Deitados na rede, vestidos apenas de abraços, confundimos nossos corpos. No entrelaçar das coxas, te penetrei. Tua mão agarrou-me a nuca – nos encontramos no olhar. Naquela noite nossas línguas perderam o sossego.
A sacada, que fora tomada pelas flores de verão, da trepadeira que a circunda e envolve suas vigas de jacarandá, compunha o cenário. Os tijolos maciços, num tom de terracota, tinham sua sobriedade quebrada pela grande porta de madeira colorida de verde lunar.
Acima de nós, apenas a luminária, feita de chita e bambu, e o céu. Ao fechar os olhos, o balanço ritmado da rede nos dava a impressão de estarmos à deriva pelo espaço, ao encontro de novas constelações. Desbravaríamos os zodíacos?
Ali na rede, como num poema de Drummond, éramos, apenas, eu, ela, elaeu.

