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#392 Ciro apresenta sua versão paz e amor no Jornal Nacional | Ive Brussel e o caminho para derrotar a extrema-direita nas redes
56 minutes Posted Aug 24, 2022 at 11:00 am.
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QUARTA, 24/08/2022: Foi gritante a diferença entre as entrevistas de Bolsonaro, na segunda, e de Ciro Gomes, ontem, no Jornal Nacional. Tanto na postura dos candidatos quanto na pressão dos entrevistadores. Enquanto Bolsonaro usou mentiras e passou 40 minutos acuado, Ciro Gomes prometeu mundos e fundos e contou com a ausência de questionamentos sensíveis.

Ciro apresentou no Jornal Nacional a sua versão paz e amor. Isso depois do desastre que foi a sua entrevista ao Roda Viva e, mais lá atrás, aquela fatídica live com o humorista Gregório Duvivier. Ciro parecia outra pessoa no JN de ontem. O candidato histérico deu lugar a um político controlado, educado e despejando conteúdo a cada resposta, o que mostra o seu preparo após 40 anos de vida política.

O problema é que além de parecer outra pessoa, Ciro também parecia falar outra língua. Diante de uma audiência de massas, ele bem que tentou simplificar sua fala, mas não conseguiu. A promessa sobre "plebiscito programático" é um exemplo da dificuldade que o candidato do PDT tem para falar com o povo. Durante a entrevista não foram poucos os jornalistas e analistas que diziam nas redes sociais que estavam com dificuldades para entender as propostas do candidato rebelde.

No início, Ciro foi cobrado sobre sua postura beligerante. Admitiu que às vezes passa do ponto e, se dirigindo a Renata Vasconcellos, disse que até deveria considerar a pergunta dela. Na sequência, por diversas vezes, se corrigiu trocando palavras mais duras como "picareta" por expressões mais suaves. A postura visava demonstrar humildade, mas ficou na cara a falsidade das suas intenções.

Ciro foi perguntado sobre vários temas: relação com o Congresso, a falta de apoios à sua candidatura, economia, meio ambiente e segurança pública. Ele evitou falar os nomes dos adversários, citando Lula e Bolsonaro diretamente apenas 6 vezes cada. O PT foi atacado, inclusive com citações à Venezuela e à Nicarágua quando Ciro respondia sobre populismo dos plebiscitos que propôs e disse que pretendia olhar mais para a Europa do que para esses países… A gente sabe.

Ciro Gomes também prometeu que não será candidato à reeleição. O próprio FHC já disse que se arrependeu da emenda da reeleição que ele mesmo propôs. Deve ter se arrependido também de ter comprado votos para aprová-la. Na entrevista, Ciro apontou, de forma certeira, como essa possibilidade de reeleger governantes prejudica a democracia.

Ciro soube aproveitar muito bem o fato de saber que não tem chance de ganhar a eleição e prometeu transformar o Brasil num mar de rosas em 4 anos. Ele até tentou dizer que tem um projeto para 30 anos, mas ele concorre a uma mandato de 4 e tem 6% das intenções de voto, então vamos ficar com a realidade ao invés do discurso eleitoreiro.

Seguramente, ele ganhou votos e não perdeu nenhum. Se Ciro tivesse adotado essa postura desde o início da pré-campanha, talvez hoje tivesse mais do que 6%. Mas sabemos que manter o controle por 40 minutos é mais fácil do que por 4 anos sob pressão.

Por outro lado, as perguntas de Willian Bonner e Renata Vasconcellos foram pouco provocativas. E acho que um jornalista que tem a chance de entrevistar Ciro Gomes, sabido cabeça-quente, e não faz provocações perde uma oportunidade de honrar o diploma.

Enquanto Ciro estava controlado e educado, o mesmo não se pode dizer de sua turma boa na internet. A agressividade dos ciristas era flagrante nos pouco mais de 10 mil tweets sobre a entrevista, que, aliás, repercutiu bem menos do que a de Bolsonaro e também deu menos audiência, como já era esperado.

ENTREVISTA COM IVE BRUSSEL
No segundo tempo do Primeiro Café vamos receber Ive Brussel, produtora de conteúdo e fenômeno do TikTok que fala sobre política. Ela vai contar porque resolveu ocupar esse espaço nas redes e avaliar a reação coletiva ao bolsonarismo nas redes.

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