Neste episódio um tanto errático (provavelmente o mais confuso até aqui) tentei abordar um tema que é ao mesmo tempo muito caro e muito sensível à minha trajetória de vida: minha relação ambivalente e paradoxal com os livros. Parafraseando Caetano, tenho por eles um amor tátil que infelizmente não se resolve em leitura... isso representa tanto um calo quanto um ponto de perspectiva a partir do qual questiono os aspectos individuais e coletivos a supervalorizar a leitura das letras, enquanto outras formas de leitura do mundo são estigmatizadas, como ocorre com as mídias (meios de comunicação de massa tradicionais e os digitais).
Em meio a tudo isso, uma reflexão sobre a minha neurodiversidade em particular, num arco que vai da suspeita de TDAH à sorte (ou benção) de ter recebido suporte pedagógico, ainda que assistemático, na infância e juventude. Gratidão que sinto e expresso por três pessoas, nominalmente Daniel, Solange e Regina. Sem eles, minha vida cotidiana talvez não fosse tão privilegiada.
Não há dúvida que há implicações e elementos muito mais além de tudo que falei, mas em alguma medida apontar isso contribui para um ponto futuro que ainda não sei precisar quando ocorrerá. Provavelmente será um tema reavivado em edições posteriores com mais zelo e sentido...
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Música da vinheta: Estático (Mombojó - álbum: Nada de Novo, 2004)


