Os desdobramentos da pandemia de COVID-19 têm servido, dentre outras coisas, para escancarar as injustiças institucionalizadas em diversos países. No Brasil, a proporção de novos infectados e mortos é consideravelmente maior entre as classes mais baixas e de bairros periféricos, pessoas jovens e negras. À guisa de informação: em SP, a proporção de mortes por COVID-19 é até 60% maior em bairros pobres do que em bairros ricos, e o risco de morte de negros pela doença é 62% maior.
Ao mesmo tempo, as taxas de desemprego e de informalidade aumentam em ritmo preocupante, a precarização ou flexibilização de direitos trabalhistas se coloca com força como um horizonte possível, sob a escusa de um sacrifício necessário ao enfrentamento da crise, e nada ou pouco se discute na esfera pública sobre reformas institucionais voltadas à instauração ou fortalecimento das redes de proteção social existentes, já negligenciadas e precarizadas.
Diante deste quadro, algumas perguntas podem ser levantadas: como, ou a partir de quais conceitos, podemos pensar a justiça social e, mais especificamente, a justiça distributiva (de renda, riqueza e outros bens sociais)? Não deveriam as instituições sociais, especialmente em momentos críticos como o atual mas não apenas, forçar os "mais favorecidos" a contribuir mais? Ainda faz sentido pensar em redistribuição e reconhecimento? Como se manifestam as injustiças nas questões de gênero e raça, em especial no contexto da pandemia?
Para refletir conosco sobre essas e outras questões, recebemos no Conjectura de hoje a filósofa e professora da UNISOCIESC, Dra. Julia Sichieri Moura.
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