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QUINTA, 08/09/2022: A expectativa era que o futuro ex-presidente Bolsonaro usasse os atos de 7 de setembro para atacar a democracia e incentivar um golpe. A realidade é que ele usou a data para passar recibo de que sofre com problemas de impotência. Essa foi a declaração que mais repercutiu de Bolsonaro ontem: o presidente tentando puxar um coro de "imbrochável" para si mesmo logo após fazer novos ataques às mulheres e beijar a primeira dama em um comício pago com dinheiro público em Brasília.
O fato é que milhares de bolsonaristas sequestraram a data que deveria marcar o Bicentenário da Independência do Brasil de Portugal. Em Brasília, São Paulo e no Rio as manifestações foram grandes e reuniram milhares de bolsominions. O presidente falou em Brasília e no Rio.
Na capital federal, assistiu à parada militar do 7 de setembro ao lado do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa. Em um dado momento, o presidente de Portugal ficou de lado para dar lugar ao Véio da Havan no palanque oficial. Uma provocação direta ao ministro Alexandre de Moraes, que há semanas determinou operação da PF contra empresários bolsonaristas, entre eles Luciano Hang, suspeitos de financiar os atos antidemocráticos e de tramarem golpe em caso de vitória de Lula.
O machismo do presidente ficou evidente quando ele propôs uma comparação entre a sua esposa e a esposa do ex-presidente Lula. E ainda defendeu que os homens solteiros achem uma "princesa". Na sequência, ressaltou sua suposta virilidade sexual - coisa que não podemos conferir pois ele colocou 100 anos de sigilo na sua ficha médica - e beijou a primeira-dama. Nos bastidores, a própria TV Brasil flagrou o que pareceu ser um momento de discussão entre o presidente e a primeira-dama antes do desfile em carro aberto.
Na parte da tarde, no Rio, Bolsonaro usou o discurso de pouco mais de 15 minutos para atacar Lula e para dar check em todas casas da cartela do bingo do seu discurso extremista: aborto, família, ideologia de gênero etc.
Entre os apoiadores do presidente, as ameaças golpistas de sempre. Várias faixas e cartazes contra o STF apareceram nas manifestações, além de um guindaste que exibia um ataque fascista à jornalista Vera Magalhães. Durante toda a quarta-feira, Bolsonaro ganhou uma superexposição na mídia para falar o que queria. Falou sobre tudo, menos sobre o Bicentenário da Independência.
Em resumo, Bolsonaro esticou a corda ao máximo e a Justiça Eleitoral não vai poder fazer nada porque faltam 24 dias para a eleição. Cassar a candidatura dele agora, embora haja motivos de sobra para isso só nos atos de ontem, incendiaria o processo eleitoral. Apesar de reunir milhares de pessoas, numa demonstração de força, o golpe não veio. E, assim, fica tudo para a urna.
ANÁLISE DO 7 DE SETEMBRO
Recebemos a cientista política Ana Prestes, nossa colunista, para avaliar o que foi o 7 de setembro.
SAIBA MAIS: https://primeiro.cafe/
APOIE: https://apoia.se/primeirocafe
O fato é que milhares de bolsonaristas sequestraram a data que deveria marcar o Bicentenário da Independência do Brasil de Portugal. Em Brasília, São Paulo e no Rio as manifestações foram grandes e reuniram milhares de bolsominions. O presidente falou em Brasília e no Rio.
Na capital federal, assistiu à parada militar do 7 de setembro ao lado do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa. Em um dado momento, o presidente de Portugal ficou de lado para dar lugar ao Véio da Havan no palanque oficial. Uma provocação direta ao ministro Alexandre de Moraes, que há semanas determinou operação da PF contra empresários bolsonaristas, entre eles Luciano Hang, suspeitos de financiar os atos antidemocráticos e de tramarem golpe em caso de vitória de Lula.
O machismo do presidente ficou evidente quando ele propôs uma comparação entre a sua esposa e a esposa do ex-presidente Lula. E ainda defendeu que os homens solteiros achem uma "princesa". Na sequência, ressaltou sua suposta virilidade sexual - coisa que não podemos conferir pois ele colocou 100 anos de sigilo na sua ficha médica - e beijou a primeira-dama. Nos bastidores, a própria TV Brasil flagrou o que pareceu ser um momento de discussão entre o presidente e a primeira-dama antes do desfile em carro aberto.
Na parte da tarde, no Rio, Bolsonaro usou o discurso de pouco mais de 15 minutos para atacar Lula e para dar check em todas casas da cartela do bingo do seu discurso extremista: aborto, família, ideologia de gênero etc.
Entre os apoiadores do presidente, as ameaças golpistas de sempre. Várias faixas e cartazes contra o STF apareceram nas manifestações, além de um guindaste que exibia um ataque fascista à jornalista Vera Magalhães. Durante toda a quarta-feira, Bolsonaro ganhou uma superexposição na mídia para falar o que queria. Falou sobre tudo, menos sobre o Bicentenário da Independência.
Em resumo, Bolsonaro esticou a corda ao máximo e a Justiça Eleitoral não vai poder fazer nada porque faltam 24 dias para a eleição. Cassar a candidatura dele agora, embora haja motivos de sobra para isso só nos atos de ontem, incendiaria o processo eleitoral. Apesar de reunir milhares de pessoas, numa demonstração de força, o golpe não veio. E, assim, fica tudo para a urna.
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