Geopizza
Geopizza
Zottis e Alexander
Dos CORTIÇOS às FAVELAS #36
2 hour 25 minutes Posted Oct 8, 2020 at 2:06 am.
0:00
2:25:45
Download MP3
Show notes

Em 1904, mais de 700 casas foram destruídas e 14 mil pessoas desalojadas para dar espaço à atual Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro.


A população, movida para as periferias, concentrou-se principalmente para o Morro da Providência, criando suas casas da forma que podiam.

A partir de 1850 o Brasil ia de um país agrário para uma nação industrial, contudo muitas capitais provincianas não tinham planejamento urbano ou saneamento básico.


A chegada de levas de imigrantes portugueses explicitava que o país não tinha casas para comportar os próprios brasileiros, quem dirá os europeus.

Ao longo do século 19, com a aprovação da Lei Eusébio de Queiroz e do Ventre Livre, o número de escravizados libertos a procura de moradia crescia exponencialmente.

Os alugueis mostravam-se caros para a realidade de qualquer afrodescendente no Brasil, levando muitos a viverem em moradias comunitárias, junto com outros imigrantes pobres.

Esses eram os cortiços, não bem vistos pela autoridades brasileiras, conhecidos por abrigar "os mais diversos vícios e imoralidades"

Na visão dos higienistas, responsáveis pelo saneamento da cidade, os cortiços eram responsáveis por gerar (não transmitir) doenças como a febre amarela.

Com a abolição da escravatura em 1888, milhares de ex- escravizados habitaram novos cortiços, que muitas vezes eram antigas mansões de seus senhores convertidas em moradias comunitárias.

Foi essa situação que influenciou Aluísio Azevedo a escrever seu romance de 1890, O Cortiço.

Com a proclamação da república através do golpe de Deodoro, os higienistas tornaram-se mais influentes em todo Brasil, ascendendo a cargos de poder.

O higienista Barata Ribeiro foi eleito prefeito do Rio em 1892 e em sua visão, eliminar os cortiços e as "classes perigosas" era tão ou mais urgente quanto a vacinação da população.