"passar a boiada" é sacrificar a Terra
A fala do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de que era preciso "aproveitar" a pandemia para "ir passando a boiada" de desregulamentações marcou a reunião interministerial que expôs a crise que é o governo de Jair Bolsonaro um ano atrás, 21.04.2020.
Neste um ano desde então, o governo não apenas obteve sucesso em fazer com que diversas áreas do governo criassem normas e portarias que diminuíram o controle ambiental, como conseguiu colocar aliados negacionistas em órgãos ambientais na Câmara dos Deputados — o que pode levar a mudanças legislativas, mais difíceis de reverter do que despachos e decisões ministeriais.
ou seja, a boiada passou, infelizmente.
e, pior, se não fizermos nada rápido, corre o risco de continuar passando.
Ações de Salles trazem recordes de desmatamento e queimadas, grilagem, garimpo e invasão de terras indígenas. Estamos testemunhando uma verdadeira devastação ambiental. O governo bolsonaro está sacrificando a criação, sacrificando a terra.
O Brasil está sofrendo: amazônia desmatada, pantanal incendiado, mata atlântica invadida, animais carbonizados, praias e oceanos poluídos, biodiversidade devastada. A terra-brasil está gemendo com dores profundas. A necropolítica bolsonarista afeta também o ambiente, a natureza, os cosmos brasileiros, nossas terras e povos tradicionais. Nossa terra está colonizada pela morte.
no episódio de hoje, vamos conversar sobre as interfaces entre as políticas ambientais e discursos religiosos implicados nesta crise global. fizemos um overview na realidade global, para entender as dinâmicas geológicas, geopolíticas e filosóficas da crise; depois imergimos no contexto brasileiro para ressaltar as principais violências ambientais que tem sido colocadas em prática pelo governo; e, por fim, nos perguntamos como as tradições religiosas e espirituais nos ajudam a encontrar saídas e soluções aos problemas que este tempo de catástrofes nos apresenta.
vamos junt@s!



