsonarista ao vídeo de Bolsonaro na maçonaria me arrancou largos sorrisos na primeira reação. Mas, ao dormir no assunto, a diversão deu lugar à preocupação.
Infelizmente, esse debate envolvendo religião e crenças dos candidatos parece chamar mais atenção e ser mais relevante para muitos eleitores do que os problemas reais do país.
O país que Lula e Bolsonaro disputam tem 33 milhões de pessoas passando fome. E daí? Tem o maior índice de informalidade no trabalho da história. E daí? Tem a reputação no exterior manchada por quase 4 anos de um governo sabujo. E daí? Tem a educação, a saúde e a economia em frangalhos. E daí? Tem corrupção generalizada num governo comandado por amigos de milicianos. E daí?
Vamos discutir quem fez pacto com o demônio. De um lado, um influencer provavelmente contratado para fazer campanha negativa contra Lula associando o ex-presidente ao satanismo. Do outro lado, a constatação de que Bolsonaro é próximo dos maçons, o que causou um barata-voa na campanha do atual presidente, principalmente entre os evangélicos.
Enquanto isso - ou apesar disso -, a política segue funcionando e os anúncios de apoios no segundo turno não estão muito diferentes da guerra santa nas redes sociais. O PDT e o Cidadania apoiam Lula. Ciro Gomes também, embora nem cite o nome do ex-presidente. Os governadores de Minas e Rio, além do derrotado Rodrigo Garcia do PSDB em São Paulo, estão com Bolsonaro. Os tucanos se dividiram e quatro ex-presidentes do PSDB defendem apoio a Lula. Até José Serra está com Lula e há expectativa para anúncio de apoio do ex-presidente FHC.
Porém, esses apoios políticos parecem ter menos relevância para decidir o voto de muitos eleitores do que saber quem fez coligação com o capeta. A derrota civilizatória que o início do debate no segundo turno deixa evidente é do tamanho do ego do Ciro Gomes ou da vergonha que eu sinto ao ver apoiadores de Lula usando fake news ridículas para atacar Bolsonaro. Do atual presidente a gente até espera isso, mas da militância lulista eu confesso que esperava mais do que um cosplay coletivo de André Janones.
SAIBA MAIS: https://primeiro.cafe/
APOIE: https://apoia.se/primeirocafe
No segundo dia de campanha, o que dominou a discussão nas redes sociais foi a guerra santa com fake news ligando Lula ao satanismo impulsionadas pelo bolsonarismo e, do outro lado, uma campanha redescobrindo as ligações de Bolsonaro e de seus aliados mais próximos com a maçonaria.
De tédio, não morreremos. Confesso que a reação bolsonarista ao vídeo de Bolsonaro na maçonaria me arrancou largos sorrisos na primeira reação. Mas, ao dormir no assunto, a diversão deu lugar à preocupação.
Infelizmente, esse debate envolvendo religião e crenças dos candidatos parece chamar mais atenção e ser mais relevante para muitos eleitores do que os problemas reais do país.
O país que Lula e Bolsonaro disputam tem 33 milhões de pessoas passando fome. E daí? Tem o maior índice de informalidade no trabalho da história. E daí? Tem a reputação no exterior manchada por quase 4 anos de um governo sabujo. E daí? Tem a educação, a saúde e a economia em frangalhos. E daí? Tem corrupção generalizada num governo comandado por amigos de milicianos. E daí?
Vamos discutir quem fez pacto com o demônio. De um lado, um influencer provavelmente contratado para fazer campanha negativa contra Lula associando o ex-presidente ao satanismo. Do outro lado, a constatação de que Bolsonaro é próximo dos maçons, o que causou um barata-voa na campanha do atual presidente, principalmente entre os evangélicos.
Enquanto isso - ou apesar disso -, a política segue funcionando e os anúncios de apoios no segundo turno não estão muito diferentes da guerra santa nas redes sociais. O PDT e o Cidadania apoiam Lula. Ciro Gomes também, embora nem cite o nome do ex-presidente. Os governadores de Minas e Rio, além do derrotado Rodrigo Garcia do PSDB em São Paulo, estão com Bolsonaro. Os tucanos se dividiram e quatro ex-presidentes do PSDB defendem apoio a Lula. Até José Serra está com Lula e há expectativa para anúncio de apoio do ex-presidente FHC.
Porém, esses apoios políticos parecem ter menos relevância para decidir o voto de muitos eleitores do que saber quem fez coligação com o capeta. A derrota civilizatória que o início do debate no segundo turno deixa evidente é do tamanho do ego do Ciro Gomes ou da vergonha que eu sinto ao ver apoiadores de Lula usando fake news ridículas para atacar Bolsonaro. Do atual presidente a gente até espera isso, mas da militância lulista eu confesso que esperava mais do que um cosplay coletivo de André Janones.
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